Igreja, a contarditória Igreja…
Igreja (Painel do Leitor) “É com desgosto que recebo o texto de Francesco Scavolini “Os enganos da cúpula da CNBB” (Opinião, 29/1). Mas não é em sua intenção primeira...
Igreja (Painel do Leitor)
“É com desgosto que recebo o texto de Francesco Scavolini “Os enganos da cúpula da CNBB” (Opinião, 29/1). Mas não é em sua intenção primeira -construir uma crítica à postura vacilante da cúpula da CNBB sobre o programa de direitos humanos do governo Lula- que o texto me causa dissabores. O que realmente me assusta são os argumentos acessórios e complementares de que Scavolini faz uso. Logo de início, o autor sugere uma capciosa igualdade entre as práticas do aborto e do homicídio. Ora, se aborto e homicídio são coisas cambiáveis entre si, então a esmagadora maioria dos países que apresentam alto nível de desenvolvimento humano (incluindo aí a própria Itália, que legalizou o aborto em 1978) estão promovendo um verdadeiro “retorno à barbárie”. Uma contradição em termos. Tentando satanizar o assunto, Scavolini nos leva de volta a 1933 e à ascensão de Hitler como um episódio digno de comparação com o Brasil de 2010. Não vale a pena aqui insistir no fato de que foi exatamente a Igreja Católica quem manteve relações amistosas com o nazismo e, principalmente, com a sua versão italiana, o fascismo. O importante mesmo é ressaltar quão marcadamente “jurássico” é o entendimento que o autor aqui em questão tem sobre como devem se dar as relações entre o Estado brasileiro e a igreja.” PEDRO ERNESTO RODRIGUES MAÇARANDUBA (Goiânia, GO) “Admirável a firmeza que o dr. Francesco Scavolini demonstra em seu artigo. De fato, na questão do aborto -matar uma criança inocente e indefesa no ventre de sua própria mãe- não dá para contemporizar em relação a quem quer que seja. O verdadeiro católico apostólico romano é radicalmente contra o aborto provocado e ponto final.” MARISA STUCCHI (Ribeirão Preto, SP) “Quando o sr. Francesco Scavolini põe entre aspas a palavra “casamento”, na expressão “casamento HOMOSSEXUAL”, ele está colocando entre aspas a cidadania de inúmeros homens e mulheres honrados que pagam suas contas, cumprem suas obrigações e contribuem para o bem-estar da sociedade. Tenho 36 anos e posso dizer que há mais de duas décadas espero o momento de ver dispensado a mim e a outras pessoas homossexuais um tratamento igualitário por parte do Estado. Por esta razão, é constrangedor ler, em 2010, um artigo em que o autor afirme que o meu casamento contribui para “destruir os valores fundamentais da sociedade civil”. Um ataque tão virulento, entretanto, não anula a realidade: nós existimos e nossos casamentos existem. Cumprimos nossos deveres e exigimos nossos direitos.” LUCIENE COSTA DE CASTRO (Niterói, RJ)
FOLHA DE S.PAULO-SP |
Editoria: | Pág. | Dia / Mês/Ano: |
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OPINIÃO |
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31/JANEIRO/2010 |
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