Melhora dos dados sobre Aids dificulta trabalho de prevenção, dizem entidades
01/12/09 – 07h05 – Atualizado em 01/12/09 – 14h07 Rapazes homossexuais e bissexuais são mais vulneráveis, diz governo.Ex-DJ com Aids há 15 anos alerta: ‘A vida vale mais...

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- Cláudio Santos de Souza, 45 anos, soropositivo há 15 anos, coordena um site de discussões sobre a doença. Ele alerta os jovens: ‘Se for transar, use camisinha. Porque a transa acaba, mas a vida continua’ (Foto: Daigo Oliva / G1)
- Cláudio Santos de Souza: ‘Eu conto para todo mundo que tenho Aids, mas pago o preço de a pessoa não falar mais comigo, me excluir’. (Foto: Daigo Oliva / G1)
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Rapazes homossexuais e bissexuais são mais vulneráveis, diz governo.
Ex-DJ com Aids há 15 anos alerta: ‘A vida vale mais que uma transa’.
Cláudio Santos de Souza, 45 anos, soropositivo há 15 anos, coordena um site de discussões sobre a doença. Ele alerta os jovens: ‘Se for transar, use camisinha. Porque a transa acaba, mas a vida continua’ (Foto: Daigo Oliva / G1)
Para os especialistas no assunto, o mais importante para combater a doença – nesta terça-feira (1º) é comemorado o Dia Mundial de Luta contra a Aids – é manter o trabalho de prevenção.
Duas pesquisas apresentadas nesta semana trouxeram dados positivos. Dados do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) mostraram que entre 2000 e 2008, o número de novas infecções caiu 17%. Segundo o órgão, as pessoas com Aids estão vivendo mais e cada vez menos gente adquire o vírus. Outro levantamento, o Boletim Epidemiológico Aids/DST 2009, do Ministério da Saúde, mostrou que o número de casos caiu nos grandes centros urbanos – embora tenha ocorrido um crescimento nas cidades pequenas. Para a coordenadora de projetos da Sociedade Viva Cazuza, Christina Moreira, os jovens são os mais vulneráveis a novas infecções, mas descuidam da prevenção. “Diariamente jovens iniciam sua vida sexual e muitos deles sem qualquer cuidado com prevenção de DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e Aids. Isso faz com que venham a ser mais vulneráveis para os novos casos de infecção. (…) Eles não viram o estrago que a Aids fez nos anos 80 e 90. Acham que a Aids é um problema resolvido, solucionado, e se forem contaminados, é só tomar um remedinho.”
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Eles não viram o estrago que a Aids fez nos anos 80 e 90. Acham que a Aids é um problema resolvido, solucionado, e se forem contaminados, é só tomar um remedinho.”
Christina Moreira, da Viva Cazuza, diz que a prevenção “já vem sendo colocada em segundo plano” pelas autoridades. “O Brasil fez uma opção de trabalhar na assistência ao portador do vírus da Aids. A medicação é gratuita para todos os pacientes e isso tem um custo monumental. A prevenção é sempre mais barata.”
O diretor adjunto do Departamento de DST Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Eduardo Barbosa, diz que a melhora dos dados é, na realidade, uma “estabilidade em patamares altos”. Para ele, não há negligência nos serviços de prevenção. “O menor número de óbitos, ao contrário do que se pensa, não acarreta na negligência. Os dados apontam para o reforço da prevenção nos locais onde houve redução dos casos.”
Vulneráveis
Barbosa diz que as mulheres jovens na faixa nos 13 aos 19 anos e jovens homossexuais e bissexuais são os mais vulneráveis. “A gente tem feito um trabalho grande de prevenção nas escolas, principalmente entre jovens do sexo masculino entre 13 e 24 anos, onde há uma tendência de aumento da epidemia. A maioria ainda vive sob uma máscara. Há um medo de revelar a sexualidade porque o contexto da escola ainda é homofóbico e isso prejudica os jovens.”-
O maior desafio é fazer com que pessoas que vivem com HIV, Aids, estejam livre de preconceito e discriminação.”
Caso da vida real
O ex-DJ Cláudio Santos de Souza, 45 anos, é soropositivo há 15 anos e diz que frequentemente recebe informações sobre a negligência dos jovens na prevenção. “Há festas no Brasil onde se faz sexo desprotegido com vários parceiros. (…) Eles se arriscam porque talvez não saibam a complicação que é o tratamento.”Souza coordena voluntariamente um site, o Soropositivo.org, no qual há espaço para discussão das questões relacionadas à doença e à sexualidade.
“Se o tratamento existe e houve um aumento da expectativa de vida, do outro lado tem todo processo de exclusão social, de sofrimento. (…) Eu conto para todo mundo que tenho Aids, mas pago o preço de a pessoa não falar mais comigo, me excluir.”
Por causa do HIV, tem propensão de inflamação nos vasos sanguíneos e teve uma embolia pulmonar. Diariamente, precisa de uma injeção na barriga para evitar a coagulação.
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Se for transar, use camisinha. Porque a transa acaba, mas a vida continua. Continua com ou sem Aids, só depende da pessoa.”
Questionado sobre qual conselho daria aos jovens que deixam de se prevenir, respondeu: “A vida vale mais que uma transa. Se for transar, use camisinha. Porque a transa acaba, mas a vida continua. Continua com ou sem Aids, só depende da pessoa. O risco que corre e não dá em nada, amanhã pode dar em Aids. Se eu pudesse, faria tudo diferente, porque hoje pago caro pelas consequências.”

Cláudio Santos de Souza: ‘Eu conto para todo mundo que tenho Aids, mas pago o preço de a pessoa não falar mais comigo, me excluir’. (Foto: Daigo Oliva / G1)
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