Identificada proteína que leva os anticorpos a neutralizarem o HIV
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Cientistas identificam proteína que leva os anticorpos a neutralizarem o HIV
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Publicação: 21/03/2014 15:03 Atualização:
A chave, detalhada em dois estudos divulgados na revista Science, está na comparação dos resultados alcançados na Tailândia com um ensaio clínico anterior, chamado VAX003, que falhou em mostrar qualquer eficácia, apesar dos níveis mais elevados do que o RV144 de outros tipos de anticorpos específicos para o HIV. A equipe da pesquisadora Nicole Yates, do Instituto de Duke de Vacinas Humanas, descobriu que, entre o mix de respostas de anticorpos, apenas um se destacou. Os indivíduos que receberam a vacina tailandesa protetora eram mais propensos a ter os anticorpos IgG3 específicos para o HIV em comparação aos indivíduos dos testes da vacina que falhou completamente. O IgG3 é uma imunoglobina conhecida por proteger contra a malária e outras doenças infecciosas. ![]()
O IgG3, por exemplo, facilita a fagocitose e a livre destruição por complemento — dois processos sabidamente importantes para a destruição do HIV. Na fagocitose, a célula “engole” outro micro-organismo ou uma célula menor. Quando o IgG3 potencializa esse processo, faz com que as estruturas infectadas sejam engolidas e, portanto, neutralizadas. A importância de todo esse processo do sistema de defesa não é uma novidade na medicina. O fator que chama a atenção é como ele parece ser imprescindível para a proteção contra o HIV. “Até agora, ninguém sabia por que a vacina RV144 foi melhor que a VAX003. Existem diversas possibilidades e eles foram testando hipóteses.”
Para Cunha Neto, um dos líderes do estudo que desenvolve a vacina brasileira contra o HIV, ambos os estudos publicados hoje fazem pergunta científica semelhante e dosam a mesma substância no soro de pessoas que foram vacinadas com os dois imunizantes. A diferença entre os trabalhos está em pequenas variações na forma como avaliam a função do IgG3 e como ele está relacionado com uma resposta mais protetora — a partir de testes in vitro.
Segundo o infectologista Esper Kallas, depois da divulgação dos resultados do RV144 e do VAX003, vários pesquisadores fizeram buscas nos chamados “marcadores de proteção”, identificando alguns deles. Acredita-se que os anticorpos induzidos parecem ter sido capazes de conferir alguma proteção, uma vez que ambos os estudos apontam que anticorpos dirigidos contra uma parte do envelope do vírus estão associados com proteção. “Agora, fica a pergunta de quais são as repercussões de tais achados. Será que podemos aprimorar uma vacina que, mais especificamente, induza resposta contra essa porção específica do vírus? Se conseguirmos, tal vacina será eficaz?” Kallas acrescenta que os trabalhos são resultado do esforço para entender o porquê do sucesso marginal da vacina que foi testada na Tailândia. “Será importante acompanhar a evolução desses achados, especialmente nos futuros estudos que devem começar em breve.”
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