Casos de Aids dobram em cidades pequenas

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Levantamento do Ministério da Saúde revela, porém, que incidência recuou em grandes centros urbanos

 

Demétrio Weber

 

 

BRASÍLIA. A AIDS avança no interior do país e cai nas grandes cidades do Sudeste, Sul e Centro-Oeste, revela balanço divulgado ontem pelo Ministério da Saúde. De 1997 a 2007, a incidência da doença caiu 15%, em média, nas cidades com mais de 500 mil habitantes, enquanto dobrou nos municípios com menos de 50 mil moradores.

 

 

Em todo o país, 34.480 pessoas foram infectadas pelo HIV no ano passado, o que reflete um quadro de estabilização da doença em termos nacionais.

 

 

Em 2007, haviam sido 33.909. O ministério estima que 630 mil brasileiros estejam infectados pelo HIV. As mulheres representam um terço do total.

 

 

Para o governo, é preocupante a estimativa de que 255 mil (40%) infectados nunca tenham feito o teste e, portanto, desconheçam o diagnóstico.

 

 

A AIDS matou 11.523 pessoas em 2008, o equivalente a 31 por dia.

 

 

Em cidade do Pará, doença cresce 380% em dez anos A disseminação do vírus, porém, varia conforme a região e o município. As 39 maiores cidades brasileiras concentram 52% do total de casos até hoje notificados. Em 1997, a taxa de incidência da AIDS nesses municípios era de 32,3 para cada grupo de 100 mil habitantes.

 

 

Dez anos depois, em 2007, a taxa caiu para 27,4. No Sudeste, a diminuição foi ainda maior: de 39,4 para 26,1.

 

 

Movimento inverso ocorreu nas cidades com menos de 50 mil moradores. Em 1997, elas tinham taxa de 4,4 casos para cada grupo de 100 mil habitantes.

 

 

Em 2007, a incidência quase dobrou, atingindo 8,2. No Sul, o número quase triplicou, subindo de 5,8 para 14,1.

 

 

O Boletim Epidemiológico AIDS/DST 2009 mostra que, ao contrário do resto do país, o Norte e o Nordeste tiveram aumento de taxas tanto nas pequenas e médias quanto nas grandes cidades. A AIDS avançou em 15 dos 39 maiores municípios do país, dos quais 13 estão localizados no Norte ou Nordeste.

 

 

Em Ananindeua, no Pará, o salto foi de 380%, o mais agudo no período de 1997 a 2007.

 

 

Em situação oposta, Ribeirão Preto (SP) registrou queda de 72,5%. Das 14 cidades nortistas e nordestinas na lista das 39 maiores, apenas Natal (RN) tem dados que indicam a estabilização da doença.

 

 

O Rio, que é a quarta capital com maior taxa de infecção por HIV – 36,4 casos por grupo de 100 mil habitantes – permaneceu estável entre 1997 e 2007. O mesmo ocorreu em Porto Alegre, cidade brasileira em situação mais grave, com taxa de 111,5, em 2007. Duque de Caxias, Nova Iguaçu e São Gonçalo também apresentaram quadro de estabilização.

 

 

A diretora do programa de DST, AIDS e hepatites virais do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, disse que as disparidades entre os municípios são resultado das políticas locais de prevenção da doença: – Uma resposta pode ser a continuidade da política local de enfrentamento da AIDS, sem interrupção.

 

 

O Ministério da Saúde divulgou também lista dos cem municípios brasileiros com mais de 50 mil habitantes e maior incidência de AIDS. Das 20 cidades em pior situação, 15 são do Rio Grande do Sul e 5 de Santa Catarina. Itaguaí (RJ) ocupa a 23aposição e é o município fluminense com mais alta taxa nessa relação: 44. Rio das Ostras (RJ) aparece em 26olugar, com 42,4; e o Rio em 36o com 36,4.

 

 

No ranking estadual, o Rio de Janeiro tem a segunda maior incidência de notificações: 28,9 para cada 100 mil habitantes em 2007. O Rio Grande do Sul é o estado com maior taxa: 43,8.

 

 

  • A epidemia no Brasil está estabilizada, mas tem lugares onde aumenta e outros onde cai. A gente quer que diminua em todos os lugares para que a taxa nacional caia – disse Mariângela.

 

 

O boletim revela ainda que o número de mortes decorrentes de AIDS cai entre os homens e sobe entre as mulheres, embora o ministério considere a mortalidade feminina estabilizada, já que o acréscimo é pequeno. Em 2000, morreram 3,7 mulheres para cada grupo de 100 mil; em 2008, 4,1. Entre os homens, a diminuição começou em 1998, quando a taxa era de 9,6 óbitos.

 

 

Ela caiu para 8,1 em 2008

O GLOBO

Editoria: Pág. Dia / Mês/Ano:

O PAÍS

27/NOVEMBRO/09


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Claudio Souza DJ, Bloqueiro e Escritor
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