29/0102010 – 14h40
“Não queremos ter a prostituição como única alternativa”, disse Keila Simpson, vice-presidente da ABGLT
“O preconceito e a discriminação contra a travesti começam na família. O pai descobre que o filho não é o homem que ele esperava e expulsa a criança de casa. A escola não sabe respeitar essa população por falta de preparo dos profissionais, então a saída é ir para a rua se prostituir”. O relato da vice-presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros), Keila Simpson, é, segundo ela, a realidade da grande maioria das travestis. Para combater essas e outras situações de opressão, o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde realizou o pré-lançamento da campanha ‘Sou travesti. Tenho direito de ser quem eu sou’, nesta sexta-feira (29), Dia da Visibilidade Trans.
A iniciativa consiste na divulgação gratuita de toques de celular, cartazes, folderes e vídeos desenvolvidos pelas próprias travestis durante oficina realizada pelo Departamento entre os dias 16 e 18 de janeiro. Os objetivos são promover a imagem positiva e a inserção social do público; disseminar informações sobre prevenção à aids, outras DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis), além de combater a violência e a discriminação.
“Como são vítimas da violência e da dificuldade de acesso a serviços públicos como saúde e educação, as travestis tornam-se mais vulneráveis à infecção pelo HIV”, explicou a diretora do órgão do Ministério da Saúde, Mariângela Simão. O cartazes poderão ser adaptados com fotos das travestis do local onde forem utilizados para atingir o público de forma mais eficiente.
Para a representante da Antra (Articulação Nacional de Travestis, Transexuais e Trasgêneros) Jeovana Baby, a campanha é muito bem feita. “Onde tem Brasil ela tem que chegar”, afirmou. Ela também aproveitou a ocasião para divulgar mais uma conquista do movimento. “No Piauí, meu estado de origem, hoje estão sendo entregues às travestis, em ação inédita, seis carteiras de indentidade contendo seus nomes sociais.”
Faltam dados sobre a população
De acordo com o diretor-adjunto do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Eduardo Barbosa, atualmente não existem dados sobre o número de travestis com HIV/aids. “Nos sistemas de notificação que temos os dados sobre esse público estão misturados aos dos gays”, disse.
Porém, Eduardo afirmou que até março devem ser divulgados os resultados de uma pesquisa nacional, realizada com travestis, em que irá constar a taxa de incidência de HIV nesse público.
Serviço
O pré-lançamento da campanha ‘Sou travesti. Tenho direito de ser quem eu sou’ foi realizado em Curitiba por ocasião da da 5ª Conferência Regional da Ilga na América Latina e no Caribe, que está sendo realizada na cidade entre os dias 27 e 30.
Para acessar os materiais da ação, clique aqui
Fábio Serrato
O repórter Fábio Serrato cobre a 5ª Conferência Regional da Ilga na América Latina e no Caribe com apoio da organização do evento
Agência de Notícias da Aids |
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