Casos de hepatite crescem no DF

TRIBUNA DO BRASIL – DF | GRANDE BRASÍLIA

HEPATITE

 

Secretaria de Saúde aponta crescimento das infecções do vírus da hepatite no DF

Marina Cardozo

Uma doença silenciosa, que pode demorar décadas para se manifestar. Os dados referentes à hepatite no Distrito Federal servem de alerta para a população. Na última década, o número de pacientes infectados pelo vírus aumentou significativamente entre os tipos A, B e C: saltou de 176 para 646 casos. Caso não seja diagnosticada a tempo, a doença pode comprometer o funcionamento do fígado e evoluir para uma cirrose ou câncer.

Segundo os dados da Secretaria de Saúde do DF, em 2000 não houve registros de pacientes infectados pelo vírus da HEPATITE C, o tipo mais grave da doença. Já no ano passado, foram contabilizados 155 casos. Na última década, os casos de hepatite A triplicaram: foram 99 casos em 2000 e 300 em 2009. Neste mesmo período, o número de pacientes que contraíram a HEPATITE B passou 77 para 191.

Sônia Geraldes, chefe do Núcleo de Hepatites Virais da Secretaria de Saúde, esclarece que o crescimento também se deve ao aumento das notificações. “É provável que o número de casos registrados nas décadas anteriores seja maior, mas não havia o diagnóstico”, ressalta a infectologista. De acordo com a projeção da Secretaria de Saúde, é possível que 1,42% da população do DF tenham contraído o vírus da hepatite. O percentual corresponde a 25 mil pessoas.

A atual ação de combate e prevenção à hepatite no DF dá uma atenção especial ao tipo C, descoberta em 1989. A preocupação é necessária porque neste caso a doença é silenciosa e pode demorar anos para se manifestar. Por isso, em alusão ao Dia Mundial de Combate as Hepatites Virais, comemorado no último dia 28, os brasilienses puderam fazer de graça o teste da HEPATITE C na Rodoviária do Plano Piloto.

O público-alvo da ação do diagnóstico do tipo C é formado pelas pessoas que nos últimos 20 anos precisaram de transfusão de sangue, fizeram tatuagem, utilizaram drogas injetáveis e que compartilharam seringas e agulhas. A vulnerabilidade destas pessoas ocorre por causa do meio de contrair da HEPATITE C, por meio do sangue. O contágio também pode ocorrer por meio da relação sexual. O exame é rápido, semelhante ao de verificação da taxa de glicemia, no qual se espeta uma agulha no dedo. O diagnóstico sai em cinco minutos. O teste é apenas uma ação isolada, pois ainda não está disponível na rede pública de saúde.

Além da HEPATITE C, outra preocupação é a parcela da população que não tomou as três doses da vacina contra o tipo B. O paciente recebe a primeira dose ao nascer, ainda na maternidade. Mas grande parte da população com idades entre 11 e 19 anos não tomou as doses adicionais. A orientação para essas pessoas é procurar o centro de saúde mais próximo para regularizar a vacinação. Em relação ao tratamento da hepatite, a Secretaria de Saúde informa que todas as regionais possuem estrutura para o atendimento.

Embora possua mais incidência, a hepatite A é considerada de menor risco, pois na maioria dos casos o vírus evolui de forma benigna. “O paciente recebe tratamento médico e é orientado a ficar de repouso até se curar”, explica a chefe do Núcleo de Hepatites Virais. O tipo A da doença está relacionado às questões de higiene e saneamento básico.

Os sintomas da hepatite A são febre e dores nas articulações. A transmissão ocorre pelo contato com fezes, alimentos ou objetos contaminados. De acordo com o Ministério da Saúde, menos de 1% dos casos pode evoluir para hepatite fulminante. A incidência é maior entre as pessoas com mais de 65 anos.

Transmissão

A hepatite pode ser transmitida por meio de relação sexual, na gestação e por meio do sangue, saliva e do contato com fezes e água contaminada e alimentos que não foram higienizados adequadamente.

Para se prevenir da hepatite, a orientação é não compartilhar agulhas e seringas, usar PRESERVATIVO na relação sexual e observar a higiene dos utensílios que têm contato com sangue (em salões de beleza, consultórios odontológicos e ao fazer tatuagem ou colocar piercings).

Incidência no DF

2000

Hepatite A: 99 casos

HEPATITE B: 77 casos

HEPATITE C: 0 casos

2009

Hepatite A: 300 casos

HEPATITE B: 191 casos
HEPATITE C: 155 casos


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