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Chefe e integrantes de máfia que escravizava mulheres são presos na Espanha. Ele teria encomendado a morte de moradora do DF

  <p align="center">#    Guilherme Goulart<br />
  </p>
  <p align="justify">O    homem acusado de encomendar a morte de uma ex-garota de programa no Distrito    Federal acabou preso em megaoperação realizada ontem em três cidades da    Espanha. A Polícia Federal espanhola surpreendeu Miguel Arufe Martinez, o    Antonio, em um dos prostíbulos da quadrilha, no centro de Tarragona, a cerca    de 90km de Barcelona. Quase 30 pessoas, a maioria do Leste Europeu, foram    presas com o espanhol por suspeita de assassinato, exploração sexual,    prostituição internacional e trabalho escravo.</p>
  <p align="justify"><br />
  A    investigação contra o grupo comandado por Antonio teve início pouco antes do    assassinato de Letícia Peres Mourão, 31 anos, em março do ano passado. A    goiana, que morava com o filho no Guará desde dezembro de 2008, desafiou a    máfia local ao contar detalhes do horror vivido como garota de programa em    Tarragona. Entre o fim de 2005 e o início de 2006, ela prestou depoimentos à    polícia e à Justiça espanholas e detalhou as condições de trabalho impostas    pela organização. Descreveu a condição de escrava sexual e os maus-tratos    enquanto viveu no prostíbulo da Calle Gasometro, 38-2.</p>
  <p align="justify"><br />
  Na    manhã de ontem, dezenas de agentes do Grupo de Operações Especiais da Polícia    Federal desmantelaram a quadrilha. Houve 23 prisões em flagrante: 10 em    Tarragona, 10 em Barcelona e três em Vilanova i la Geltrú. À exceção do líder    do grupo, os demais detidos têm origem lituana. Além das prisões, os policiais    apreenderam na casa de Antonio várias caixas com documentos de contabilidade.    </p>
  <p align="justify">A previsão era de que os acusados prestassem depoimentos à polícia ontem e,    em seguida, ficassem à disposição do Juizado de Instrução nº 5 de Tarragona,    o mesmo onde Letícia denunciou a máfia.<br />
  </p>
  <p align="justify">A    operação da Polícia Federal espanhola também libertou pelo menos 30 mulheres    mantidas sob o poder da organização criminosa. A maioria saiu da Lituânia,    mas há informações de que brasileiras estavam confinadas nas casas de    prostituição gerenciadas pela quadrilha de Antonio. A maioria delas entrou    clandestinamente na Espanha. </p>
  <p align="justify">Chamaram a atenção dos agentes especiais as    condições das garotas. <b>Muitas carregavam nos corpos marcas de espancamentos e    do regime de escravidão sexual imposto pela rotina nos prostíbulos das três    cidades espanholas.</b></p>
  <p align="justify"><br />
  O    cotidiano dentro desses lugares ficou evidente a partir das informações dadas    por Letícia em solo espanhol.</p>
  <p align="justify">O Correio teve acesso, em julho de 2009, ao    depoimento dela. O documento revela que a vítima não suportou a situação,    mesmo depois de aceitar passar 21 dias na casa de prostituição da Calle    Gasometro. Não aguentou 10 dias dentro do local, usado como fachada para a    ONG Andando Sin Fronteras. </p>
  <p align="justify">"Soube que poderia descansar de quatro a    cinco horas, que logo isso não ocorreu, trabalhando praticamente as 24    horas", denunciou.<br />
  </p>
  <p align="justify">Assistência<br />
  </p>
  <p align="justify">A    prisão da quadrilha chefiada por Antonio repercutiu na imprensa espanhola.    Jornais e redes de televisão de Tarragona acompanharam a operação e    publicaram em sites as imagens das detenções. </p>
  <p align="justify">O El País.com descreveu o líder    do grupo como "cérebro da trama". </p>
  <p align="justify">"A Polícia Nacional    desmantelou esta manhã em Tarragona uma ativa rede de exploração sexual que    operava pelo menos meia dezena de prostíbulos da província. O caso está sob    segredo de Justiça e a investigação segue em aberto, pois não se descartam    mais detenções", publicou o site do El País.</p>
  <p align="justify"><br />
  Assim    como vários meios de comunicação nacionais, a TVE espanhola citou o    envolvimento de Antonio com o assassinato de Letícia.</p>
  <p align="justify"> "<b>Letícia Peres    Mourão</b>, que foi assassinada na cidade brasileira de Guará, havia trabalhado    em um dos edifícios da Rua Gasômetro de Tarragona", escreveu uma das    reportagens da página eletrônica da rede de televisão. O El Periodico.com    lembrou que Antonio é acusado de contratar um matador para assassinar a    goiana. "A acusação contra Arufe se baseia em testemunho do    matador", informou o site.</p>
  <p align="justify"><br />
  Para    o chefe da Assessoria de Assuntos Internacionais do Estado de Goiás(1), Elie    Chidiac, o ataque à quadrilha de Antonio terá influência no Brasil.</p>
  <p align="justify"> Levantamento realizado pela entidade, por exemplo, revelou que 3 mil mulheres    nascidas em Goiás viveram da venda do corpo fora do país a partir de 2004. </p>
  <p align="justify">Só    em 2009, <b>15 morreram</b>, a maioria <b>envolvida com organizações especializadas em    tráfico de pessoa</b>s. </p>
  <p align="justify">"Esse tipo de operação minimiza o tráfico de seres    humanos, que tem como caminho certo o fim trágico. Atingiu a rota do    tráfico", avaliou.</p>
  <p align="justify"><br />
  Chidiac    espera que as brasileiras libertadas pela Polícia Federal espanhola tenham    acesso a embaixadas e a consulados do Brasil. </p>
  <p align="justify">"Se tiver goianas entre    elas, espero que sejam comunicadas de que nós temos a possibilidade de    oferecer apoio logístico e, se for o caso, trazê-las de volta ao nosso    país", alertou. </p>
  <p align="justify">A assessoria especial tem a chance de incluí-las em    programas sociais do governo de Goiás. Emprego e assistência médica, para o    caso de doenças sexualmente transmissíveis, também são oferecidos para as    mulheres repatriadas.</p>
  <p align="justify"><br />
    1    - Combativo<br />
  </p>
  <p align="justify">O    órgão, criado em 2000 pelo governo goiano, presta assistência aos familiares    e às vítimas de prostituição no exterior. </p>
  <p align="justify">O combate passa por três pilares:    repressão, assistência e conscientização.</p>
  <p align="justify"> Trabalha em parceria com a Polícia    Federal e o Ministério Público de Goiás.<br />
  </p>
  <p align="justify">Esse    tipo de operação minimiza o tráfico de seres humanos, que tem como caminho    certo o fim trágico"<br />
  </p>
  <p align="justify">Elie    Chidiac,chefe da Assessoria de Assuntos Internacionais do Estado de Goiás<br />
  </p>
  <p align="justify">Memória<br />
  </p>
  <p align="justify">Série    de reportagens<br />
  </p>
  <p align="justify">Matérias    publicadas ao longo de 2009 revelaram detalhes do tráfico internacional de seres    humanos<br />
  </p>
  <p align="justify">O    Correio publica série sobre a prostituição internacional no Brasil desde    março de 2009, quando Brasília passou a fazer parte das rotas internacionais    de tráfico de seres humanos. As primeiras reportagens revelaram que, assim    como São Paulo e Rio de Janeiro, a capital do país virou porta de saída de    garotas convencidas a vender o corpo no exterior. A partir do Aeroporto    Internacional Juscelino Kubitschek, mulheres, a maioria goiana, seguem rumo à    Europa. Portugal, Espanha, Bélgica e Suíça aparecem como os principais    destinos.<br />
  </p>
  <p align="justify">A    primeira sequência de reportagens, publicada entre 22 e 24 de março, detalhou    o perfil dessas mulheres. A maioria tem menos de 30 anos. Algumas são    exploradas inclusive pela máfia russa. No fim de junho de 2009, o jornal também    revelou a participação de Anápolis (GO) no tráfico de seres humanos a partir    do Brasil. Em julho, o jornal mostrou que, em média, 20 brasileiras são    assassinadas no exterior em consequência da exploração sexual. Na época, nove    haviam sido mortas na Espanha, nos Estados Unidos e no Brasil.<br />
  </p>
  <p align="justify">O    jornal também fez várias reportagens sobre o assassinato da goiana Letícia    Peres Mourão, 31 anos. Ela perdeu a vida em março do ano passado no Guará. A    Polícia Civil do DF suspeita que a organização chefiada por Miguel Arufe    Martinez, o Antonio, esteja por trás do crime. Ao ter acesso a documentos    sigilosos, o Correio detalhou os depoimentos dados pela vítima à polícia e à    Justiça espanholas. Também revelou a influência mundial do grupo, com    ramificações no Leste Europeu, na América do Sul e no continente africano.<br />
  </p>
  <p align="justify">Principal    suspeito está preso<br />
  </p>
  <p align="justify">O    homem acusado de assassinar a tiro Letícia Peres Mourão está preso em    Brasília por conta de investigação realizada pela 4ª Delegacia de Polícia, no    Guará. Os agentes levaram quatro meses para localizar o principal suspeito do    crime em uma favela de Guarapari (ES). Iniciaram as buscas por Lúcio Flávio    Barbosa, 20 anos, a partir de uma mensagem encontrada no celular da vítima.    Ao prendê-lo, três agentes e um delegado conseguiram a confissão. </p>
  <p align="justify">O atirador    deu detalhes da execução, ocorrida em um bar no Setor Habitacional Lucio    Costa. Disse ainda que recebeu R$ 4 mil de Clênio Otacílio da Silva.</p>
  <p align="justify"><br />
  Segundo    Lúcio Flávio, que será julgado pelo Tribunal do Júri de Brasília em data a    ser definida, o responsável pela contratação do serviço recebeu ordens de uma    organização espanhola para assassinar a goiana. O grupo seria o mesmo    chefiado por Antonio, pois tanto Clênio quanto Letícia trabalharam para ele    na Espanha como garotos de programa. A polícia brasiliense também desconfia    que Clênio agisse como uma espécie de elo da quadrilha espanhola no Brasil.    Atuaria, assim, como aliciador de mulheres interessadas em viver da    prostituição no exterior.</p>
  <p align="justify"><br />
    Foragido<br />
  </p>
  <p align="justify">Clênio    é foragido da Justiça brasileira desde a morte de Letícia, em março do ano    passado. Mas a operação realizada ontem pela Polícia Federal da Espanha deu    esperanças à polícia de que ele esteja entre os 23 presos. </p>
  <p align="justify">"Nós tínhamos    uma desconfiança de que o Clênio tinha voltado para a Espanha. É possível até    que estivesse usando um nome falso por lá. Por isso, vamos iniciar alguns    contatos para tentar descobrir isso. Se estiver entre eles, faremos a    movimentação para pedir a extradição dele ao Brasil", afirmou o    delegado-chefe em exercício da 4ª DP, Joás Rosa de Souza.</p>
  <p align="justify"><br />
Para    ele, porém, só a prisão de Antonio pode fazer com que a investigação feita    pela Polícia Civil do DF avance ainda mais. Uma das maiores expectativas fica    por conta do depoimento prestado pelo acusado à polícia e à Justiça espanholas.    Pode ser, por exemplo, que ele assuma a responsabilidade pelo assassinato da    goiana. "Estamos esperando o esclarecimento total desse caso. A gente    sempre desconfiou de que ele (Antonio) fosse o mandante (da morte de    Letícia). Mas ainda não tivemos como comprovar", explicou Souza.</p>

CORREIO BRAZILIENSE – DF | CIDADES
DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSIVEIS
16/03/2010

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