Doentes a fazer o tratamento para a TB podem ser por um período mais longo potencialmente mais infecciosos do que se pensava
Michael Carter Published: 25 August 2010 Nota do Editor de Soropositivo.Org: TB é jargão médico ara Tuberculose Os investigadores reportam na 15ª edição do Clinical Infectious Diseases que os doentes...

Os investigadores reportam na 15ª edição do Clinical Infectious Diseases que os doentes a fazer a terapêutica directamente observada (TOD) para a tuberculose (TB) podem ser potencialmente infecciosos por um período superior ao que se pensava. Mais, os investigadores concluíram que muitos doentes tinham uma cultura positiva para a TB apesar de o esfregaço ser negativo.
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Apesar do resultado positivo associado ao prolongamento de esfregaço/ cultura durante o tratamento ter sido associado à resistência aos medicamentos para a TB, a maioria dos doentes sensíveis ao tratamento também demoraram mais de duas semanas para obter o resultado positivo na cultura, e 10% dos doentes sensíveis ao tratamento ainda apresentavam uma cultura positiva dois meses após iniciarem o tratamento.
Há muito que se considera que os doentes susceptíveis aos medicamentos da TB não são infecciosos após duas semanas de tratamento da infecção.
“Os dados apresentados aqui questionam a noção de que os doentes com TB com cultura positiva no início do tratamento não são infecciosos após duas semanas de tratamento tal como os que têm esfregaço negativo” escrevem os investigadores, “a maioria dos doentes tinham cultura positiva após duas semanas, e uma percentagem significativa permaneceu positiva durante meses”.
O estudo foi conduzido em Lima, no Peru, e envolveu 93 doentes com cultura e esfregaço positivo para a TB, tendo sido disponibilizado a TOD.
Nos seis meses que se seguiram ao início do tratamento para a TB, recolheram-se amostras de expectoração. Foram analisadas para se observar se a expectoração negativa era também negativa na cultura; quanto tempo demorava para a TB se tornar, tanto no esfregaço como na cultura, negativa; e para observar se a presença de resistência aos medicamentos era associada à demora a passar a negativa.
A média do tempo para os doentes negativarem no esfregaço foi de 18 dias após iniciarem a terapêutica da TB, e para negativarem na cultura, a média foi de 41 dias.
Contudo, levou uma média de 48 dias para que 90% dos doentes tivessem um esfregaço negativo e uma média de 93 dias para que 90% obtivessem uma cultura negativa.
A presença de tuberculose multi-resistente (TB-MDR) foi associada a um período mais longo, tanto para o esfregaço como para a cultura negativa.
Noventa por cento dos doentes resistentes ao tratamento da TB tinha a cultura negativa após 60 dias, contudo, demorou em média, 124 dias para que os doentes com TB-MDR alcançassem estes resultados.
Em análise estatística, a TB-MDR demonstrou ser um factor preditivo no atraso em obter um resultado da cultura negativo (p = 0.007).
No início do tratamento, 67% dos doentes com cultura positiva de TB-MDR tinham também o esfregaço positivo. Após 120 dias de tratamento, 80% dos doentes com cultura positiva tinha o esfregaço negativo para a TB-MDR.
Entre os doentes com resistência aos tratamentos para a TB, a média para obter cultura negativa foi de 36,5 dias.
“O estudo demonstra que os doentes com TB sem resistências permanecem com a expectoração positiva por muito mais tempo do que o pensado”, comentam os investigadores.
Acrescentam que, “a conversão da expectoração e cultura de positivas para negativas é significativamente retardada tanto pela TB-MDR como pela resistência que não é classificada como MDR”.
Sob a maioria de regimes terapêuticos de TOD, os doentes mudam o tratamento inicial que consiste em quatro medicamentos para uma combinação de dois fármacos após 60 dias, caso a cultura seja negativa. Os investigadores comentam que “os nossos dados indicam o resultado positivo frequente da colheita em doentes com esfregaço negativo neste período de tempo; tal pode explicar, em parte, as elevadas taxas de recorrência de MDR em doentes considerados “curados” através do “diagnóstico da colheita”
Os investigadores concluem que, “a longo prazo, o esfregaço e a resistência ao tratamento devem ser considerados em conjunto, caso a transmissão da TB seja controlada”.
O autor do editorial que acompanha o estudo sugere que este estudo ilustra “a necessidade de novos esforços para avaliar e pôr em causa os nossos paradigmas de controlo da tuberculose. Nos últimos 10 anos, a TB alterou as regras do jogo, ao passo que as nossas políticas permaneceram as mesmas. Novas políticas de saúde baseadas na evidência científica são urgentemente necessárias para dar resposta ao crescente problema da tuberculose resistente aos medicamentos”.
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