Hepatite C ataca mais quem teve muitos parceiros sexuais

0
ÚLTIMO SEGUNDO | BRASIL

DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSIVEIS | HEPATITE

01/07/2010

Subtipo do vírus da HEPATITE C que mais cresce, o 1a, ataca com mais frequência pessoas que tiveram múltiplos parceiros

Os pesquisadores também perceberam que, conforme aumenta a densidade populacional, aumenta o número de infectados. O estudo foi o primeiro a mostrar que cada subtipo do vírus da HEPATITE C associa-se a grupos sociais com diferentes hábitos e é transmitido em diferentes redes de relacionamentos.

O vírus da HEPATITE C já infectou mais de 170 mil de pessoas no mundo todo. A doença é uma virose que causa inflamação do fígado e com frequência evolui para câncer ou cirrose. A doença é contraída pelo contato com sangue contaminado. No Brasil, onde afeta cerca de 2 mil de pessoas, três subtipos do vírus estão presentes, chamados de 1a, 1b e 3a.

O estudo não prova que o vírus é transmitido por sexo entre heterosexuais. O número de parceiros foi apenas uma maneira indireta de deduzir o número de conexões que as pessoas fizeram ao longo da vida.

Crescimento exponencial

Os pesquisadores estudaram 591 pessoas com HEPATITE C no estado de São Paulo. Analisando a diversidade genética dos vírus encontrados, eles perceberam que, a partir da década de 1990, a transmissão do subtipo 1b começou a crescer com velocidade menor, enquanto a do tipo 1a passou a crescer exponencialmente.

Eles também perceberam que o subtipo que está crescendo mais circula preferencialmente entre pessoas com muitas conexões. Dos infectados que tinham feito sexo com mais de 50 parceiros durante a vida, cerca de 60% possui o subtipo 1a, enquanto os pacientes com 5 ou menos parceiros durante a vida têm uma prevalência de cerca de 30% de 1a.

Essas pessoas, em sua maioria homens nascidos por volta de 1963, também apresentavam mais fatores de risco para a HEPATITE C, como a presença de DSTS, encarceramento e sexo desprotegido ou com pessoas que usam drogas injetáveis. Já os infectados pelos subtipos 1b nasceram por volta de 1940 e os infectados pelo 3a, de 1953, e tinham como principal fator de risco o fato de terem feito transfusões antes de 1993.

“O 1a já é o segundo subtipo mais comum em nossa amostragem e, aparentemente, em pouco tempo deve superar o 1b”, explica a bióloga Camila Romano, do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), uma das autoras da pesquisa.

Até o início da década de 1990, a maioria das pessoas era contaminada pelo subtipo 1b, ao receber transfusões de sangue com o vírus, ou compartilhar seringas com pessoas contaminadas. Mas o número de casos continua crescendo, mesmo depois de os bancos de sangue fazerem testes anti-hepatite e o governo passar a distribuir seringas aos usuários de drogas. “Claramente o vírus está sendo transmitido por outras vias, que não bolsas de sangue e seringas contaminadas”, diz Camila.

Redes de relacionamento

De acordo com os pesquisadores, conforme aumenta a densidade populacional, cresce a transmissão da HEPATITE C, já que ele favorece o aumento do número de conexões entre as pessoas.

O pesquisador Paolo Zanotto, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP explica que, já que o vírus circula preferencialmente entre as poucas pessoas que tem muitas conexões, a estratégia ideal para diminuir a HEPATITE C é diminuir a transmissão do vírus feita por essas pessoas.

Ele compara a rede de transmissão de HEPATITE C com o sitema aeroportuário brasileiro, que possui poucos pontos de convergência, para onde afluem muitos passageiros. “Redes com poucos nós são mais sujeitas a ataques – ou a apagões.”

Atualmente o tratamento contra a HEPATITE C consiste em antivirais que nem sempre são eficazes e têm efeitos colaterais como fadiga, queda de cabelo e anemia. O desenvolvimento de uma vacina também é complicado, pois um paciente já infectado por um vírus pode ser re-infectado por

outros.

A pesquisa foi publicada em artigo na Public Library of Science (PLoS) One, uma revista científica americana de acesso aberto. Além de Camila e Zanotto, assinam o artigo pesquisadores do Instituto Butantan, do Instituto de Medicina Tropical, da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, da Universidade Estadual da Pensilvânia e dos Institutos Nacionais de Saúde (ambos do Estados Unidos) e da Rede de Diversidade Genética de Vírus (VGDN), programa da Fapesp.


Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Artigo anteriorExposição: Points gays do Rio são destaque em festivais na Europa
Próximo artigoMedicamento para hepatite em falta
🌟 25 Anos de História e Dedicação! 🌟 Há mais de duas décadas, compartilho experiências, aprendizados e insights neste espaço que foi crescendo com o tempo. São 24 anos de dedicação, trazendo histórias da noite, reflexões e tudo o que pulsa no coração e na mente. Manter essa trajetória viva e acessível a todos sempre foi uma paixão, e agora, com a migração para o WordPress, estou dando um passo importante para manter esse legado digital acessível e atual. Se meu trabalho trouxe alguma inspiração, riso, ou reflexão para você, convido a fazer parte desta jornada! 🌈 Qualquer doação é bem-vinda para manter este espaço no ar, evoluindo sempre. Se VC quer falar comigo, faça um PIX de R$ 30,00 para solidariedade@soropositivo.org Eu não checo este e-mail. Vejo apenas se há recibos deste valor. Sou forçado a isso porque vivo de uma aposentadoria por invalidez e "simplesmente pedir" não resolve. É preciso que seja assim., Mande o recibo, sem whats e conversaremos por um mês

SEM COMENTÁRIOS

Deixe uma respostaCancelar resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading

Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading

Sair da versão mobile