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JORNAL DE BRASILIA – DF | CIDADES
AIDS | LGBT 24/06/2010 Após agressão de paciente no HRC, profissionais fazem paralisação de duas horas Da Redação Mais de 80 enfermeiros e agentes de Saúde do Hospital Regional da Ceilândia paralisaram o atendimento durante duas horas e meia para protestar por mais segurança e melhores condições de trabalho. O ato, que começou às 9h, deixou cerca de 400 pacientes esperando nas filas do pronto-socorro da Unidade. “Garantir a nossa segurança é garantir um serviço de qualidade para a população. Ninguém trabalha bem sob a ameaça constante de ser agredido”, disse o agente de saúde João Pedro Lima. Entre os manifestantes, duas enfermeiras que foram agredidas pela TRAVESTI Maíra, como é conhecido Osmair Miliano Pinto. Uma delas, a técnica de enfermagem Lúcia Maria de Souza, ainda muito abalada, afirmou que o Hospital sofre com a falta de segurança e médicos. “Nós, enfermeiros, estamos aqui. O cidadão fica revoltado porque não consegue atendimento, mas não é nossa culpa. Não tem médico. Nós não podemos fazer o trabalho do médico, infelizmente. Aí acontecem esses incidentes graves”, ressaltou ela, enquanto mostrava as marcas dos chutes e tapas que levou da TRAVESTI. O protesto foi feito com o objetivo de tornar pública a condição precária de trabalho da equipe do Hospital, esclareceu o secretário-geral do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde (Sind-Saúde), Elias Lopes. “Todos nós vemos o governo afirmando que in-veste em saúde, que saúde é prioridade. Mas, cadê? Não tem nada nesse Hospital, falta tudo: médicos, aparelhos, remédios. Isso é ser prioridade?”, questionou. O episódio da TRAVESTI, que ocorreu na segunda-feira, não foi o primeiro caso de agressão no Hospital Regional da Ceilândia. Segundo Lúcia Maria, ela sofreu atos de violência há dois meses. “Um casal me xingou, tentou me bater. Isso é recorrente aqui. Convivemos com o medo”, afirmou. Outra enfermeira do local, Shirley Cristina Gomes, confirmou o que a colega disse. “Já chegamos até a ir ao Instituto de Medicina-Legal (IML) reclamar de outras agressões, mas nunca dá em nada”. De mãos atadas Dois vigilantes do Hospital, que preferiram não se identificar, reclamaram do sistema de segurança do local. “Não temos condições de impedir qualquer pessoa de passar por nós. O máximo que fazemos é abordá-la para saber onde ela quer ir”, disse um deles. O sistema de câmeras de segurança da unidade não funciona há três meses, contou um deles. Enquanto o protesto não terminava, a fila só aumentava no pronto-socorro. Ainda assim, alguns pacientes apoiaram a causa dos funcionários do Hospital. “Tem gente que ameaça os enfermeiros. Eu já vi pessoas armadas aqui”, contou o gari José Santiago de Paulo, 42 anos. “Tinha que dar mais estrutura para esse povo trabalhar. É horrível lá dentro. Não tem nada, nenhum conforto. Falta remédio, aparelho, segurança. É muita coisa mesmo”, completou. A dona de casa Erotildes Marques, 51 anos, contou que estava na fila com seu filho para ele fazer nebulização há dois dias. Ainda assim, acha justo o protesto dos funcionários. “Eu sei que eles não são culpados pela demora. Falta re-médio. No caso do meu filho, não tem um dos remédios para a nebulização. O quê eles podem fazer? Nada.”, afirmou. “O governo só pensa em ganhar dinheiro, não quer saber de investir na população. Essa é a verdade”. SOLUÇÃO Os funcionários do Hospital Regional da Ceilândia disseram que a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) não deu retorno sobre a reunião com a Secretaria de Segurança. Entretanto, a Assessoria de Comunicação afirmou que o órgão está tentando resolver a questão da segurança nos hospitais e centros de saúde e, o mais breve possível, deve dar uma resposta aos servidores. Outro processo de licitação está em andamento, segundo a Secretaria de Saúde, para a contratação de uma empresa de segurança de forma contínua. Na próxima semana deve ocorrer uma reunião entre a secretária de Saúde, Fabíola de Aguiar Nunes, e os diretores dos hospitais e centros de Saúde do DF. O objetivo é apontar quais são os principais problemas das unidades de saúde e avaliar como eles podem ser resolvidos, in-formou a assessoria do órgão. SAIBA + A TRAVESTI Maíra, de 28 anos, foi presa após atacar funcionárias no Hospital Regional de Ceilândia. Irritada com a demora no atendimento de uma colega, Osmair, portador do vírus HIV, pegou uma seringa, retirou seu sangue, atacou a enfermeira, ferindo-a na mão, e mordeu outra funcionária. Ambas foram tratadas com o coquetel contra AIDS e não correm risco de infecção. O TRAVESTI responderá por duas tentativas de homicídio qualificado, cuja pena varia de 12 a 30 anos para cada um. |
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