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IGOR SAVENHAGO
Gazeta de Ribeirão
igor.savenhago@gazetaderibeirao.com.br
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde mostram uma realidade preocupante: o número de casos de AIDS vem aumentando, assustadoramente, entre as mulheres. E a situação não é diferente em Ribeirão Preto. Segundo o Programa DST/AIDS, ligado à Secretaria Municipal da Saúde, as portadoras da doença já representam mais de 30% do total de casos, índice considerável se for tomado como base o início da epidemia, na década de 80.
Em 1987, Ribeirão registrou 52 casos, 7 em mulheres (13,5%). Em 1994, o percentual da doença no sexo feminino chegou a 23%. Em 2001, saltou para 36,2%. Quatro anos mais tarde, ultrapassou os 38%. Neste ano, até o último dia 9 de novembro, mantém-se acima dos 30%. Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, há uma tendência de "feminilização" da AIDS.
Registros nacionais do Ministério da Saúde revelam que, atualmente, as contaminações já atingem mais as mulheres, adolescentes em sua maioria. As novas notificações de contaminação pelo vírus HIV apontam que, para cada homem infectado, existe 1,3 mulheres. A OMS também faz um alerta. Segundo a organização, o planeta tinha, em 1985, uma mulher contaminada para cada grupo de 32,7 homens. Em 2005, a proporção caiu para 1,6.
Para José William Duarte Silva, membro do GHIV (Grupo Humanitário de Incentivo à Vida), uma organização não-governamental de Ribeirão Preto que presta auxílio psicológico aos portadores da doença, o crescimento no número de mulheres infectadas não ocorre por desinformação. "Geralmente, elas sabem como evitar, mas ainda não tomam providências nesse sentido".
Ele demonstra preocupação tanto com as jovens, que, segundo ele, podem descuidar da prevenção após ingerirem bebidas alcoólicas, e com as mulheres casadas, maiores responsáveis pelo aumento no número de casos no universo feminino. "Por acreditarem no marido, elas acham que não precisam usar camisinha". O GHIV participa da elaboração de um plano do Governo Estadual, que será aplicado a partir de 2008, para enfrentar o avanço da AIDS nas mulheres.
Maria (nome fictício), de 57 anos, descobriu em 2001 que tinha a doença. O contágio foi em uma relação sexual desprotegida. Hoje, toma nove comprimidos por dia, inclusive contra a depressão. Diz que não consegue dormir sem remédios. Mas se esforça para levar uma vida normal, apesar do preconceito. "Meu pai e minha mãe não sabem que sou portadora da doença. Tenho medo de falar e ser rejeitada".
Enfrentar o preconceito também é uma das preocupações de Joana (nome fictício). Contaminada há sete anos pelo segundo marido, com quem não vive mais, conta que está com a carga viral controlada e, há três anos, não precisa recorrer ao coquetel de medicamentos. "Já tentei o suicídio, mas agora estou bem. Cada dia da minha vida é uma luta, mas não posso abaixar a cabeça. Gosto de me vestir bem e sair para me divertir", declara.
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