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Risco de epidemia no Interior do Ceará

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO

Diário do Nordeste – CE

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Dia / Mês/Ano:

Regional

 

11/JUNHO/07

 

Risco de epidemia no Interior

 

O aumento dos casos de Aids em Tabuleiro do Norte está preocupando médicos do Vale do Jaguaribe

 

 

Tabuleiro do Norte. Os médicos do Vale do Jaguaribe reclamam da “resistência cultural” ao uso da camisinha por parte da população. Um médico da rede municipal vê como muito preocupante o quadro de região endêmica. “Na quero despertar o pânico, mas já poderia falar numa situação de epidemia”, afirma o médico José Mendonça, que denuncia haver negligência e omissão de socorro por parte da Casa de Saúde Celestiano Colares, que, segundo o médico, recusou-se a operar pacientes com Doenças Sexualmente Transmissíveis, como Aids e HPV. A direção do hospital nega omissão de socorro, mas diz não ter obrigação nem estrutura para atender pacientes soropositivos. O Conselho Regional de Medicina afirma que, se não pode haver omissão de socorro nesses casos, também são avaliadas as condições do hospital para pacientes com DSTs.

 

Aids é como se chama a doença que indica a fase mais avançada da infecção pelo vírus HIV. O vírus está instalado em pessoas residentes em muitos municípios cearenses e não é de hoje. Segundo boletim epidemiológico DST/Aids da Secretária de Saúde do Estado, apenas 13 dos 184 municípios cearenses ainda não notificaram a doença, o que não significa que inexista nesses lugares portadores de HIV, já que muitos se dirigem a Fortaleza para notificação e tratamento. O município de Tabuleiro do Norte, com 25 mil habitantes, tem registrados 40 casos de Aids até o ano de 2006.

 

Se for levada em conta a estatística da Organização Mundial de Saúde (OMS) — para cada caso de Aids deve haver outros 100 soropositivos — o dado de Tabuleiro do Norte será preocupante, com boa parcela da população contaminada, conforme observa o médico ginecologista, obstetra e infectologista José Mendonça Gonçalves de Oliveira, membro da Associação Brasileira de Infectologia, remanescente do Instituto de Medicina Tropical do Amazonas, com pós-graduação em Terapia Social . “Vamos acabar com a hipocrisia e falar com as pessoas sobre Aids”, afirma o médico, lotado no posto de saúde do distrito de Olho-d’Água da Bica, em Tabuleiro do Norte.

 

Sem camisinha

 

Para Mendonça, a disseminação da Aids é influenciada por resistência cultural da população. “Muita gente aqui, como em muitos outros municípios pequenos, acha que a camisinha serve somente para evitar filhos. Quando uma mulher mostra ao homem o preservativo, é como se parecesse um insulto, estivesse chamando o outro de doente”.

 

O médico se disse assustado com o grau de descaso em relação à prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis: “Tive uma paciente com Aids. Perguntei a ela com quem se relacionou, pois, provavelmente, o parceiro também estaria contaminado. Ela disse que transou com quatro homens, todos casados, todas as vezes sem camisinha. Imagine que esses homens podem ser soropositivos, bem como suas próprias esposas, agora como é que fica?”, indagou o médico. Conforme o boletim epidemiológico DST/Aids da Secretaria de Saúde do Estado, a doença tem se expandido em indivíduos de menor escolaridade.

 

O médico José Mendonça acusa a entidade filantrópica Casa de Saúde e Maternidade Celestiano Colares, o principal hospital de Tabuleiro do Norte, de negligência e omissão de socorro a pacientes por ser portadora de Doença Sexualmente Transmissível. Num primeiro caso, a paciente estaria grávida e seria portadora de HPV; no segundo, HIV.

 

“Eu atendia no hospital naquele momento, quando chegou a paciente com HIV em trabalho de parto. Recebi determinação da enfermagem que não poderia operá-la, fazer a cesária. Fiz a guia de encaminhamento para o hospital de Limoeiro do Norte, mas a paciente teve a criança no meio do caminho. Sem a estrutura adequada para o parto, aumentaram as chances de a criança ter sido infectada”, explica Mendonça, acrescentando que “sou médico, eu estudo, fui treinado para tratar pessoas com DSTs, para saber fazer um parto de soropositivo sem me furar, por exemplo. O problema é que tem muito médico despreparado para o procedimento”.

 

O infectologista mostrou à reportagem uma carta a ser entregue ao Ministério Público, segundo ele para denunciar as irregularidades do hospital local. “Estou pronto para ser questionado, tenho provas”.

 

Há apenas quatro meses em Tabuleiro do Norte, José Mendonça se diz disposto a, sem remuneração alguma, orientar os médicos da região sobre como trabalhar em situações de risco com pacientes soropositivos. “Eu só preciso de uma sala, materiais para aula, só não posso é ficar parado diante de tudo, pois não foi para isso que me tornei médico”.

 

MELQUÍADES JÚNIOR

Colaborador

 

Mais informações:

Secretaria de Saúde do Estado,

Fortaleza (CE)

(85) 3101.5220

http://www.saude.ce.gov.br


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