Vinte e cinco anos depois da eclosão da pandemia e de vários testes fracassados, cientistas descobrem que combinação de duas vacinas reduziu em 31,2% possibilidade de alguém ser infectado pelo vírus
GENEBRA – Euforia. Era o sentimento predominante nos corredores da Organização Mundial da Saúde (OMS) ontem. Isso graças à revelação de que uma combinação de duas vacinas que haviam fracassado em proteger contra a AIDS no passado, agora passou a dar resultados, ainda que modestos. A descoberta está sendo considerada histórica. Por outro lado, cientistas e entidades internacionais insistem que a população mundial não deve ainda considerar a guerra contra a AIDS vencida. Cientistas descobrem – 25 anos após a eclosão da pandemia e depois de inúmeros testes fracassados pelo mundo – que a combinação das duas vacinas reduziu em 31,2% o risco de uma pessoa ser infectada pelo HIV. O teste foi o primeiro a demonstrar a proteção de seres humanos contra a AIDS, 18 anos depois do início dos primeiros trabalhos que agora começam a dar resultados.
A pesquisa, que custou US$ 105 milhões aos cofres americanos, foi realizada com 16.200 voluntários na Tailândia, um dos locais considerados laboratório a céu aberto para testes de medicamentos contra a doença. Metade recebeu há três anos a versão final da vacina. Os outros oito mil receberam produto sem efeito. O trabalho foi conduzido pelo Programa de HIV do Exército Americano, em colaboração com centros de pesquisa e com o Ministério de Saúde da Tailândia. A OMS deu suporte logístico e técnico.
A vacina é considerada o Santo Graal na ciência hoje. Por ano, a ONU estima que 2 milhões de pessoas morrem por causa do vírus e 33 milhões estariam infectadas. Desde os anos 80, 25 milhões de pessoas já morreram. Em várias regiões, a doença nutre o subdesenvolvimento e a pobreza.
PROVAS
O teste foi realizado com duas doses de vacinas. A primeira, para imunizar o sistema contra o vírus e a segunda, para fortalecer a resposta. As vacinas são a Alvac, da francesa Sanofi Pasteur, e a AIDSvax, de propriedade da entidade sem fins lucrativos Global Solutions for Infectious Diseases.
As vacinas já haviam fracassado no passado e foram abandonadas por cientistas. A decisão do Exército americano de voltar a testá-las, agora de forma conjunta, foi criticada por cientistas, que julgavam ser perda de dinheiro. Além disso, alguns setores da comunidade científica chegaram a atacar o projeto, alertando que um fracasso geraria perda de credibilidade dos demais projetos em busca de recursos.
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26/SETEMBRO/09 |
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