Na África, dependentes químicos se injetam com sangue de outros viciados em heroína
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| GLOBO.COM | AIDS 12/07/2010 RIO – Usuários desesperados por heroína em algumas cidades africanas começaram uma prática que de tão perigosa chega a ser impensável: eles se injetam com o sangue de outros dependentes químicos, num esforço para compartilhar o efeito da droga ou evitar a abstinência, afirmam pesquisadores. De acordo com o jornal “New York Times”, a ação, chamada de sangue da carne (flashblood) ou muitas vezes descarga de sangue (flushblood), não é comum, mas foi detectada em Dar es Salaam, na Tanzânia, ou na ilha de Zanzibar, além de Mombaça, no Quênia. A injeção põe os usuários no mais alto risco para contrair o vírus HIV e a hepatite. Enquanto a maioria das transmissões do HIV na África é decorrente da relação entre heterossexuais, o uso da heroína está crescendo em algumas cidades, e especialistas alertam que a prática – além do compartilhamento de seringas – pode levar a uma nova onda de infecções pelo HIV. ” Se injetar com sangue fresco é uma prática louca ” ——————————————————————————– “Se injetar com sangue fresco é uma prática louca – é a forma mais eficaz de se infectar com o HIV“, disse Nora D. Volkow, diretora do Instituto Nacional para o Abuso de Drogas, que apoia os pesquisadores que descobriram a prática. “Apesar de o número de praticantes ser pequeno, eles são transmissores do HIV porque sustentam (o vício) com a prostituição”. Sheryl A. McCurdy, um professor de Saúde Pública da Universidade do Texas em Houston, descreveu a prática há cinco anos num pequeno artigo do “British Medical Journal” e recentemente publicou um estudo sobre o assunto na revista “Addiction”. – Eu não sei ao certo o quão difundida está (a prática) – disse a médica, que está em contato com outros pesquisadores que trabalham com dependentes. – Há um grande movimento na África Oriental, então não me surpreenderia se já tiver chegado a outras cidades. Sheryl afirma que a maioria dos dependentes químicos que se droga com sangue na Tanzânia é mulher. Para elas, compartilhar sangue é mais uma gentileza do que uma tentativa de se drogar: uma mulher que ganhou dinheiro suficiente para comprar a droga compartilha seu sangue para ajudar as amigas a não entrarem em abstinência. As amigas são normalmente ex-prostitutas mais velhas ou doentes demais para conseguir clientes. Em Zanzibar, no entanto, a prática é usada entre os homens, de acordo com um estudo de 2006, que afirma que 9% dos 200% dependentes químicos entrevistados injetavam sangue. |
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