#soropositivoorg : A taxa de novos diagnósticos de VIH entre os homossexuais dos EUA é 44 vezes maior que noutras populações

Michael Carter

A infecção pelo VIH tem um impacto desproporcionalmente maior nos homossexuais e nos homens que têm sexo com homens nos EUA, segundo os dados publicados pelo Centers for Disease Control and Surveillance (CDC), nos EUA.

Os investigadores calcularam que a taxa de novas infecções pelo VIH entre homossexuais e bissexuais é 44 vezes maior que a observada nos outros homens, e cerca de 40 vezes maior que nas mulheres.

Dados recentemente analisados também demonstraram que as taxas de sífilis são até 71 vezes maiores entre homens homossexuais e bissexuais em comparação com outros grupos populacionais.

“Fica claro que não seremos capazes de parar a epidemia de VIH nos EUA até que todas as comunidades infectadas, juntamente com as autoridades de saúde em todo o mundo, priorizarem as necessidades dos homens homossexuais e bissexuais com os esforços de prevenção do VIH”, comentou o Dr Kevin Fenton do CDC.

Os homossexuais são responsáveis por 48% do milhão de infecções pelo VIH nos EUA. O único grupo em que estão a aumentar os novos diagnósticos é o dos homens que têm sexo com homens, que em 2006 incluía 53% de todos os casos de infecção pelo VIH no país.

Os dados do CDC, apresentados na Conferência Nacional da Prevenção de ISTs de 2010, demonstraram que existiram cerca de 522 a 989 novas infecções por 100 000 homens homossexuais e bissexuais cada ano, comparado com 12 por 100 000 entre outros homens e 13 por 100 000 entre as mulheres.

Isto significa que a taxa de novas infecções pelo VIH foi cerca de 44 vezes maior entre homens homossexuais e bissexuais que em outros grupos.

A taxa de sífilis foi calculada entre 73 a 91 casos por 100 000 em homens homossexuais e bissexuais, cerca de 48 vezes maior que a taxa de dois por 100 000 observada noutros homens, e 71 vezes maior que a de um por 100 000 observada em mulheres.

Os dados do CDC também revelaram o impacto desigual da infecção pelo VIH em diferentes populações de homens homossexuais e bissexuais.

O maior número de novas infecções pelo VIH entre homossexuais em 2006 envolveu homossexuais caucasianos (12 230), seguidos de homossexuais de etnia negra (10 130).

Entre os homossexuais caucasianos, a maioria das novas infecções foram nos homens de 30 anos (4670), seguidos pelos que tinham idades entre os 40 e os 49 (3740).

Foi observado um perfil de idades diferente nos homossexuais de etnia negra. As novas infecções forma desproporcionadamente localizadas entre os 13 e 29 anos (5200).

Os investigadores descobriram que a prevalência de infecção pelo VIH entre homossexuais em alguns centros urbanos atingia 25%. Adicionalmente, cerca de 50% dos homens desconheciam a sua infecção, sendo que este número aumentava para 80% entre algumas populações de homossexuais mais novos.

O CDC acredita que a interacção complexa de vários factores está a aumentar a infecção pelo VIH entre os homossexuais.

O mais importante é a alta prevalência de VIH entre homossexuais. Isto significa que cada encontro sexual aumenta o risco de exposição ao vírus. Os investigadores acreditam que as relações homossexuais entre jovens de etnia negra e homens mais velhos, pode também levar a um aumento de risco.

Acredita-se também que o grande número de infecções não diagnosticadas entre homossexuais contribua para a propagação do VIH.

A complacência também é avançada como explicação. O CDC declarou que este é o caso da maioria dos homossexuais jovens que não “viveram pessoalmente a severidade da primeira epidemia de SIDA.”

Todavia, este tipo de raciocínio não explica o grande número de novas infecções pelo VIH entre homens entre os 30 e 50 anos.

Os avanços no tratamento para o VIH conduziram, segundo a percepção do CDC, alguns homens homossexuais a desenvolver a “falsa crença” de que o “VIH já não é uma questão grave de saúde.”

A dificuldade em fazer sexo seguro ao longo da vida também é sugerido como um factor contributivo.

A homofobia e outras formas de discriminação, que podem impedir os homens de aceder a serviços de prevenção e cuidados de saúde, são também, segundo crê o CDC, factores que contribuem para a propagação do VIH entre homossexuais, tal como o níveis altos de uso de drogas.

“O risco de transmissão do VIH através de sexo anal receptivo é muito maior que o risco de transmissão através de outras actividades sexuais, e alguns homens homossexuais e bissexuais confiam em estratégias de prevenção que podem ser menos eficazes que o uso consistente do preservativo”, comentou o CDC.

Sublinharam que muitas das infecções por sífilis em homossexuais são provavelmente transmitidas via sexo oral.

“Não existe uma solução única ou simples para a redução das taxas de infecção pelo VIH e sífilis entre homens homossexuais e bissexuais”, afirmou Fenton. “Precisamos de intensificar os esforços de prevenção que são tão diversificados como a própria comunidade”. As soluções para os jovens homossexuais e bissexuais são urgentes, para que o VIH não se torne inadvertidamente um ritual de passagem para cada nova geração de homossexuais.”

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