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O Globo |
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O País |
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16/JANEIRO/08 |
Chegam a cinco as vítimas fatais da doença; número de casos e óbitos em 2008 se iguala a todo o ano de 2007
GOIÂNIA, BRASÍLIA E SALVADOR.
Mais três mortes por febre amarela foram confirmadas ontem pelo Ministério da Saúde, sendo duas em Goiás e uma no Paraná. Até agora já são seis casos confirmados da doença, sendo que cinco pessoas morreram. O número de casos e de óbitos registrados nessas primeiras semanas de janeiro já se iguala a todo ano de 2007. Nos últimos cinco anos, esses números são inferiores apenas aos casos registrados em 2003, quando foram 64 ocorrências, com 23 mortes. O Ministério contabiliza 27 notificações de febre amarela: 6 casos confirmados (com cinco mortes), seis descartados por exames laboratoriais e 15 ainda sob investigação.
Segundo a Secretaria de Saúde de Goiás (SES), laudo do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) deu positivo para febre amarela na sorologia do espanhol Salvador Perez de la Cal, de 41 anos, e da aposentada de Mogi das Cruzes, Maria Geraldina Siqueira da Silva, de 63 anos. Ele morreu sábado em Goiânia, e ela, no último dia 9 em Ceres (GO). Anteontem, o Lacen confirmara a morte de Cássio Silva Dorneles, de 24 anos, no último dia 2, em Goianésia, também em Goiás.
As vísceras do espanhol e de Maria Geraldina foram encaminhadas para o Laboratório de Referência Nacional, conforme determina o Ministério da Saúde.
Segundo a SES, outros sete casos estão sob investigação em Goiás. Entre eles, o do trabalhador rural João Batista Gonçalves, que morreu no dia 5 em Goiânia. O primeiro laudo do Lacen deu negativo para febre amarela, mas a secretaria aguarda a contraprova.
Segundo a secretária interina de Saúde, Maria Lúcia Carnelosso, os cinco casos confirmados da doença no estado até agora são da forma silvestre, contraídos em áreas de mata e regiões consideradas de risco.
- Está descartada a febre amarela urbana – afirmou.
A estatística da SES inclui o caso do empresário Graco de Carvalho Abubakir, de 38 anos, que teria se infectado em cachoeiras em Pirenópolis (GO) e morreu em Brasília. Também contabiliza a morte do empresário paranaense Almir Rodrigues da Cunha, que passou 20 dias fazendo ecoturismo em Caldas Novas. O sexto caso confirmado é o de uma mulher de 42 anos, que está internada no Hospital São Luiz, em São Paulo, com boa recuperação.
Ela teria contraído a doença em Mato Grosso do Sul.
Apesar de descartar risco de febre amarela urbana em Goiânia, profissionais do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) admitem que encontraram mosquito Aedes aegypti – transmissor da dengue e da febre amarela na zona urbana – na casa onde Salvador Perez de la Cal ficou cerca de dez dias com sintomas da doença. O diretor do CCZ, Geraldo Edson Rosa, disse que o local foi borrifado para impedir que haja conexão entre o paciente infectado por febre amarela silvestre e o vetor que pode reurbanizar a doença.
Morte suspeita na Bahia
O espanhol teria se infectado em sua fazenda no município de Cristianópolis, a 103 quilômetros de Goiânia, onde ficou 15 dias. Perez morreu após dois dias internado no Hospital de Doenças Tropicais em Goiânia. O corpo será levado para a Espanha. Ele nunca tinha sido vacinado contra febre amarela e passava férias no Brasil com a mulher, a goiana Marny Selma de Mendonça, de 31 anos, e dois filhos.
A aposentada Maria Geraldina passou uma temporada na cidade de Rubiataba (GO), onde teria visitado matas da região.
Ela foi internada no último dia 8 com sintomas da doença e morreu na quarta-feira em um hospital particular de Ceres (GO) e foi enterrada em Mogi das Cruzes (SP).
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que outros dois casos de morte na região estão sendo investigados.
Um deles morreu na última segundafeira, no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) e outro está internado em estado grave no hospital Anchieta, na cidadesatélite de Taguatinga. Segundo a secretaria, de 29 de dezembro até 14 de janeiro, foram vacinadas 1.022.837 pessoas contra a febre amarela no Distrito Federal.
A estimativa da secretaria é de que apenas 240 mil pessoas não estejam imunizadas.
Na Bahia, o motorista Cláudio Luiz Lima de Oliveira, de 35 anos, pode ser a primeira vítima da febre amarela no estado desde 2000. Oliveira chegou ao Hospital Emec, em Feira de Santana (a 109 km de Salvador), com febre alta, dores na cabeça e no corpo, falta de ar e diarréia – sintomas comuns à febre amarela, dengue, leptospirose e hepatite fulminante – e seu quadro clínico piorou rapidamente. A expectativa é de que a causa da morte seja confirmada em 20 dias. Oliveira teria viajado para Governador Valadares (MG), município incluído na área de risco. Ele foi vacinado contra febre amarela em 2003. A vacina dá imunidade por dez anos, o que reduz as suspeitas.
No Rio, espera ainda é longa
Cerca de 50 mil doses foram distribuídas nos últimos dias
Ediane Merola
Quem optou por tomar a vacina contra a febre amarela no posto Oswaldo Cruz, no Centro do Rio, teve que esperar até cinco horas na fila ontem. Pelo menos 380 senhas foram distribuídas até as 7h30m e, segundo quem aguardava o atendimento, a lentidão do serviço contribuiu para a demora. De acordo com funcionários do posto, que preferem não se identificar, não há pessoal para atender a demanda. Eles reclamam que a Secretaria Municipal de Saúde não aumentou o número de profissionais. Os funcionários dizem que há falhas na distribuição das doses da vacina.
Segundo a secretaria, nos últimos dias foram distribuídas 50 mil doses nas 24 unidades de saúde do município. A secretaria recebeu novo lote, com mais 30 mil doses. Ontem, por volta do meio-dia, algumas pessoas reclamavam que não havia mais vacina na Gávea, no Catete e na Tijuca. As estudantes Roberta Maciel Souza e Fabiana Belém estiveram pela manhã no Centro Municipal de Saúde Heitor Beltrão, na Tijuca, mas foram orientadas a procurar o posto Oswaldo Cruz. Elas vão dia 31 para Minas.
- Faltando cinco pessoas para sermos atendidas, disseram que a vacina tinha acabado.
Um funcionário disse que no Centro tinha – contou Roberta, que foi vacinada.
A superintendente de Vigilância em Saúde da prefeitura, Meri Baran, disse que a demanda fora da realidade diária causa distúrbio: – É necessário ter um atendimento racionalizado.
Estamos estudando estratégias que possam melhorar estas questões.
Exportação de vacina é suspensa pela Fiocruz
Instituição teme o desabastecimento de doses contra a febre amarela no mercado interno
BRASÍLIA. Com receio do risco de desabastecimento da vacina contra a febre amarela no país neste momento, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) suspendeu a exportação das doses do produto. O diretor do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Biomanguinhos) da Fiocruz, Akira Hooma, afirmou que a medida é para atender melhor as necessidades internas.
- Os organismos com quem o instituto têm compromissos de fornecer esta vacina foram informados e, de forma geral, houve entendimento e compreensão da situação que esperamos que brevemente
se
ja normalizada – disse Akira Homma, em entrevista ao próprio site da Fiocruz.
A fundação comunicou à Organização Mundial de Saúde (OMS) a suspensão temporária da exportação. O gerente da Área de Vigilância em Saúde e Atenção às Enfermidades da Organização Panamericana de Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, confirmou o comunicado do governo brasileiro. Segundo Barbosa, o Brasil vai deixar de exportar esse ano cerca de sete milhões de doses da vacina destinadas a vários países das Américas.
- É plenamente compreensível que a prioridade do Brasil neste momento seja com seu abastecimento interno – disse Jarbas Barbosa.
O diretor da Opas afirmou que, por conta da decisão do Brasil, a OMS entrou em contato com um laboratório francês, que tem unidades de fabricação na França e no Senegal, para negociar produção de mais vacinas e suprir as doses que eram fornecidas pela Fiocruz.
Fiocruz dobrou produção anual de vacinas Akiro Homma disse, na entrevista à Fiocruz, que a fundação dobrou a produção de vacinas, passando de 15 milhões para 30 milhões anuais. O diretor afirmou ainda que, com a atual crise epidemiológica, a demanda mensal vai saltar de 1,3 milhão de doses para quatro milhões.
- Não vai faltar vacina- assegura Akiro Homma.
O custo de cada unidade é de R$ 0,87. Segundo o diretor da Fiocruz, o instituto tem capacidade de aumentar a produção sem a necessidade de qualquer recurso adicional do orçamento.
Homma contou que o dinheiro do custo da produção é transferido do Ministério da Saúde conforme as vacinas são entregues.
Para atender à atual demanda, houve necessidade de dobrar os turnos de trabalho dos servidores da Fiocruz, que trabalham em atividades como controle de qualidade, rotulagem e empacotamento.AIDS
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