Mulheres com distúrbios de ovulação podem começar o tratamento com métodos de reprodução assistida de baixa complexidade. Em pacientes com ovário policístico, por exemplo, a indução da ovulação pelo uso de medicamentos aliada ao chamado coito programado pode resolver o problema se o espermograma do marido é normal. “Se 10% dos casais têm algum problema para engravidar, talvez 1% precise de fertilização, o resto se consegue com procedimentos de baixa complexidade com custo mais baixo e menos riscos“, diz o especialista Marcelo Rocha. Já o médico Evangelista Torquato prefere ir direto para a fertilização em pacientes acima dos 35 anos, pulando, inclusive, a inseminação. “O método tem baixa eficiência. Fica por volta de 18%. Na mulher mais velha cai para 10%. Num momento em que a paciente já não pode esperar muito tempo, meu raciocínio médico impele à fertilização porque é mais efetivo“, defende. A inseminação é considerada técnica de baixa complexidade, mas para adotá-la, a mulher “tem que estar ótima“. Isso porque o processo se assemelha muito ao natural. Depois de recolher o sêmen masculino, o médico escolhe os melhores espermatozoides, separa os que estão mortos porque a toxina deles pode prejudicar o vivo, retira os leucócitos e dá uma “turbinada“ nos espermatozoides selecionados. Transferidos para o útero da mulher, eles vão percorrer o mesmo caminho percorrido por um espermatozoide que chega até ali via ejaculação. “Se ela tiver as trompas obstruídas, não adianta nada“, explica Marcelo. Para aumentar as chances de engravidar, a mulher estimula a ovulação, produzindo de dois a quatro óvulos. Na fertilização, essa estimulação é muito maior, gerando de oito a 12 óvulos. A diferença é que eles são retirados da mulher numa punção feita pela vagina. O procedimento é simples, mas exige sedação. Um dos riscos da fertilização é a hiperestimulação do ovário, que acaba gerando um acúmulo de água no abdômen. Alerta “Às vezes a água precisa ser retirada várias vezes, pode até dar um derrame no pulmão. No procedimento tem o risco de furar um ovário e pegar uma artéria, um vaso, e a paciente ter que ser operada de urgência. Tem que entender que o tratamento não é completamente inócuo“, alerta Marcelo, insistindo na prudência de começar por um método mais simples. O processo de preparação do espermatozoide masculino se assemelha ao da inseminação, só que na fertilização a quantidade de espermatoides necessária é bem menor. A inseminação exige um mínimo de 10 milhões de espermatozoides por mililitro, a fertilização pode ser feita com oito, dez unidades. Isso só é possível graças à injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI). A agulha busca no próprio testículo o espermatozoide que não aparece no sêmen ejaculado porque não é produzido em quantidade suficiente para ser expelido. A mesma agulha injeta o espermatozoide no óvulo. Para isso, a ICSI é usada rotineiramete nas clínicas. (Mariana Toniatti) E-Mais > Homens que produzem espermatozoides de baixa qualidade podem tomar remédios com ação anti-oxidante antes do tratamento para melhorar o DNA do espermatozoide. > A inseminação custa em torno de R$ 1 mil. A fertilização é dez vezes mais cara. Quanto mais velha for a mulher, mais cara será a medicação. As injeções e remédios que estimulam a ovulação são a parte mais cara do tratamento. > A clínica Conceptus utiliza um banco de sêmen de São Paulo. Como no caso da doação de óvulos, a transação não dá lucro pro doador. Numa tabela, identificados por números, eles são descritos de forma breve. O número 45, por exemplo, tem sangue AB negativo, é branco, tem cabelo castanho ondulado e olhos castanho claro, 1,71 metro de altura e 76 quilos. E a religião, espírita. A doação tem um custo. O casal paga em torno de R$ 1 mil pelo transporte e pelos exames feitos pelo doador. Uma série de testes é exigida – da hepatite à AIDS – três vezes cada. No dia da doação, três meses depois e mais três meses depois.
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CEARÁ |
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11/OUTUBRO/09 |
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