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As pessoas com hepatite C que estão sob tratamento com metadona…

Tratamento para a hepatite C sem interferão resulta em pessoas em metadona ou buprenorfina

Liz Highleyman

Daniel Cohen, of AbbVie, presenting at AIDS 2014. Photo by Liz Highleyman, hivandhepatitis.com.

As pessoas com infeção crónica para a hepatite C que estão sob tratamento com metadona ou buprenorfina para gerir uma dependência opiácea podem ser tratadas de forma segura e eficaz com o 3D, da AbbVie, um regime terapêutico oral de ação direta com ribavirina, com uma taxa de cura de 97%, de acordo com relatórios apresentados na 20ª Conferência Internacional sobre SIDA, em Melbourne.

O vírus da hepatite C (VHC) é transmitido de forma rápida através da partilha de seringas ou outro material de consumo de drogas por via injetada e as pessoas que consomem drogas por esta via têm elevadas taxas de infeção em todo o mundo. Contudo, normalmente só uma pequena parte desta população recebe tratamento para o VHC devido a receios – quer reais, quer infundados – relacionados com tolerância, adesão e uma eficácia inferior à desejada.

Os novos agentes antivirais de ação direta que atacam diferentes etapas do ciclo de vida do VHC trouxeram uma revolução no tratamento da hepatite C. Estudos recentes demonstraram que a combinação de dois ou mais AAD sem interferão pode resultar em taxas de cura que rondam os 90% na maior parte das populações.

hepatite cO regime do 3D da AbbVie consiste no ABT-450, um inibidor da protéase do VHC, numa dose de 100 mg de ritonavir potenciado e no ombitasvir, um inibidor NS5S (anteriormente conhecido como ABT-267) numa co-formulação de dose fixa diária, tomada em conjunto com o dasabuvir (ABT-333), um inibidor da polimerase do VHC de dose dupla diária e ribavirina. Tal como reportado anteriormente, esta combinação curou 96% de pacientes que nunca tinham feito o tratamento e de pessoas experientes para o tratamento com o genótipo 1.

Daniel Cohen, da AbbVie, apresentou as conclusões de um estudo de fase 2 que avaliava a segurança e eficácia da combinação 3D em pessoas com infeção crónica para o VHC de genótipo 1 que estavam sob terapêutica de substituição opiácea estável, quer com metadona, quer com buprenorfina, com e sem naloxona. Os anteriores estudos sobre interações medicamentosas concluíram que o medicamento da AbbVie não tinha qualquer efeito significativo nos farmacocinéticos metadona ou buprenorfina.

A análise incluiu 38 participantes de oito locais da América do Norte. Dois terços eram homens, quase todos caucasianos e a idade média era de 48 anos. 68% tinha VHC de subtipo 1a difícil de tratar, os restantes 1b.  Um terço tinha a variante genética IL28B. A maioria (95%) nunca tinha feito anteriormente o tratamento para a hepatite C.

A maior parte dos participantes tinha fibrose hepática ausente a leve (estágios F0-F1) mas 16% tinham fibrose moderada (estágio F2) e 5% fibrose avançada (estágio F3); o estudo não incluiu pessoas com cirrose (estágio F4). As pessoas com VIH ou coinfeção pela hepatite B também foram excluídas.

Todos os participantes no estudo aberto – divididos de forma igual entre aqueles que tomam metadona e os que tomam buprenorfina – foram tratados com a combinação 3D mais ribavirina (em dose calculada de acordo com o peso) ao longo de 12 semanas. Foram acompanhados ao longo das 24 semanas seguintes após a conclusão da terapia para determinar uma resposta virológica sustentada ou uma carga viral indetetável continuada (SVR24). Um RNA do VHC indetetável às 12 semanas após o tratamento (SVR 12) é considerado cura.

À exceção de um, todos os doentes tinham um RNA do VHC indetetável no final do tratamento e mantiveram esta resposta nas 24 semanas seguintes, resultando em taxas de SVR12 e SVR24 de 97%. Os restantes participantes desistiram do estudo à segunda semana. Não existiram casos de avanço viral ou relapso pós-tratamento.

O regime 3D mais ribavirina foi, regra geral, seguro e fácil de tolerar. Apenas dois participantes (5.3%) tiveram reações adversas graves (enfarte e cancro), incluindo os doentes acima mencionados que descontinuaram o tratamento mais cedo por este motivo. O efeito secundário mais comum é náusea (50%), fadiga (47%), enxaqueca (32%), insónia (18%) e rash (16%). Duas pessoas tinham níveis baixos de hemoglobina – um conhecido efeito da ribavirina – mas nenhum desenvolveu anemia grave.

Não foi necessário que nenhum participante ajustasse a dose de metadona ou buprenorfina durante o tratamento para a hepatite C.

“O regime 3D + ribavirina atingiu uma taxa de SVR24 de 97.4% entre estes 38 pacientes infetados com o genótipo 1 e sob terapêutica de substituição opiácea”, concluíram os investigadores. Estas conclusões eram “comparáveis a resultados reportados anteriormente em pacientes com genótipo 1, quer naïve para o tratamento, quer experientes para o mesmo”.

“Um regime oral de 12 semanas, altamente eficaz e bem tolerado pode ser uma opção de tratamento atrativa para pacientes infetados com o genótipo 1 que se encontrem sob terapêutica de substituição opiácea”, sugeriram, afirmando que “os pacientes sob terapêutica de substituição opiácea estável podem ser indicados para o tratamento para o VHC exclusivamente oral”.

Cohen afirmou que os estudos anteriores comprovaram que o regime 3D é altamente eficaz em pessoas com cirrose mas as interações com metadona ou buprenorfina “podem ser imprevisíveis em pessoas com doença hepática em estado avançado”.

hepatite c

Notou também que os participantes demonstraram uma “adesão muito boa”, de acordo com as contagens de medicamentos, indicando que as preocupações sobre a possibilidade de as pessoas que usam drogas não conseguirem manter-se sob terapêutica não são um motivo para impedir o tratamento com novos e eficazes regimes livres de interferão.

Referência

Lalezari J et al (Cohen D presenting). Interferon-free 3 DAA plus ribavirin regimen in HCV genotype 1-infected patients on methadone or buprenorphine. 20ª Conferência Internacional sobre SIDA,abstract MOAB0103, Melbourne, 2014.

Consulte o abstract do estudo online

Tradução

GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA

Mantenham-se aderentes ao tratamento contra hepatite c, por que ela tem cura

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