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Tudo mudou340 visualizações desde a publicação original em 19/06/2009. Tempo estimado de leitura acumulado: 1 dias, 4 horas, 20 minutos.

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Amaury Medeiros
E mail amamed@hotmail.com

A grande revolução da humanidade se originou principalmente com o surgimento da internet. Os mais radicais e desprovidos de fé advogam a divisão do mundo não mais antes e depois de Cristo, mas antes e depois da internet. Tudo mudou e mudará mais ainda de uma maneira nunca imaginável com o domínio e o avanço da nanotecnologia. Os costumes, os hábitos, os comportamentos de agora são inteiramente diversos daqueles de décadas atrás. Nossos amigos e amigas virtuais nos enviam mensagens belíssimas, seja de cunho filosófico, político, poético ou simplesmente pictórico. A primeira e mais assídua é a querida Tinane, seguida de Carlos Ernani consagrado médico e professor universitário da cidade de Natal, amigo dos velhos tempos da Ada e rubro negro empedernido   Carlos e Terezinha, Geraldo Pereira, presidente da Academia Pernambucana de Medicina, Mara Assaf, Didymo Borges e mais recentemente o colega Emmmanuel Queiroz. Verdadeiras pérolas caem me às mãos. A última foi enviada por Ernani e diz me de autor desconhecido. Achei interessante e oportuno repassá la para vocês, leitores, com a certeza de que nem todos terão oportunidade de tomar conhecimento dessa peça atual repassada de fina ironia e humor. Fiz por minha conta algumas adaptações e que o autor as desconsidere e me perdoe. O título é o que encima esta crônica. Vamos ao assunto.
                                                          
“Ao ler esta mensagem dá um aperto no coração só de pensar que tudo é verdade. Que nossa realidade está de fazer “vergonha”! E pior: será que alguém ainda sabe o que é vergonha? Pára, Brasil, que os caras de mais de 50 anos querem descer!!! Ninguém tem mais certeza de nada e a única música dos Beatles a tocar é Help. As pessoas de mais de 50 anos estão assim meio tontas, mas vão levando… Fumaram e deixaram de fumar. Beberam uísque com muito gelo ou rum com coca cola e hoje tomam água mineral. Foram maxistas até descobrirem que eram Harpo, Chico e Groucho, e que o maxismo é um engodo. Caseiro não era mais ético que o ministro. Quadrilha era inocente dança junina e não agrupamento chefiado por ministro da República. O Clube dos Cafajestes era constituído por inofensivos playboys cariocas e não por um País inteiro. Movimento social era reunião dançante. Dia da mentira não era data nacional. Piercing quem usava era botocudo. Tatuado era criminoso do basfond. Mansão do lago era mistério de filme de terror, de ventos uivantes, e não lugar onde mensaleiros dividem dinheiro. Tempos em que cueca servia para acomodar o “general” e não como esconderijo de dólares. Um fio de bigode valia mais que uma assinatura reconhecida em cartório. Ângela Guadagnin dançaria só na zona do baixo meretrício. Presidente de República era alfabetizado. Experiência com feijão e algodão germinando a gente fazia na escola primária e não em vôo espacial pago a 12 milhões de dólares. Para as pessoas de mais de 50 anos, palhaços eram o Carequinha e o Chocolate. Hoje o povo inteiro é meio palhaço e meio pateta. Ladrão era o Meneghetti e bandido, o da Luz Vermelha, hoje os ladrões tomaram conta do palácio, da Câmara Federal e duma cidade que não existia chamada Brasília,   a Ilha da

Fantasia   restando poucos com credibilidade popular.
Em cinco anos tiraram a filosofia da educação e como o pensamento era reprimido pela revolução, tudo virou libertação: Teologia da Libertação, psicologia da libertação, sexologia da libertação.
Deu no que deu: burrice liberada, burrice eleita, sacanagem oficializada. De súbito, aporta a pílula anticoncepcional, tornando o cenário mais sombrio com o aumento dos casos de Aids, das gestações indesejadas, dos abortos criminosos e, mais desumano e cruel, com a nascença de filhos indesejados. Na realidade, as mães são solteiras com 12 anos. Depois serão chefes de família com muitos filhos de muitos pais. Casar ficou fácil e mais fácil ainda descasar e os filhos perdidos em meio a esse imbróglio. Até morrer ficou diferente. Na minha rua havia um velhinho que morria, lentamente, a conta gotas. Ficou morrendo durante uma década e isto aconteceu depois de completar 50 anos. Hoje se morre com 80 ou 90 anos e é vapt vupt. Ou bem mais cedo, sob o efeito das drogas. As avós eram umas velhinhas encarquilhadas, hoje, aos 40 ou 50 anos elas viraram mulheraças. Nos tempos idos as missas eram celebradas em latim com todo respeito ao ritual litúrgico, hoje, são festejadas com batucadas, violões e artistas globais. Todos nos vestimos como nossos filhos. Não existem mais velhos, como antigamente. Essa foi uma geração que mudou tudo.”
                                                          
Agora, mais que nunca, temos a resposta para a dúvida machadiana: mudaria o Natal ou mudei eu? Mudaram os tempos ou mudamos nós? Que acha você, prezado leitor? A folha continua branca, falha a inspiração, desde que a pena, frouxa e manca, não acode ao gesto seu…
Amaury Medeiros é médico e membro da Academia Pernambucana de Letras.

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