Angola: Mulheres são as mais afectadas pela SIDA
AVISO IMPORTANTEEste texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento devem ser...
| Yara Simão Mais de 50 por cento dos adultos identificados e com idades compreendidas entre os 15 e os 39 anos, que corresponde à fase mais produtiva e reprodutiva da vida humana, são mulheres, afirmou ontem, em Luanda, a directora do Instituto Nacional de Luta Contra o SIDA (INLCS), Dulcelina Serrano. Falando ao Jornal de Angola durante o lançamento do projecto “SIDA“, uma parceria daquele instituto com a Organização da Mulher Angolana (OMA), Dulcelina Serrano adiantou que o número de mulheres infectadas é uma das maiores preocupações do Instituto. Por essa razão, estão a ser definidas estratégias para fazer chegar informação às mulheres e, deste modo, elas ficarem sensibilizadas e associarem-se à luta contra a SIDA. A directora explicou que há um maior número de mulheres infectadas por estas terem quatros vezes mais probabilidade de contrair o vírus numa relação sexual do que o homem, devido à sua constituição biológica. A aposta em trabalhar com a OMA, segundo ela, é importante por se tratar de uma organização que chega aos lugares mais recônditos do país, e poder, num curto espaço de tempo, desempenhar o seu papel mobilizador. “Aquilo que pretendemos é um futuro de jovens saudáveis, que possam efectivamente desenvolver o país do ponto de vista económico e social.” Devido ao estigma social e à falta de conhecimentos sobre a magnitude da infecção, muitas pessoas ainda vivem no silêncio, salienta Dulcelina Serrano. “É nosso objectivo que as pessoas conheçam o seu estado serológico o mais precocemente possível para que possam ter acesso às unidades de saúde e serem acompanhadas, para não chegarem ao estádio de SIDA.” Outro motivo do silêncio deve-se ao facto de as pessoas pensarem que são obrigadas a pagar o tratamento. “Estamos a trabalhar com as comunidades no sentido de passar a mensagem de que o VIH existe, é uma realidade e que as unidades de saúde têm capacidade para fazer o acompanhamento médico. Além disso, os medicamentos são gratuitos”, realça Dulcelina Serrano. A directora do INLCS faz um apelo à sociedade, principalmente aos jovens, para que se previnam, usando o PRESERVATIVO ou sendo fiel ao parceiro, para evitar a infecção, já que segundo as previsões do instituto a epidemia pode aumentar. “Das projecções que temos até ao ano de 2015 prevê-se um aumento discreto em todo o país, mas devemos andar dentro da cifra dos três a cinco por cento”. Apoio da OMA A secretária-geral da OMA, Luzia Inglês, ao discursar no lançamento do projecto, informou que a doença em Angola é influenciada pelos países vizinhos, através da circulação de pessoas seropositivas, com prevalências muito elevadas. O horizonte temporal para a implementação do projecto, segundo a secretária-geral da OMA, é de quatro anos, indo decorrer, numa primeira fase, em nove províncias, dando prioridade às mais preocupantes. No ano passado as autoridades sanitárias registaram 254.l 471 pessoas infectadas, das quais 149. 386 eram mulheres, 20.209 das quais estavam grávidas, 29.238 crianças e 23.281 órfãs. Durante o ano, foram notificados 19.114 óbitos. JORNAL DE ANGOLA |
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