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Maior risco de problemas neurocognitivos em doentes com registo de contagens de células CD4 baixas

Derek Thaczuk, Friday, March 12, 2010

 

Um grande estudo nos E.U.A., que envolveu pessoas infectadas pelo VIH, revelou que os problemas neurocognitivos, tais como, perda de memória, baixa concentração e reacções lentificadas, são mais comuns em pessoas que apresentaram contagens de células CD4 muito baixas antes do início do tratamento.

O estudo, apresentado na Décima Sétima Conferencia sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas (CROI) em São Francisco, demonstrou que, na maioria dos doentes, o défice neurocognitivo detectado nos testes, não era facilmente aceite nem pelo doente, nem pelo médico.

O estudo CNS HIV Antiretroviral Therapy Effects Research (CHARTER) é um estudo prospectivo e observacional que envolveu um total de 1526 indivíduos infectados pelo VIH em seis centros dos E.U.A.

Setenta e sete por cento dos participantes eram homens com uma média de idade de 43 anos, uma média actual de contagem de células CD4 de 420/mm3, sendo a média da contagem mais baixa de sempre (nadir) de 172 cél./mm3. A terapêutica anti-retroviral (TAR) estava a ser tomada por 71% dos participantes e 59% tinha carga viral indetectável.

Os participantes do estudo foram avaliados cabalmente no que diz respeito ao défice neuropsicológico (NP). A demência associada ao VIH (DAH) foi diagnosticada e classificada de acordo com os critérios estabelecidos (Frascati). Também foi recolhida informação sobre outras infecções oportunistas ou outras patologias que pudessem contribuir para os transtornos neurológicos. Os participantes eram classificados “com défice NP” ou “sem défice NP”. As taxas de défice neurocognitivo foram altas, tendo esta situação sido diagnosticada em 52,4 dos doentes.

Entre os 799 com défice NP, quase um quarto (24,5%) tinha outras condições major associadas. Dos que não as tinham, a maioria (71,0%) sofria de défice assintomático, 24,5% tinha transtornos neurocognitivos menores e somente 4,5% tinha demência associada ao VIH.

As contagens de nadir de células CD4 mais altas foram o único factor associado com as baixas taxas de transtornos neurocognitivos, não tendo havido essa associação com a contagem de CD4s actual. O défice foi significativamente menor nos que tinham um nadir de CD4 ≥350 cél./mm3 em comparação com os que tinham um nadir <350 cél./mm3 (razão de ocorrência [RO] 0,62, 95%; intervalo de confiança [IC], 0,45–0,84). (Verificou-se uma tendência estável para a ocorrência de menos défice nas escalas de contagens de células CD4 intermédias, mas as diferenças não atingiram significado estatístico.)

A associação permaneceu significativa mesmo depois do ajuste para o valor de carga viral, idade, sexo, etnia e duração da infecção pelo VIH, sendo ainda mais forte em doentes sob o efeito de TAR com carga viral <50 cópias/ml.

Como o estudo foi baseado em dados retrospectivos, os investigadores afirmaram que seria necessário um ensaio clínico controlado para confirmar estes resultados. Todavia, estes estudo sugere que ao não se permitir o declínio da contagem de células CD4 para níveis inferiores às 350/mm3 pode-se proteger contra o desenvolvimento de demência associada ao VIH no futuro.

Referência
Ellis R Higher CD4 nadir is associated with reduced rates of HIV-associated neurocognitive disorders in the CHARTER study: potential implications for early treatment initiation. 17th Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections, San Francisco, abstract 429, 2010.

Mais informação
Pode consultar o resumo no site oficial da conferência

Pode também consultar a emissão online e os slides desta sessão no site oficial da conferencia.

Tradução
GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA

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