
Pensando em diminuir o índice de Transmissão do HIV, de mães para os filhos, o Setor de Adesão do Hospital de Doenças Tropicais (HDT) promove desde 2003 um curso com orientações para as gestantes portadoras do vírus. Desde então, a transmissão vertical do HIV – situação em que a criança é infectada pelo vírus da aids durante a gestação, no parto ou por meio da amamentação –, que era de 5%, caiu para bem próximo de 0% em Goiás, segundo a psicóloga e coordenadora do setor, Maria do Rosário da Conceição Rocha. A transmissão materno fetal do HIV pode ocorrer em cerca de 25% das gestações das mulheres infectadas quando não são realizadas intervenções de prevenção.
Toda criança filha de mãe portadora do HIV só é considerada livre da doença após completar um ano e oito meses de idade. Até então, o risco ainda existe e todas continuam sendo acompanhadas por uma equipe do HDT. “Antes disso, a criança ainda tem anticorpos da mãe. Depois, se não manifestar nenhum sinal da aids, pode receber alta médica indicando que não tem HIV”, explica a psicóloga. Maria do Rosário ressalta que toda grávida com aids deve ser acompanhada desde o início da gravidez de acordo com o protocolo 076, do Aids Clinical Trials Group (ACTG 076), publicado em 1994, que trata da prevenção de transmissão vertical de HIV e sífilis.
A coordenadora do Setor de Adesão do HDT esclarece que o pré-natal adequado, não aleitamento materno, via de parto determinada por médico e a inserção do medicamento Zidovudina (AZT) nos primeiros 40 dias de vida dos bebês são cuidados essenciais para a manutenção do índice de transmissão próximo a zero. “Se a mãe não seguir essas orientações, o risco de transmissão é alto. Para não contaminar o bebê, a mãe deve contar com a ciência e não esperar contar com a sorte”, afirma a psicóloga.
Um dos pontos que mais merecem atenção, de acordo com Maria do Rosário, é o fato de as mães com HIV não poderem amamentar seus filhos em hipótese alguma. “O vírus está em toda secreção corporal. É o caso do leite materno”, destaca. Segundo ela, logo após o parto, essas mães tomam medicação para evitar a formação do leite e os bebês já têm as primeiras refeições na mamadeira. “Muitas mães têm o desejo de amamentar porque é um momento de muita proximidade com o bebê. Mas a gente as orienta a manterem o contato visual com o filho enquanto dão a mamadeira, tudo para manter essa relação”, diz.
“Achava que a transmissão era coisa certa”
De acordo com a psicóloga Maria do Rosário muitas mães só descobrem que são portadoras do vírus durante o pré-natal, já que a doença muitas vezes não apresenta sintomas. É o caso de Mônica (nome fictício), de 28 anos, que soube que estava grávida quando foi fazer o pré-natal de seu segundo filho, hoje com 7 anos. “Eu queria tirar o neném. Nem sabia o que era essa doença. Só sabia que eu não queria que meu filho vivesse com ela. Achava que a transmissão era coisa certa,” conta.
Foi então que Mônica conheceu o programa “Prevenir para a Vida”, desenvolvido no HDT para orientação e medicação de gestantes soropositivas. Com o acompanhamento de psicólogos, ela resolveu levar a gravidez adiante. “Quando a gente convive com outras pessoas, sabe de outras histórias, a gente vê que a doença também não é um bicho de sete cabeças,” afirma Mônica.
Hoje, Mônica está grávida de cinco meses do terceiro filho – ela já tinha um filho antes de ser contaminada com o HIV – e, bem mais tranquila, se diz muito feliz com a chegada no novo integrante da família. “Com o acompanhamento, sabendo que estou fazendo tudo direito e que meu filho não vai ser mais uma pessoa no mundo com aids, é só alegria. Deve ser muito triste para uma mãe ver o filho conviver com essa doença e com os efeitos colaterais dos remédios”, comenta.
Mônica conta que ela já abandonou o tratamento quatro vezes. “Os remédios me dão muito enjoo. Aí, quando eu não tava sentindo nada, eu parava. Mas essa doença é tipo uma surpresinha, chega de uma vez. É tipo um acidente”, compara. Hoje, mais consciente, diz estar tomando os medicamentos corretamente por causa dos dois filhos, de 10 e 7 anos, e do bebê que deve chegar em breve. “Meus filhos são saudáveis. Eles sabem da doença e entendem. Eles cuidam de mim”, relata.
ANGÉLICA QUEIROZ
Em 26/09/2012, 00:52
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