Doses erradas de produtos de limpeza permitem que bactérias fiquem resistentes a eles e aos antibióticos utilizados para combatê-las. Problema é mais crítico em hospitais
Publicação: 03/01/2010 10:17
Londres – O combate das infecções hospitalares e a limpeza diária de banheiros e cozinhas devem ser revistos. De acordo com um estudo da Universidade Nacional da Irlanda, publicado na edição deste mês da revista científica Microbiology, o uso de desinfetantes faz com que um tipo de bactéria fique resistente a um antibiótico e ao próprio desinfetante.
Os pesquisadores descobriram que quando se adiciona quantidades crescentes de desinfetantes a culturas da bactéria Pseudomonas aeruginosa, ela gradualmente desenvolve a capacidade de se adaptar para sobreviver não apenas ao desinfetante, mas também ao antibiótico ciprofloxacina – mesmo sem ter sido exposta a ele. O experimento demonstrou que as bactérias desenvolveram mecanismos que lhes permitiram expelir agentes como desinfetantes e antibióticos de si mesmas. Além disso, sofreram mutação de DNA, o que as tornou imunes aos antibióticos do tipo ciprofloxacina.
A Pseudomonas aeruginosa é a bactéria que mais provavelmente infectará pessoas que já estão seriamente doentes. Ela ataca particularmente aqueles com sistemas imunológicos debilitados, como portadores do vírus HIV, pacientes com câncer, diabéticos, pacientes com fibrose cística ou pessoas que sofreram queimaduras graves. Para prevenir seu alastramento, as superfícies dos hospitais são tratadas com desinfetantes, mas se, a bactéria consegue sobreviver e infecta pacientes, eles são tratados com antibióticos. Desta forma, as bactérias que sofrem mutação de DNA e se tornam resistentes representam uma séria ameaça aos pacientes.
Nas altas concentrações em que os desinfetantes são normalmente aplicados, o surgimento dessas superbactérias é pouco provável, disse o autor do estudo, Gerard Fleming. Mas, em princípio, “resíduos de desinfetantes diluídos incorretamente e deixados nas superfícies em hospitais poderiam promover o crescimento de bactérias resistentes”, alertou. “O que é mais preocupante é que a bactéria parece ser capaz de se adaptar para resistir a antibióticos mesmo sem ter sido exposta a eles.”
LENÇOS UMEDECIDOS
Um número cada vez maior de estudos vem chamando a atenção para a relação entre o uso de desinfetantes e antissépticos e a resistência a antibióticos. Uma pesquisa publicada neste ano mostrou que lenços umedecidos com desinfetantes usados para proteger pacientes contra a bactéria MRSA podem na verdade ajudar no alastramento do micróbio, porque a solução contida nos lenços é frequentemente insuficiente para matar todas as bactérias. Além disso, funcionários de hospitais muitas vezes usam o mesmo lenço para limpar mais de uma superfície.
UAI – MG |
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CIÊNCIA |
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04/JANEIRO/10 |
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