#soropositivoorg: Substituição do efavirenze ou do AZT associada a melhoria dos níveis de vitamina D
De acordo com um grupo de investigadores cujos resultados foram publicados na edição online da AIDS Research and Human Retroviruses, a substituição dos medicamentos efavirenze e AZT nos esquemas de tratamento anti-retroviral (ARV) mostrou-se associada a uma melhoria dos níveis de vitamina D. Outros factores associados a este défice vitamínico foram o mês do ano e raça negra.
Os níveis de vitamina D aumentaram significativamente após a interrupção do tratamento com efavirenze ou AZT e substituição por um esquema baseado no IP darunavir (Prezista) potenciado com ritonavir.
“A associação entre o uso de efavirenze e o défice de vitamina D é consistente com os resultados de estudos transversais e prospectivos anteriores”, referem os investigadores. Que acrescentam: “que seja do nosso conhecimento, este é o primeiro estudo a mostrar um aumento dos níveis de vitamina D após a mudança de um esquema terapêutico baseado em efavirenze por outro baseado num IP [inibidor da protease]”.
A vitamina D tem diversas funções. Ela melhora o desempenho do sistema imunitário e a força muscular, reduz a inflamação e participa na formação do osso. A deficiência grave de vitamina D (valor inferior a 25 nmol/l) nas pessoas seronegativas para o VIH tem sido associada a um risco maior de osteoporose, fraqueza muscular, diabetes e alguns cancros.
Vários estudos têm mostrado uma prevalência elevada de défice de vitamina D em pessoas seropositivas para o VIH a fazer tratamento ARV. Alguma desta investigação encontrou mesmo uma associação desta situação com o tratamento com efavirenze (Sustiva; também presente na combinação Atripla), associação que se manteve significativa mesmo depois de se levar em conta os níveis de vitamina D nos meses de inverno e a raça negra, factores de risco conhecidos para valores baixos de vitamina D.
Além destas associações, os investigadores pretenderam também avaliar a associação entre a infecção VIH, a terapêutica ARV e o referido défice vitamínico. Neste sentido, monitorizaram os níveis de vitamina D, avaliando-os em dois momentos: à partida e 96 semanas depois em 219 participantes do ensaio MONET, uma comparação randomizada entre uma terapêutica tripla baseada num IP e um esquema de monoterapia com IP, em doentes com uma carga viral já suprimida. O recrutamento para o estudo teve início no Outono de 2007.
Para serem elegíveis para este ensaio, requeria-se que os doentes estivessem a fazer tratamento ARV e tivessem uma carga viral inferior a 50 cópias/ml. Então, seriam randomizados para receber ou darunavir/ritonavir em monoterapia ou darunavir/ritonavir em combinação com dois ITRNs (inibidores da transcriptase reversa análogos dos nucleósidos).
A maioria dos doentes (80%) eram homens, 91% eram caucasianos, e a sua idade média era de 43 anos. Nenhum se encontrava a tomar suplementos de vitamina D.
À partida, 83 doentes encontravam-se a fazer um esquema terapêutico baseado num ITRNN (inibidor da transcriptase reversa não análogo dos nucleósidos): 61 a fazer efavirenze e 22 nevirapina (Viramune). O IP mais utilizado era o Kaletra (lopinavir/ritonavir).
À entrada no estudo, a maioria dos doentes apresentava níveis deficitários de vitamina D. Esta situação verificava-se em 70% dos que se encontravam a tomar um IP, aproximadamente 70% dos que faziam efavirenze ou nevirapina, e em todos os doentes a fazer um esquema triplo de ITRNs.
Os níveis mais baixos de vitamina D encontravam-se significativamente associados com o mês do calendário (p = 0.01), etnia negra, tratamento com efavirenze (p = 0.02) e uso de AZT (p = 0.01). O valor médio de vitamina D apresentou o seu pico mais baixo entre Janeiro e Abril (35.8 nmol/l), e o mais elevado em Setembro (45.4 nmol/l).
Os doze participantes negros apresentavam um valor médio de base de vitamina D de 27.7 nmol/l, em comparação com o valor de 39.4 nmol/l observado entre os brancos.
Para os doentes a tomar efavirenze, o valor médio de vitamina D de base era de 35 nmol/l, comparado com 41.7 entre os que tomavam um IP. No caso de se estar a tomar AZT, o valor médio era de 34.6 nmol/l, em comparação com 40.8 nmol/l no caso dos que recebiam terapêutica com um ITRN alternativo.
À partida, também, 25% das pessoas a tomar efavirenze apresentava um défice grave de vitamina D, sendo que apenas 2% apresentavam níveis ótimos da vitamina. No caso dos que se encontravam a fazer um IP, pelo contrário, aquele valor era de apenas 15%, atingindo o valor de 5% o grupo dos que apresentavam níveis ótimos da substância.
Após 96 semanas de terapêutica com um esquema baseado em darunavir/ritonavir, a percentagem de doentes com défice de vitamina D tinha caído. Além disso, não se registava qualquer diferença na prevalência da deficiência grave da vitamina quando os participantes eram analisados de acordo com o seu esquema ARV original. Nesta ocasião, apenas os negros (p = 0.02) e a altura do ano (p = 0.004) mostraram associação com a deficiência grave.
Os níveis de vitamina D eram comparáveis nas pessoas que se encontravam em monoterapia com darunavir/ritonavir e nas que se encontravam fazer uma combinação de darunavir/ritonavir com dois ITRNs (51.1 nmol/l vs. 55.3 nmol/l).
Os valores médios de vitamina D aumentaram 8 nmol/l nos doentes que interromperam o efavirenze (p = 0.007) e os mesmos 8 nmol/l nos que descontinuaram o AZT (p = 0.007).
“Deve ser feita monitorização dos níveis de vitamina D nas pessoas com infecção pelo VIH”, recomendam os investigadores.
Que concluem: “no caso das pessoas com défice grave de vitamina D, pode ser ponderado ou o uso de suplementos de vitamina D ou uma mudança do tratamento ARV”.
Referência
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