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Pacientes com aids sofrem mais com problemas sociais e psicológicos

 

01/12/2009

BRASÍLIA – Estudo divulgado pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira mostra que as pessoas em tratamento de aids no Brasil sofrem mais com problemas relacionados à interação social do que com a ação do vírus no organismo. Segundo a pesquisa, 75% dos entrevistados avaliam seu estado de saúde como bom ou ótimo. O índice é cerca de dez pontos percentuais maior que o da população geral. A comparação com portadores de outra doença crônica ou de longa duração surpreende ainda mais. Apenas 27% desses outros pacientes classificam sua própria saúde como boa ou ótima.

 

A boa percepção do próprio estado de saúde entre as pessoas com aids contrasta com problemas sociais e psicológicos enfrentados por elas. Nesse ponto, a situação de quem está em tratamento com o coquetel antiaids é pior do que a população geral. Entre as mulheres soropositivas, 33% afirmaram ter grau intenso ou muito intenso de tristeza ou depressão e 47% grau intenso ou muito intenso de preocupação e/ou ansiedade. Entre os homens, o índice é um pouco menor – 23% e 34%, respectivamente.

 

Os números fazem parte da pesquisa “Percepção da qualidade de vida e do desempenho do sistema de saúde entre pacientes em terapia antirretroviral no Brasil”. Na fase de análise, os dados também foram comparados aos da Pesquisa Mundial de Saúde, feita pela OMS em 2003. A pesquisa foi realizada, pela Fundação Oswaldo Cruz, em 2008, com 1260 pessoas em tratamento antirretroviral.

 

A Pesquisa Mundial de Saúde fez a mesma pergunta para a população geral e constatou que apenas 15% declararam sentir um grau intenso ou muito intenso de tristeza ou depressão. Preocupação e ansiedade na população geral também foram menores – 23% para o total (28% entre as mulheres e 17% entre os homens).

 

Esses resultados indicam que, apesar de mais da metade das pessoas autoavaliarem bem sua saúde, uma boa parte ainda não superou os traumas psicológicos causados pelo diagnóstico de HIV/aids.

 

– O sentimento de tristeza e depressão pode ser explicado pela falta de apoio social, pelo sentimento de discriminação, pelo sentimento de solidão, entre outros, que diferenciam as pessoas com aids da população geral – afirma a coordenadora da pesquisa, Célia Landmann.

 

 

 

 

 

O GLOBO 

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Dia / Mês/Ano:

SAÚDE

 

02/DEZEMBRO/09

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