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Médicas unem experiências para orientar seus colegas de profissão Juntas, as médicas Ana Maria Soares, Maria Célia Mello e Olga de Oliveira passaram a cuidar daqueles que cuidam dos outros, os médicos. Uniram suas experiências profissionais e resolveram mostrar aos médicos que eles precisam se cuidar. Com o trabalho Aprendendo a cuidar de si para melhor cuidar do outro, as três médicas recebem com muita alegria a homenagem da Associação Médica de Brasília (AMBr) e do Jornal de Brasília. De acordo com elas, esses profissionais passam toda sua vida cuidando de pacientes e não olham para si. O universo em que atuam é de grande estresse e o sistema de saúde não colabora, oferecendo a eles condições inadequadas de trabalho. O sucesso dessa união de profissionais de diferentes áreas médicas tem sido reconhecido também entre elas, que garantem ter mudado para melhor seu ritmo de vida. “Melhorar a qualidade de trabalho do médico é o começo”, acredita Olga. O grande objetivo desse projeto é ajudar o médico a se prevenir de situações como pressões e risco que podem levá-lo ao estresse intenso, ocasionando a depressão e síndrome de Burnout e, em alguns casos, o uso de drogas lícitas e ilícitas. RESPOSTAS Essa síndrome surgiu em meados dos anos 70, nos Estados Unidos, em busca de resposta ao processo de deterioração nos cuidados e atenção profissional aos trabalhadores de uma empresa. Definida como esgotamento profissional, é uma síndrome psicológica decorrente da tensão emocional crônica no trabalho. As médicas explicam que é de extrema importância o bem-estar do indivíduo na vida pessoal e profissional, para que este possa realizar o seu trabalho com competência e êxito. “A relação de Burnout na insatisfação no trabalho pode ter como origem condições inadequadas de trabalho”, explica a psiquiatra Maria Célia. A situação pode ficar ainda mais grave e causar descompensações mentais ou doenças somáticas. O homem moderno muitas vezes encontra dificuldade em dar sentido à vida. Assim, o trabalho tem um significado importante, podendo gerar um grau de envolvimento, tempo e energia maior do que as necessidades pessoais, lazer, convívio com a família e outras atividades. Segundo as especialistas, o emprego provoca diferentes graus de satisfação, principalmente quanto ao meio e à forma como se desempenha. EXAUSTÃO O termo Síndrome de Bournot é a junção de burn (queima) e out (exterior), caracterizando um tipo de estresse ocupacional, no qual a pessoa se consome física e emocionalmente, resultando em exaustão e em um comportamento agressivo e de irritabilidade. Ela afeta principalmente os profissionais obrigados a manter contato próximo com outros indivíduos. O ambiente e as condições de trabalho são fundamentais para que a síndrome se desenvolva, mas a sua manifestação depende muito mais da reação individual de cada um diante dos problemas que surgem na rotina profissional. A sensação de inadequação na empresa e o sofrimento psíquico intenso aparecem geralmente nos sintomas físicos, quando não dá mais para disfarçar a insatisfação, porque ela afetou a saúde. O tratamento da Síndrome de Burnout é essencialmente psicote-rapêutico. Porém, em alguns casos, não é preciso utilizar medicamentos como os antidepressivos para atenuar a ansiedade e a tensão, sendo sempre necessária a avaliação médica e, caso haja necessidade do uso de remédio, a prescrição feita por um médico especialista. MARIA CÉLIA Maria Célia Couto Mello nasceu em São Borba, no Rio Grande do Sul. Como seu pai era médico militar morou em várias cidades. Cursou Medicina na Universidade Federal de Recife e formou-se em 1972. Durante o curso percebeu que queria ver o ser humano como um todo, por isso decidiu estudar Psiquiatria na Universidade Federal da Bahia. Em 1973 veio parar em Brasília, onde fez residência médica por dois anos no Hospital das Forças Armadas e depois foi ser professora na Universidade de Brasília. Entrou na Fundação Hospitalar, no Hospital São Vicente de Paulo, como concursada e no Hospital da Asa Norte. Maria Célia resolveu mudar para Salvador, ficando lá por seis anos. Ao voltar, reencontrou colegas e, em uma reunião no Sindicato do Médicos, ficou sabendo que haveria uma assembleia, porque os médicos estavam insatisfeitos com a qualidade de trabalho. Lá, ela encontrou as médicas Ana e Olga e as três ficaram chocadas com relatos dos médicos. Atualmente, é aposentada e se dedica a cuidar da saúde dos colegas. ANA MARIA Ana Maria Gomes Soares nasceu em São Luís (MA) e formou-se em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Maranhão, em 1969. Especializou-se em Hematologia no Rio de Janeiro. Nos primeiros contatos com pacientes hematológicos, terminais e de doenças crônicas passou a identificar as dificuldades e a angústia em lidar com a morte e o estresse da profissão médica, o que a levou a procurar ajuda e iniciar cursos de autoconhecimento. Em fevereiro de 1974, veio exercer a Hematologia no Hospital das Forças Armadas (HFA) e ingressou na antiga Fundação Hospitalar do DF, hoje, Secretaria de Saúde. Em 1987 chefiava a Unidade de Hematologia e Hemoterapia do HFA e do Hospital Regional de Asa Sul. Estressada, de médica passou a sentir na pele o que é ser paciente. Foi remanejada para o Programa de Prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS, na responsabilidade do programa educativo. Lá, iniciou cursos para profissionais de saúde. Aos poucos, ingressou na Medicina Psicossomática OLGA MESSIAS Olga Messias Alves de Oliveira nasceu em Goiânia, passou a infância estudando em escola pública e o 2° grau fez no Liceu de Goiânia, fazendo o científico para Medicina. Desde pequena sonhava em ser médica e adorava fazer chá para as bonecas e brincar de operá-las. Chegou em Brasília em 1972 porque havia ganhado uma bolsa de cursinho. Entrou na Universidade de Brasília e fez Medicina, com especialização em Cirurgia Pediátrica. A residência foi no Hospital de Base. Ela fez o concurso para a Secretaria de Saúde em 1981. Esse trabalho era conciliado com a clínica particular onde realizava cirurgias pediátricas. Olga atuou em vários locais do DF e lutou por melhorias no sistema de saúde, o que deixou sua saúde fragilizada. Seu organismo não aguentou e ela sofreu alguns traumas físicos. “Tive problema no olho porque passei muita raiva dentro do serviço de saúde de Brasília”. Para tentar mudar esse quadro, ela fez o curso Cuidando do Cuidador, o que mudou sua qualidade de vida. “O índice de suicídio entre os médicos é grande. Quero fazer algo para ajudá-los.
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