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AIDS:"A gente acha que o amor imuniza"

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Documentário dá face aos números do avanço da AIDS entre mulheres acima dos 50

 

Maiá Menezes

 

 

Casadas ou com parceiros estáveis, elas se achavam imunes ao vírus HIV. Seguras do relacionamento e diante da ilusão de que a transmissão estava longe de seu universo aparentemente seguro, acabaram surpreendidas pela realidade. Na faixa de 50 anos, sete mulheres contaram suas histórias no documentário “Positivas”, da cineasta Susanna Lira, que será lançado segundafeira no Rio. Seus relatos dão a face aos números apresentados anteontem pelo Ministério da Saúde: em 2007, a taxa de incidência de AIDS entre mulheres acima de 50 anos dobrou em relação a 1997 – de 5,2 por 100 mil habitantes para 9,9 por 100 mil.

 

 

  • A gente acha que o amor imuniza – sintetiza a professora aposentada Maria Aparecida Lemos, de 54 anos, portadora do vírus há oito anos e uma das entrevistadas no documentário.

 

 

Cida, como gosta de ser chamada, alerta para o despreparo de médicos para identificar os sintomas da doença. A demora no diagnóstico a levou à cegueira.

 

 

  • Há um preconceito dos médicos.

 

 

Nos primeiros sintomas de pele, acharam que era alguma alergia. Quando meu cabelo começou a cair, disseram que era lupus. Depois veio a febre reumática. E só depois que comecei a perder a visão é que fui encaminhada para um infectologista – diz a aposentada.

 

 

A ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéia Freire, diz que a situação de Cida é resultado de uma lacuna na formação dos médicos: – No caso de uma mulher com relação estável que apresenta os sintomas, muitos médicos sequer pedem o exame. Quando se trata de AIDS, o diagnóstico precoce é a chave da qualidade de vida diferenciada – diz a ministra, lembrando que as mulheres acima de 50 em geral vivem relações estáveis.

 

 

Nilcéia afirma que o padrão de infecção no Brasil segue uma tendência mundial de feminilização da doença. Para ela, o principal motivo do aumento do número dos casos de AIDS entre mulheres é a dificuldade de negociar o uso do PRESERVATIVO com os homens: – Quem define como se dá a relação sexual é o homem – disse a ministra, que, com recursos da secretaria, apoiou o filme.

 

 

Em depoimentos ao documentário, as sete mulheres, em todas as regiões do país, relatam como foi a descoberta de que estavam infectadas – seja pelo marido usuário de droga, por um companheiro HOMOSSEXUAL ou por um parceiro infiel.

 

 

  • Foi um baque descobrir. A gente fica sempre pensando na questão da fidelidade. Mas conforme ele (o marido) ficou doente, o importante foi saber que o parceiro querido estava indo embora – relata Sílvia, cujo marido começou a apresentar os sintomas da AIDS depois de 14 anos de casamento.

 

 

A cineasta Susanna Lira, que fez pesquisas por dois anos para realizar o documentário, afirma que procurou mulheres que aceitassem mostrar o rosto. Em pesquisas nas secretarias estaduais, colhidas para o documentário, a cineasta chegou a encontrar casos em que 64% das mulheres com AIDS contraíram o vírus do parceiro estável.

 

 

 

O GLOBO-RJ

Editoria: Pág. Dia / Mês/Ano:

O PAÍS

28/NOVEMBRO/09

 


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