soropositivoorg: As pessoas que estigmatizam o VIH têm menor probabilidade de fazer o teste

0
5
 
Estigma e discriminação
Michael Carter

 

As pessoas com preconceitos sobre o VIH têm menos probabilidades de fazerem o teste, segundo reporta uma equipa de investigação na edição on-line do Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes. O estudo envolveu 5 249 pessoas de bairros do Soweto e Vulindlela na África do Sul. Apenas 41% tinha feito o teste para o VIH.

“Comparando com aqueles que nunca tinha feito o teste, as pessoas que o fizeram tinham significativamente menos preconceitos e crenças sobre as pessoas que vivem com VIH, com maior probabilidade de acreditarem que as pessoas com VIH enfrentam discriminação, com maior probabilidade de crer que as pessoas com VIH devem ser tratadas de modo igual, e de acreditar que a maioria das pessoas já fez o rastreio”, comentam os investigadores.

O estigma deve ser abordado em estudos futuros que procurem melhorar as taxas de rastreio para o VIH na África do Sul, salientam os autores.

Muitos doentes com VIH morreram desnecessariamente porque o diagnóstico para a infecção foi tardio. Há também fortes evidências de que muitas novas transmissões da infecção pelo VIH provêm de pessoas não diagnosticadas. Assim, aumentar a taxa do rastreio para o VIH é uma prioridade pública, especialmente na África do Sul, onde há uma elevada prevalência de infecções não diagnosticadas.

Os investigadores do Project Accept pretendiam analisar a associação entre o teste para o VIH e percepções de estigma e normas sociais, na África do Sul.

A um total de 5 259 pessoas, com idades compreendidas entre os 18 e 32 anos, foi pedido para completar um questionário, onde era pedido para as pessoas descreverem o seu historial do teste para o VIH.

As perguntas incluíam também o estigma relacionado com a infecção. As perguntas foram elaboradas para verificar se os participantes tinham uma atitude negativa em relação às pessoas que vivem com VIH. Por exemplo, foi perguntado se concordavam ou não com a seguinte afirmação “as pessoas que vivem com VIH/SIDA são amaldiçoadas” e ainda se “as pessoas com SIDA são repugnantes”.

Aos participantes foi também perguntado se consideravam que as pessoas que vivem com VIH eram discriminadas, e se acreditavam que as pessoas com VIH deveriam ser tratadas igualmente.

Por fim, uma questão foi incluída para verificar se o teste para o VIH era entendido como uma norma social, tendo também sido pedido para indicar se acreditavam que “a maioria das pessoas já fez o teste para o VIH”.

No total, 41% das pessoas reportaram que tinham feito o teste para o VIH. Estas pessoas eram mais velhas (25 vs. 22) e com maior escolaridade do que as pessoas que nunca tinham feito o teste (13 ou mais anos de escolaridade: 11% vs. 7%).

As primeiras análises dos investigadores mostraram que os seguintes factores foram associados ao aumento da probabilidade de fazer o teste:

·         Mais anos de escolaridade (p = 0,04).

·         Menor estigma em relação às pessoas que vivem com VIH (p = 0,0028).

·         Maior convicção de que as pessoas que vivem com VIH enfrentam discriminação (p = 0,0086).

·         Convicção de que as pessoas com VIH devem ser tratadas de forma igual (p = 0,0086).

·         Convicção de que a maioria das pessoas já fez o teste para o VIH (p = 0,0115).

Análises posteriores mostraram que as mulheres (p = 0,0078), pessoas mais velhas (p = 0,0141) e outros com 13 ou mais anos e escolaridade (p = 0,0016) tinham significativamente mais probabilidades de terem já feito o teste.

Contudo, a relação entre duas destas medições (sexo e educação) e o aumento da probabilidade de já ter realizado o teste, diminuíam com o avançar da idade.

Em contraste, a relação entre o teste e a convicção de que as pessoas que vivem com VIH serem discriminadas aumentou com a idade (p = 0,001). As mulheres que acreditavam que as pessoas com VIH deveriam ser tratadas de igual modo tinham maior probabilidade de terem já feito o teste do que os homens que tinham esta convicção (p = 0,009).

“O presente estudo sugere uma ligação ente o teste para o VIH, estigma e normas sociais, em que a diminuição do estigma relacionado com o VIH pode ajudar a aumentar a taxa do teste”, comentam os investigadores.

Acrescentam que “intervenções que culturalmente e demograficamente adaptadas aos interesses da população podem provar ser uma medida eficaz para diminuir o estigma e aumentar o número de pessoas que fazem o teste”.

O facto de serem as pessoas a falarem sobre o seu historial do teste, e reunir informação sobre estigma através do questionário foi, segundo reconhecem os investigadores, um potencial factor de limitação do estudo.

Comentam que “é possível que os participantes tenham sido motivados a sub-reportar atitudes negativas relacionadas com o VIH devido a ser mais correcto socialmente”.

Contudo, os investigadores estão confiantes de que o seu estudo “assemelha-se aos resultados de anteriores estudos sobre estigma e teste, e indicam que o estigma é associado ao comportamento de fazer o teste para o VIH entre as pessoas”.

Concluem que é “imperativo” que estudos futuros procurem formas de aumentar a taxa do teste para o VIH na África do Sul se foquem no estigma.

Referência

 

Young SD et al. HIV related stigma, social norms, and HIV Testing in Soweto and Vuildlela, South Africa: National Institutes of Mental Health Project Accept (HPTN 043). J Acquir Immune Defic Syndr, online edition, 2010 (Clique aqui para consultar o abstract).

{linkr:related;keywords:discriminacao;limit:25;title:Mais++artigos}


Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.