Em certos casos há uma melhor resposta ao tratamento nos doentes co-infectados com VIH

0
892
O subtipo-1b da hepatite C e o gene IL28B estão associados a melhor resposta ao tratamento nos doentes co-infectados com VIH
 
 
hcv-5  Em certos casos há uma melhor resposta ao tratamento nos doentes co-infectados com VIH lazy placeholder
 
Michael Carter
 
 
De acordo com uma investigação espanhola publicada na edição online do Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes, as respostas ao tratamento da hepatite C nos doentes co-infectados com o VIH são melhores no subtipo-1b do que subtipo-1a. A investigação também mostrou que a presença do gene IL28B influencia a resposta ao tratamento.

Os autores comentam: “Notamos que as respostas ao tratamento e as taxas de RVS [resposta virológica sustentada] eram uniformemente piores nos doentes com VHC-1a quando comparados com doentes com VHC-1b”. “Uma outra descoberta importante do nosso estudo foi o facto de a cinética viral nos doentes com VHC-1 ser significativamente influenciada pelo IL28B.”

O VIH e a hepatite C partilham modos de transmissão e a doença hepática causada pela hepatite C é actualmente uma causa importante de morte nas pessoas co-infectadas.

A terapêutica padrão para a hepatite C consiste na associação interferão peguilado e ribavirina. Apenas uma minoria de doentes co-infectados com infeção crónica pela hepatite C tem uma resposta bem-sucedida a esta terapêutica. No entanto, sabe-se que há alguns fatores associados aos resultados do tratamento.

Um desses factores é o genótipo da hepatite C. Observam-se respostas mais fracas em doentes infetados com os genótipos 1 e 4 em comparação com os genótipos 2 e 3. Além disso, é possível que o subtipo viral também tenha um impacto sobre os resultados.

Adicionalmente, estudos conduzidos tanto em doentes monoinfetados pela hepatite C como em pessoas coinfetadas mostraram que o gene IL28B também influencia as respostas ao tratamento.

Foram aprovados recentemente dois inibidores da protease para o tratamento da mono-infeção pela hepatite C. Estes medicamentos actuam diretamente contra a hepatite C e estão a ser desenvolvidos outros agentes. No entanto, estes novos inibidores da protease são usados em combinação com a terapêutica padrão existente, portanto, continua a ser importante compreender a importância do subtipo viral e da genética para os resultados do tratamento.

Nesse sentido, os investigadores espanhóis projetaram um estudo retrospetivo que envolveu 331 doentes co-infectados tratados com interferão peguilado e ribavirina baseada no peso. Todos tinham uma contagem das células CD4 acima de 300/mm3, estavam a receber a primeira terapêutica para a hepatite C e nenhum tinha a doença hepática descompensada ou abusava de álcool.

Os doentes foram testados no início do estudo para determinar o seu genótipo da hepatite C e subtipo e, também, se verificou se tinham o gene IL28B.

As respostas ao tratamento foram avaliadas às semanas 4 e 12, no fim da terapêutica e 24 semanas mais tarde.

Houve uma ampla distribuição de genótipos/subtipos, com 29% dos doentes infectados com genótipo 1 subtipo a, 19% com genótipo 1 subtipo b, 37% com genótipo 3 e 15% com genótipo 4.

Os doentes infectados com genótipo 1 tinham a carga viral da hepatite C mais elevada em comparação com doentes infectados com outros genótipos (p=0,02). A carga viral também variava de acordo com o subtipo e era ligeiramente mais elevada para os doentes com infeção com subtipo-1a em comparação com o subtipo-1b. No entanto, proporções semelhantes de doentes com subtipo 1a e 1b tinham o gene IL28B (33% vs. 24%).

As respostas ao tratamento, em todos os momentos em que os doentes foram testados, variavam de acordo com o genótipo e subtipo.

Como se esperava, as taxas de respostas foram melhores nos doentes com genótipo 3 em comparação com os genótipos 1 e 4.

No entanto, as respostas também diferiam entre subtipo-1a e -1b. Os doentes com subtipo-1b tinham significativamente mais probabilidade do que os com o subtipo-1a de ter uma resposta à semana 12 (p=0,009), no fim do tratamento (p=0,005) e de conseguir uma resposta virológica sustentada (p=0,03).

A resposta terapêutica também variou de acordo com o estatuto para o gene IL28B.

Restringindo a análise aos doentes com a infeção com o genótipo 1, demonstrou-se que a resposta mais baixa foi observada nas pessoas com a infeção com o subtipo-1a que não tinham o gene IL28B e a melhor resposta nas pessoas infetadas pelo subtipo-1b que tinham este gene (p<0,05).

Após o controlo para potenciais fatores aleatórios, os investigadores confirmaram que o subtipo-1b e o facto de se ter o gene IL28B estavam associados a melhores respostas ao tratamento.  

Os investigadores comentam que “Este é o primeiro estudo que demonstra um papel importante tanto da variante IL28B e dos subtipos do VHC 1 para predizer as respostas virológicas ao tratamento com interferão peguilado/ribavirina nas pessoas com a co-infeção com VIH/VHC”. Explicam: “este efeito está em larga medida mediado pelo aumento na cinética viral durante as primeiras doze semanas da terapêutica.”

Os autores concluem: “O teste para o gene IL28B no início do tratamento pode ajudar nas decisões de tratamento na nova era da terapêutica de combinação tripla, incluindo os agentes que atuam diretamente.”

Referência

Rallon NI et al. Differences in virological response to peginterferon-alpha plus ribavirin in HIV-positive patients coinfected with HCVsubtyles 1a or 1b. J Acquir Immune Defic Syndr, online edition. DOI: 10.1097/QAI.0b013e31824f5506, 2012 (clique aqui para aceder gratuitamente ao abstract).

Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.