Brasil poderá exportar gel que previne infecções do vírus HIV
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JC OnLine | Editoria: | Pág. | Dia / Mês/Ano: |
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| 05/FEVEREIRO/08 |
Prevenção
Publicado em 04.02.2008, às 12h03 O Brasil poderá exportar, principalmente para países da África, o gel vaginal desenvolvido a partir de algas marinhas para prevenir infecções do vírus HIV, causador da Aids. A afirmação é da professora de Biologia Marinha Valéria Laneuville Teixeira, do Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), que disse que é necessário comprovar se o produto não é tóxico e se é eficaz em seres humanos. Com esses testes prontos, “o Brasil poderá exportar, com certeza”, afirmou Valéria à reportagem . A especialista conseguiu isolar o composto químico (dolabelladienetriol) extraído da alga marinha parda, encontrada em grande parte da costa brasileira. O composto foi transformado em um gel pelo professor Luiz Roberto Castello Branco, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Ministério da Saúde, parceiro no projeto. O gel vaginal funciona como um preventivo contra a Aids em relações sexuais. “O certo é usar com a camisinha”, disse Valéria Teixeira. Ela acrescentou, porém, que em alguns países, como a África, o uso da camisinha é quase um tabu. “Então, a gente está procurando sempre um produto que a mulher possa passar e que o homem nem tenha conhecimento. Porque nessas sociedades, principalmente nos países onde a Aids adquire um caráter epidêmico, você tem as mulheres sem muita voz e o machismo imperando. E, geralmente, o homem não quer usar a camisinha. Então, a gente faz muita pesquisa voltada para a mulher, como um fator de prevenção”, declarou a especialista. O Instituto de Biologia da UFF já iniciou testes em camundongas. Mas, para que o gel vaginal possa ser comercializado é necessário que sejam feitos também testes clínicos, isto é, em pacientes com Aids. Valéria Teixeira informou que deverão ser efetuados testes em células humanas de colo de útero. A previsão é de que a fase clínica tenha início em 2009 ou 2010. A pesquisadora afirmou que o produto também poderá ser adotado pelo Ministério da Saúde em programas de prevenção contra a Aids. O ministério tem apoiado o projeto, inclusive em termos financeiros. “Interessa muito ao Brasil usar uma droga nacional para o coquetel que é dado aos pacientes de Aids. O custo é muito alto. Então, se nós tivéssemos um produto nacional para usar, seria muito bom. E o ministério tem dado apoio e incentivo que a gente precisa para trabalhar”, afirmou Valéria Teixeira. O gel vaginal desenvolvido no Brasil apresenta um custo elevado devido à substância ativa coletada da alga. Valéria Teixeira revelou, porém, que o Instituto de Biologia da UFF já está desenvolvendo estudos, em colaboração com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), para cultivar essa alga. A idéia é que o produto possa ser obtido de maneira mais rápida, sem degradar o meio ambiente. “O que a gente quer é ter a substância sem ficar extraindo a alga do ambiente. É o desejável”, afirmou. Fonte: Agência Brasil
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