Boletim Internacional sobre prevenção e assistência à AIDS
Ação anti AIDS
Encarte Brasil
N 42 out – dez 1998
Publicado por Healthlink Worldwide (ex-AHRTAG) e ABIA
Exercitando a comunicação.
Brincadeiras podem incentivar crianças atingidas pelo HIV a falar sobre mudanças em suas vidas
Muitas crianças e adolescentes vivem com HIV em Londres. Alguns pais soropositivos já morreram, outros estão doentes e alguns ainda estão bem. Parte das crianças mais velhas sabem que seus pais têm o HIV, mas a maioria desconhece a situação. Essas crianças precisam de oportunidades para entender parte das mudanças que estão afetando suas vidas.
As crianças que perderam um ou ambos os pais, ou os pais estão doentes, são convidadas para seis períodos de meio dia com histórias e brincadeiras. As sessões são conduzidas por um orientador familiar e alguém que conheça a técnica de psicodrama. Voluntários treinados vêm de organizações locais de trabalho em AIDS para participar da atividade.
O papel dos adultos é ajudar as crianças a iniciar uma reflexão sobre seus sentimentos, encontrando uma forma que as ajude a se expressarem. Isto permite que cada criança trabalhe no nível certo para sua idade.As crianças criam as histórias, trazendo imagens e temas de seu próprio contexto cultural e espiritual. Sabem que partilham uma experiência semelhante de perda, mas a maioria não sabe que a causa é o HIV.
Se, e de que forma, o HIV é discutido, depende da idade e da compreensão da criança, e dos desejos de sua família e da comunidade.
A sessão começa geralmente com a criação de uma história usando um animal de brinquedo. Sentamos em círculo, passamos o brinquedo de uma criança para outra, falando sobre ele. Então inventamos uma história. Cada um no círculo conta uma parte e então corremos o círculo tantas vezes quantas necessárias para termina-la.
Quem não estiver com vontade de falar pode dizer “passo”. Se for o caso, os adultos podem usar sua vez para introduzir idéias de família, apoio, separação, perda e mudança.
A história no box foi desenvolvida por um grupo de crianças entre 5 e 8 anos de idade. Depois de criarmos a história juntos, as crianças representam a família imaginária de várias maneiras. Há um exemplo descrito abaixo, mas há muitas outras formas de adultos contarem histórias com crianças, dependendo de tradições locais.
As crianças constroem a casa do bebê leopardo com cadeiras, galhos de árvore ou pedaços de papelão. Os adultos, então, fazem perguntas que ajudam as crianças a desenvolver a história:
Onde o bebê leopardo dorme?
Quem mais faz parte de sua família?
O que ele gosta de comer?
Com quem ele brinca?
As crianças entremeiam suas próprias experiências na história, por exemplo, o bebê leopardo molhando a cama, sentindo-se só e sendo confortado por um animal mais velho.
Como essas experiências acontecem com o bebê leopardo, e não com a criança, é mais fácil para ela falar sobre problemas como molhar a cama. A história ajuda as crianças a falar sobre mudança e o futuro.
Ao fim dessas sessões, deixamos algum tempo para que as crianças falem livremente sobre o que estavam fazendo e relacionar isso com suas próprias vidas. As crianças dizem que as sessões as ajudaram a sentir-se mais confiantes. Elas fazem novos amigos e se apóiam mutuamente. As famílias informam que suas crianças parecem mais tranqüilas.
Liz Day, coordenadora de HIV, Bexley Council, Howbury Centre, Slade Green Road, Kent DA8 2HX, Reino Unido, e Roya Dooman, Terapeuta em Psicodrama, 8 Flarraden Road, Londres SE3 8BZ, Reino Unido.
MAMÃE LEOPARDO E SEU BEBÊ
Mamãe leopardo e seu bebê viviam no campo. Ela caçava comida para seu bebê e cantava para que ele se sentisse seguro à noite. Um dia mamãe leopardo ficou doente. Ela estava triste e preocupada sobre quem iria cuidar do seu bebê se ela não melhorasse. O bebê leopardo brincava com seus amigos ao sol, mas, às vezes, ficava preocupado com sua mãe. Mamãe leopardo ficou tão doente que não podia mais cantar e, depois de algum tempo, ela morreu.Titia levou o bebê leopardo para morar com ela e seus filhos. Eles se divertiam muito juntos, mas, às vezes, o bebê leopardo ficava triste. Quando estava triste, o bebê leopardo cantava a canção que sua mamãe costumava cantar e então se sentia melhor.
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