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Câncer do colo do útero cresce no Pará 

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03/DEZEMBRO/07

 

 
Estima-se 22 novos casos a cada 100 mil mulheres; pobreza é principal causa

BRASÍLIA

THIAGO VILARINS

Da Sucursal

 

A pobreza ainda é o principal vetor da morte precoce de paraenses por câncer. Tanto que tipos de câncer, como o de colo de útero, que podem ser facilmente prevenidos, deverão fazer mais vítimas no próximo ano no Estado do Pará. Estima-se aproximadamente 22 novos casos a cada 100 mil mulheres. Os dados são projetados pelo estudo do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que aponta os Estados da Região Norte na liderança das estimativas de incidência de câncer de colo de útero entre as mulheres em 2008.

 

A maioria desses novos casos surge devido a falta de programas de controle e de informação junto a população. Conforme a médica e epidemiologista Marise Rebelo, o câncer de colo de útero é plenamente evitável, tratável e curável, mas geralmente as mulheres chegam ao sistema de saúde em estágio avançado. Ações mais eficazes na região para estimular exames ginecológicos regulares, disponíveis em todos os postos de saúde do País, poderiam reduzir esses índices radicalmente. "A literatura médica diz que o risco de câncer de colo de útero pode ser reduzido em 70% se a mulher realizar o exame Papanicolau pelo menos uma vez na vida", destaca a médica, afirmando que o ideal é que o exame seja feito pelo menos a cada 3 anos.

 

Outras regiões tiveram redução nos casos de tumores no colo do útero por despertar na sociedade a preocupação com a sua própria saúde. Entretanto, ressalta Dra Marise, este é um dos grandes desafios: fazer com que as pessoas vençam o tabu do medo e procurem exames de detecção precoce. "O câncer ainda é uma doença que cria o estigma, por isso estamos trabalhando para desmistificar que ele é uma doença fatal. Ele pode ser fatal, mas se você não se cuidar. As mulheres até vão ao médico, mas na hora que desconfiam que podem vim a ter um diagnóstico assim, elas se retraem, ficam com medo. Para a maioria dos cânceres descobertos em fase inicial tem-se um tratamento não tão agressivo e quase com garantia de cura", ressalta.

 

A médica afirma que a pesquisa é um levantamento para as ações futuras. Tanto que o quadro encontrado nos Estados da região Norte surpreendeu os técnicos que a fizeram. Ficou a dúvida do por que as políticas públicas em relação ao câncer de colo de útero serviram para todas as regiões, com exceção dos Estados do Norte. "Os dados encontrados na região Norte contrariam o perfil observado nos demais Estados, onde se constatou que o câncer de mama deverá prevalecer entre as mulheres. Por que os resultados não foram iguais aos dos demais? Como e de que forma os recursos estão sendo aplicados nessa região? Essas são questões que agora serão estudadas", explica.

 

O câncer de mama é o segundo mais incidente entre as mulheres no Estado. As estimativas são 17 novos casos a cada 100 mil mulheres em 2008. Em seqüência, a pesquisa registrou os cânceres de estômago (5/100.000), cólon e reto (4/100.000), pulmão (4/100.000), leucemias (3/10.000) e cavidade oral (2/10.000).

HOMENS

 

Entre os homens paraenses, o estudo aponta para 2008 alta incidência do câncer de próstata. Os números acompanham a tendência nacional. Serão cerca de 640 novos casos no Pará, em uma perspectiva de 17 casos a cada 10 mil homens. Além da falta de campanhas de conscientização, a médica Marize Rebelo destaca que o preconceito continua sendo um dos principais adversários. "Nós não conseguimos vencer a questão cultural. Apesar de todos os recursos da mídia de colocar a importância do homem fazer o exame do toque retal, ainda existe uma carga cultural muito grande que o afasta desse exame. Mesmo com a tecnologia avançando, o exame retal continua sendo imprescindível", frisa.

 

Outra particularidade da pesquisa sobre a região Norte é o surgimento do câncer de estômago em segundo lugar entre os homens, ultrapassando o câncer de pulmão. São previstos cerca de dez casos dentro do universo de 100 mil homens. Esse dado deflagra a precariedade da população residente nesses Estados. Conforme Marise, fatores como qualidade do alimento e temperos nada contribuem para o surgimento desse câncer – ele se deve, exclusivamente, a conservação dos alimentos. "Não é a qualidade e nem o tipo do alimento, mas sim as condições de conservação. Nisso estão envolvidas questões ligadas a energia elétrica e saneamento. Ele não tem energia elétrica e assim não tem geladeira.

 

Salga a carne e posam moscas. É uma questão exclusiva de tipo de conservação", esclarece.

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