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Dolutegravir passa a fazer parte dos fármacos antirretrovirais usados no tratamento da Infecção por HIV ou doentes de AIDS no Brasil
A chegada do antirretroviral Dolutegravir ao SUS (Sistema Único de Saúde), nesta quarta-feira (28), em Brasília, foi festejado pelos ativistas da AIDS.
“Vínhamos desde o ano de 2015vínhamos reivindicando este a integração deste novo medicamento ao rol de drogas utilizadas ao nosso sistema de saúde, o SUS
”, disse Vando Oliveira, coordenador da RNP+Ceará (Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids do Ceará).
Pedro Chequer, ex-diretor do Departamento de Aids, afirmou: a medida traz ao país a perspectiva de sustentabilidade da política de AIDS. Richard Parker, diretor-presidente da ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids), enfatizou que o Brasil diminui, com a decisão, a distância que o separa de países ricos na área da terapia antirretroviral. Veja o que mais ativistas, especialistas e os dois médicos que estiveram à frente do estudo da droga no Brasil, Ricardo Diaz e José Valdez Madruga, falam:
Pedro Chequer, médico, co-fundador e ex-diretor do Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais: “ Um dos princípios que regem a lei que estabeleceu o acesso a antirretrovirais é a atualização permanente do elenco terapêutico. Na medida em que surgem novos medicamentos, eles devem ser incluídos no elenco com objetivo de melhorar a atenção e prolongar a vida do paciente. O surgimento do dolutegravir e sua incorporação representam, efetivamente, o cumprimento da lei e uma clara demonstração de que a política adotada em relação à terapaia contra AIDS se mantém. Isso nos cria a perspectiva da sustentabilidade da política e a garantia de que o paciente no Brasil vai ter acesso ao que há de mais moderno, com menos efeitos colaterais.”
- Richard Parker, diretor-presidente da ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids): “ O avanço para incorporar novos medicamentos é um ganho. Temos um grande risco acontecendo agora no Brasil e em outros países que não são os mais ricos e estão ficando atrasados na incorporação de novos antirretrovirais. Isso significa que temos o acesso de duas classes. De primeiro mundo e de terceiro mundo, o que é ruim. O princípio de acesso a medicamentos é o de que todos os humanos têm os mesmos direitos. Então, é um avanço ver o Ministério da Saúde partindo para caminhar nessa direção.”
- Regina Bueno, ativista facilitadora da Rede Jovem Rio +, do grupo Pela Vidda Rio e da Pastoral da AIDS Rio: “Hoje, a nossa primeira linha tem o 3 em 1, que já foi descontinuado há muito tempo nos Estados Unidos e na Europa, porque traz efeitos colaterais sérios, especialmente por meio do efavirenz. Os jovens da nossa rede que fazem uso dele reclamam de insônia, sonolência. Então, a chegada do dolutegravir é boa porque é um remédio bem menos tóxico, segundo os centros internacionais de pesquisas. Isso permite mais acessibilidade e permeabilidade quanto à adesão. Porque o que se quer é barrar a transmissão do HIV, zerando a carga viral. Se há menos efeitos colaterais, há mais adesão. Mas é preciso informar sobre isso, principalmente os profissionais de saúde na atenção básica, que está sendo recomendada pelos protocolos do Ministério da Saúde como primeiro atendimento.”
- Veriano Terto Jr., coordenador de projetos da ABIA: “É um passo importante no sentido de atualizar o elenco de medicamentos disponíveis, especialmente para as pessoas recém diagnosticadas. Nós damos muito boas-vindas porque até o ano passado era quase um tabu falar desse medicamento, que parecia ser algo impossível . Num primeiro parecer da Conitec [Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias do SUS], ele foi rejeitado. Depois, nas oficinas, quando falávamos dele, éramos vistos como visionários ou que estávamos falando mal dos medicamentos já existentes na primeira linha. Não era nada disso, a gente só queria mostrar que era viável e, com um pouco de pressão política, o dolutegravir poderia ser adotado e melhorar a qualidade de vida de muita gente.”
- Eduardo Barbosa, coordenador do CRD (Centro de Referência da Diversidade) e da área de assistência do CRT (Centro de Referência e Tratamento em DST/Aids de SP): “Com a chegada do dolutegravir, a gente tem um avanço significativo na perspectiva de buscar melhor terapia para o indivíduo. É mais uma possibilidade de quebrar algumas barreiras na adesão ao tratamento e na retenção dos pacientes no serviço. Então, essa incorporação é superimportante.”
- Vando Oliveira, coordenador da RNP+Ceará: “Já chegou tarde, pois, em outros países mais adiantados, o dolutegravir é adotado desde 2013. Temos registro de vários pacientes que estão precisando dessa medicação no Brasil. Inclusive, esta semana, estamos acompanhando um. Ele está internado e faz nove meses que espera o medicamento. Estávamos aprrensivos com esse caso, mesmo depois de uma judicialização. Estou falando de um caso, mas são vários. Então, a chegada do dolutegravir é algo legal para o movimento sociual.”
- Carlos Duarte, do Fórum de Ongs/Aids do Rio Grande do Sul: “A incorporação de qualquer medicamento de primeira linha é fundamental porque reduz a probabilidade de efeitos colaterais. Quanto mais de ponta, melhor para todo o mundo, para a pessoa vivendo com HIV, para o serviço de saúde que vai ter menos intercorrência.”
- William Amaral, ativista, do Comitê Comunitário de Acompanhamento do Ipec da Fiocruz: “É o resultado de uma luta que já vem desde o ano passado devido a defasagem do nosso consenso. Precisamos de outros avanços para conseguirmos nos igualar ao consenso terapêutico do primeiro mundo. É necessária a entrada do TAF, nova formulação do tenofovir. E tem outros já em uso lá fora que ainda não são incorporados aqui. Lá, eles não usam mais AZT, efavirenz. É importante a entrada desse novo medicamento? É. Mas a gente não pode esmorecer. Temos de continuar cobrando do Ministério da Saúde e da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) que se posicione publicamente para a incorporação das novas drogas.
- José Araújo Lima, do Mopaids e do Epah (Espaço de Atenção Humanizada): “Não tem como não reconhecer a importância da chegada do dolutegravir, uma cobrança que as ONGs vêm fazendo há muito tempo. Mas há fatores que devem ser ressaltados: a entrada desse medicamento está longe de tornar o consenso brasileiro satisfatório em razão da sua grande desatualização. Quando a diretora do Departamento [Adele Benzaken] informa que a “entrega será a partir de janeiro de forma gradativa” impede que o controle social faça acompanhamento e cobrança na sua implementação. O Ministério diz que não haverá “impacto financeiro” um raciocínio equivocado quando deveria ser interpretado como um grande impacto na vida das pessoas vivendo com HIV/aids. O que move o governo é a economia e não vida.”
- Rodrigo Pinheiro, presidente do Foesp (Fórum de Ongs/Aids do Estado de São Paulo): “Esta ação do governo é resultado de uma reivindicação da sociedade civil, que vem cobrando há tempos melhores tratamentos. Recordo quando pautávamos o assunto, na gestão passada, e éramos acusados de irresponsáveis pela questão dos custos e o que vemos agora é que faltou vontade política. Nossa luta ainda continuará pelo melhor acesso ao tratamento que estiver disponível.”
- Pedro Villardi, coordenador de projetos da ABIA e coordenador do GTPI (Grupo de Trabalhos sobre Propriedade Intelectual): “Já tem quase dois anos que a ABIA e o GTPI vêm demandando o dolutegravir como opção para a primeira linha. É um remédio bem tolerado, tem menos efeitos colaterais. Incorporá-lo num contexto em que a gente começa a tratar pessoas assintomáticas é fundamental. Agora, um fator preocupante é sobre a sustentabilidade no tratamento, por causa do preço. Demandamos que o governo faça as ações necessárias para que a universalidade e a integralidade sejam garantidos.”
Os médicos/pesquisadores
Eles fazem parte da Câmara Técnica para Avaliação de Novos Medicamentos Antirretrovirais, composta por infectologistas dos mais respeitados centros de tratamento do estado de São Paulo. Estiveram à frente das pesquisas sobre o dolutegravir e sempre foram defensores de sua incorporação ao SUS. Veja o que dizem Ricardo Diaz, da Unifesp, e José Valdez Madruga, do CRT:
- Ricardo Diaz, pesquisador da Unifesp (Universidade Federal do Estado de São Paulo): “É um grande avanço, que aproxima a gente do mundo desenvolvido em relação ao tratamento inicial de HIV. Mas ainda não acaba com a defasagem quanto a essa classe que é a de inibidores de integrase. Temos o raltegravir, para resgate, mas o elvitegravir ainda está sendo registrado na Anvisa. Também não temos ainda o novo tenofovir, que é menos tóxico, com menos efeitos colaterais. Porém, o mais potente é o dolutegravir e estou feliz pela incorporação deste. Vai melhorar muito a qualidade de vida das pessoas, especialmente pela possibilidade de substituir o efavirenz droga que, a cada dia, fica mais provada sua relação com efeitos terríveis.”
- José Valdez Madruga, do CRT: “A chegada do dolutegravir à primeira linha de tratamento é um grande avanço. Este medicamento é potente e bem tolerável. A incorporação de inibidores da integrase na primeira linha também era um reivindicação da SBI, já tínhamos pedido ao Ministério da Saúde a atualização do protocolo. Lembrando que pesquisas comprovaram que essa é a melhor classe de medicamentos, com menos efeitos colaterais a curto e longo prazos. A droga também é primeira linha nos Estados Unidos, na União Europeia e indicada pelo Internacional AIDS Society. No entanto, gostaríamos que o raltegravir também estivesse em primeira linha de tratamento, assim, o médico poderia analisar caso a caso. Estudos comprovaram que o raltegravir causa menos interações medicamentosas e há dados de dez anos de uso. Não há dados, por exemplo, sobre segurança renal e óssea do dolutegravir. Por isso, é importante ter as duas opções. Não tenho nada contra o dolutegravir, considero muito importante este passo. Hoje, inclusive, já recebi ligações de pacientes querendo trocar o esquema, eles ouviram o pronunciamento do ministro. Mas é preciso calma, a droga estará disponível só em 2017 e no primeiro momento para os que estarão iniciando o tratamento.”
Com informações da Redação da Agência de Notícias da Aids do Artigo: Incorporação do dolutegravir: Ativistas e especialistas dão boas-vindas ao antirretroviral e querem outras novas drogas no SUS publicado, originalmente em 28 de Setembro de 2016 – 18h20
Eu, Cláudio Souza, gostaria de reforçar que há, ainda, outras drogas, melhores e com menos efeitos colaterais que DEVEM ser colocadas à disposição das pessoas vivendo com HIV/AIDS no Brasil e, reconheço, este foi um grande avanço. Há bem pouco tempo, uma pessoa que mora numa “cidade grande onde a saúde está, literalmente gritando por socorro, largada às baratas, uma pessoa que estava em PEP com o “Três em um” estava em iminente falha hepática e tudo o que eu pude fazer foi encaminhá-la a uma clínica particular onde o médico recomendou a imediata interrupção da PEP, sob pena de não ver o sol nascer novamente.
Ainda assim ela tornou a mim e perguntou o que fazer.
Cláudio Souza
Eu não tinha muito a dizer, e, baseado no que o médico disse, recomendei que ela seguisse as ordens do médico, uma vez que era preferível permanecer viva, com HIV ou AIDS, a vê-la morta. Cumpre informar que a PEP estava em seu quarto dia e ela estava completamente ictérica, e até mesmo os olhos estavam amarelados. Declaro isso aqui com a consciência tranquila; depois de passado o prazo da janela imunológica ela fez novo exame e o resultado apresentou-se como não reagente.
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