DIÁRIO DE NATAL – RN | CIDADES
Sem conhecimento das famílias, rapazes se prostituem atendendo um público variado
Andrielle Mendes // andriellemendes.rn@dabr.com.br
Especial para o Diário de Natal
Quando deitou na cama ao lado de outro homem, Anderson se sentiu o cara mais esperto do planeta, igual ao astronauta que pisou na lua pela primeira vez. O cliente era mais velho e exigiu serviço completo.
“Até hoje me lembro. Foi num motel perto da Feira do Carrasco. Eu estava na Ribeira tomando cachaça com os ambulantes que trabalhavam num ponto de ônibus. Tinha tomado quase um litro. Aí chegou um HOMOSSEXUAL. Ele me chamou. Eu aceitei. Ele disse “vamos para tal motel”. Eu disse “vamos”. Ele falou “vai eu e um colega, vai você e outro”. Eu disse ” tá beleza””. Naquele dia, Anderson se tornou um garoto de programa. Assim como ele, que teve poucas oportunidades de estudo e tem baixo poder aquisitivo, muitos passam a encarar o sexo como profissão.
Anderson, que está na atividade há 12 anos, diz que a timidez, que era problema no início, não o atrapalha mais Foto: Fábio Cortez/DN/D.A Press
Hoje, Anderson tem 25 anos. Faz programa desde os 13. Só a mãe dele sabe – a namorada nem suspeita. A mãe só descobriu depois que ele pegou GONORRÉIA. “Minha mãe também era garota de programa. Começou a fazer para sustentar a família. Ela sempre tentou excluir a gente dessa vida. Mas eu era novo, queria ir para festa, queria sair. Meus pais não tinham dinheiro. Então, ou você arruma trabalho ou dá um jeito. Roubar eu não ia. Vender drogas também não. Vi um monte de colega morrer por causa disso. Então encontrei um meio mais fácil que ia me dar prazer e dinheiro”.
Quando o cliente exige que ele fique a noite inteira, o valor é mais alto. Pode chegar a R$ 200 por noite. Quando o cliente quer um “serviço rápido”, o valor é mais baixo. Fica entre R$ 50 e R$ 70. Os clientes são geralmente homens. Não há faixa etária específica nem renda.”No começo, fica aquele negócio chato. Aquela timidez. Antigamente, eu marcava um programa, ia para um motel e ficava com vergonha de tirar a roupa na frente do cliente. Hoje em dia, já vou entrando pelado. Quando o cara diz “feche a porta”, eu já estou pelado com a porta fechada”.
Para casal o programa também é mais caro. Anderson já chegou a receber entre R$500 e R$ 600 num só programa. “Eu estava num restaurante com um colega e chegaram mãe e filha, as duas casadas, e chamaram a gente. O garçom nos conhecia. Quando os garçons conhecem uma mulher que sai com garotos e paga bem, eles chegam para gente e falam. A gente dá uma gorjeta e pede para ele colocar um copo de uísque na mesa onde a mulher está. O garçom entrega o copo e aponta para a gente. Ela vem até a mesa e aí rola.
Nesta noite, recebi de R$ 500 a R$ 600. Eu saí com a mãe e meu colega com a filha dela. Não sei quanto meu colega recebeu. Não perguntei. Fomos todos juntos para um motel, fizemos o nosso trabalho e fomos embora”.
Segundo Anderson, foi a falta de oportunidade que o empurrou para as ruas.
Hoje, a maioria dos clientes dele são fixos.
“São eles que vem atrás da gente, não é a gente que vai atrás deles”.







