Estudo: anéis vaginais anti-HIV podem prevenir transmissão de vírus HIV

Cientistas da organização Population Council descobriram que um anel vaginal que libera uma droga anti-HIV pode prevenir a transmissão de SHIV – um vírus que combina genes de HIV e SIV, versão dos macacos para o HIV – em macacos. O estudo forneceu os primeiros dados de eficácia na disseminação de um microbicida a partir de um anel vaginal, indicando um grande potencial para o sucesso dele em mulheres. Microbicidas são compostos que podem ser aplicados dentro da vagina ou reto para proteger contra doenças sexualmente transmissíveis (DST), incluindo o HIV.

“Esse estudo de prova de conceito confirma que o investimento em anéis vaginais como um sistema de prevenção ao HIV está valendo a pena”, disse Naomi Rutenberg, vice-presidente e diretora do Programa de HIV e Aids da Population Council. “Nossas descobertas mostram que os anéis podem entregar uma droga anti-HIV para prevenir a infecção”, acrescenta.

Na pesquisa, os cientistas examinaram se os anéis vaginais contendo MIV-150 – inibidores não-nucleosídeos da transcritase reversa, uma classe de antirretrovirais – podem evitar a transmissão de vírus de imunodeficiência. Os macacos receberam ou anéis vaginais com MIV-150 ou com placebo, e então foram expostos a uma dose do SHIV.

Os animais receberam anéis vaginais contendo MIV-150 feitos de etileno acetato de vinila (EVA) ou duas semanas ou 24 horas antes da exposição ao SHIV. Os anéis foram removidos ou imediatamente antes ou duas semanas após a exposição. O momento da inserção do anel em relação à exposição ao vírus variou com o objetivo de testar qual forneceria uma maior proteção: a presença contínua da droga no tecido ao longo do tempo, ou uma taxa elevada de liberação do fármaco.

“Nós ficamos surpresos que os anéis tivessem que permanecer no local após a exposição para serem eficazes”, afirmou Tom Zydowsky, cientista chefe e co-autor sênior da pesquisa. “Em estudos anteriores com um gel contendo MIV-150 e outra droga, nós verificamos que o gel fornecia proteção quando aplicado 24 horas antes da exposição, mas era menos eficaz quando aplicado apenas depois. Nós pensamos que o anel utilizado nesse estudo poderia precisar estar presente apenas antes. Descobrimos que é essencial que o anel permaneça após a exposição ao vírus.”

O sistema do anel vaginal pode abordar um obstáculo que tem sido um empecilho a alguns candidatos a microbicidas em forma de gel: assegurar que os usuários utilizem a dosagem recomendada, na periodicidade certa. Com o anel, as mulheres não precisariam lembrar de usar o produto diariamente ou a cada relação sexual. Em última análise, a Population Council está trabalhando em um anel que as mulheres possam inserir e deixar no local por até três meses.

Em pesquisas anteriores, cientistas da organização descobriram que adicionar acetato de zinco, um agente antiviral, a um gel com MIV-150 aumentava a proteção a doenças sexualmente transmissíveis. Os resultados sugerem que quando usados em combinação com acetato de zinco, a dose de MIV-150 pode ser reduzida e, ainda assim, proporcionar uma produção eficaz. Colocar componentes adicionais aos anéis vaginais pode, eventualmente, proporcionar uma prevenção eficaz ao HIV e outras doenças, além de evitar a gravidez não planejada. A organização já está testando esse tipo de anel.


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