AIDS na 3ª idade
O aposentado Romualdo (nome fictício), hoje com 75 anos, em 2001 começou a emagrecer e se sentir fraco. Um dia, conversava com um amigo na porta de casa, quando precisou sentar para não desmaiar. A família, preocupada, procurou um amigo médico, que pediu uma série de exames com urgência. Quando a irmã abriu e viu o resultado, não disse nada, e marcou imediatamente um especialista, que foi muito claro ao dar o resultado: “aids”.
“Eu nem sonhava com isso”, disse. O vírus foi contraído com uma mulher com quem teve um relacionamento após se separar da esposa. Ele recebeu até um recado do ex-marido dessa mulher, que era para tomar cuidado, pois ela era soropositiva, mas já era tarde demais, havia feito sexo sem nenhuma proteção. “Não me abalei com o resultado, mas iniciei o tratamento e levo muito a sério. O importante nisso tudo foi minha família não ter me abandonado e me apoiar até hoje”, explica.
Romualdo faz parte de uma estatística crescente no Brasil. De acordo com o último Boletim Epidemiológico aids e DST (2013), a taxa de detecção entre o público com mais de 60 anos por 100 mil habitantes cresceu mais de 80% nos últimos 12 anos no País. O índice de 4,8% (2001) saltou para 8,7%, em 2012. Para especialistas, esse aumento é resultado de uma fraca atuação de conscientização e combate entre os idosos. Segundo dados do Ministério da Saúde, 0,04% da população acima de 65 anos é portadora do vírus HIV, o que significa que 5,5 mil idosos têm a doença no Brasil.
Só em Rio Preto, dados da Secretaria Municipal de Saúde mostram que, nos últimos 15 anos, o número de casos de aids na terceira idade quase que dobrou: foram 78, contra 40 entre 1984 e 1998. A maioria dos contaminados na terceira idade entre os anos de 1984 e 2013, ou 97 casos, estava na faixa entre 60 e 69 anos. O índice de pessoas com mais de 60 anos corresponde a apenas 2,7% do total de casos registrados em Rio Preto no período, mas não pode ser ignorado e faz parte de uma constatação: homens e mulheres na terceira idade estão fazendo sexo sem prevenção e se contaminando com o vírus da aids. “O que eu posso dizer para as pessoas para não adoecerem? Para que se cuidem e usem preservativo. Nunca pensei que isso pudesse acontecer comigo, mas aconteceu”, explica Romualdo.
Crescimento preocupante

O preservativo muitas vezes dificulta a ereção, o que acaba sendo colocado em segundo plano pelo homem.
“Estamos diante de uma nova geração de idosos, muito mais ativos sexualmente, mas a escassez da inclusão desse grupo etário em campanhas de prevenção faz com que as pessoas se sintam à margem dos riscos de serem contaminadas pelo HIV, o que sustenta comportamentos inapropriados”, explica Buskman. A própria família não apoia a ideia de os idosos terem libido e vida sexual. “Esse papel de conscientização compete ao governo e à própria sociedade que tem a sensação que envelhecimento está ligado à incapacidade”, explica Buksman.
Embora não seja alarmante, o número de casos em Rio Preto exige atenção, uma vez que os idosos não se sentem vulneráveis. “A maior dificuldade se dá pelo fato de que o atual idoso viveu numa época em que o uso de preservativo não era difundido. Para esses idosos, o preservativo é um elemento pouco utilizado anteriormente, o que gera uma dificuldade técnica de utilização”, explica Aracelis de Castros Aschar, coordenadora do Centro Municipal de Controle e Prevenção a Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs).
Exames gratuitos
Em Rio Preto, o exame é feito de graça nas 26 Unidades Básicas de Saúde (UBS), pelo programa “Fique Sabendo”. Não é preciso passar pelo médico e, por meio de um exame de sangue, é possível detectar HIV, sífilis e hepatites B e C. O resultado sai em 20 dias. No Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) do Centro de Controle e Prevenção de DST/AIDS ou COAS, o resultado sai em 40 minutos.
O Sistema Único de Saúde (SUS) também oferece teste rápido para SIDA, que utiliza o fluido oral líquido que fica na boca para identificar se a pessoa é portadora ou não do vírus HIV.
O projeto em Rio Preto é executado pela Associação e Centro de Pesquisas Unidade Brasileira (ACEPEUB).
Exame e Tratamento
::Aracelis de Castros Aschar, coordenadora do Centro Municipal de Controle e Prevenção a Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), recomenda que, pelo menos uma vez na vida, as pessoas façam o exame.
::A aids entre os idosos, muitas vezes, produz um sentimento de culpa e vergonha. Muitos têm dificuldades para aceitar sua nova situação e são resistentes em revelar o diagnóstico para pessoas próximas, o que pode prejudicar a adesão ao tratamento
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