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HIV/AIDS e Processos Migratórios – Maior Vulnerabilidade

Pe­lo mu­nicípio de Bra­si­leia, sul do es­ta­do do Acre, en­tram por ter­ra a mai­or­ia dos imi­gran­tes hai­ti­a­nos que che­ga ao Bra­sil. Em bus­ca de uma vi­da mel­hor, mui­tos de­les cam­in­ham di­as e já che­gam fra­cos e do­en­tes. Sem in­fra-es­tru­tu­ra pa­ra aten­der to­das es­sas pess­oas, são im­pro­vis­a­das aco­mo­dações em qua­dras de es­por­tes e os bom­beir­os são cha­ma­do pa­ra aju­dar nos cuid­a­dos.

O re­la­to aci­ma é da co­or­de­na­do­ra do Pro­gra­ma Es­ta­du­al de DST/Aids do Acre, Fran­cim­ary Mu­n­iz de Li­ma. Ela par­ti­ci­pa, em São Pau­lo, dos Con­gres­sos e Fóruns Bra­si­leir­os e La­ti­no-amer­ica­nos de Pre­venção às DST, Aids e Hep­at­ites Vi­rais, que te­ve na pro­gra­mação o de­ba­te “Mun­do em mo­vi­men­to: pro­ces­sos mi­gratóri­os e as vul­ner­ab­il­id­ades às DST”.

Se­gun­do Fran­cim­ary, as au­tor­id­ades de saúde do Acre fi­ca­ram de­ses­per­a­das com os res­ul­ta­dos de uma re­cen­te cam­pa­nha de acon­sel­ha­men­to e test­agem pa­ra o HIV e hep­at­ites fei­ta em Bra­si­leia. “Além da al­ta pre­v­alência, o prob­le­ma era co­mo con­tar aos hai­ti­a­nos que só fa­la­vam francês ou cri­ou­lo que es­ta­vam in­fec­ta­dos”, dis­se. “A saída foi en­sin­ar um pou­co de es­pan­hol pa­ra al­guns pro­fess­ores e até en­gen­heir­os que es­ta­vam no gru­po de hai­ti­a­nos e usá-los co­mo tra­du­to­res”, ex­pli­cou.

A cam­pa­nha que en­vol­veu mais de 300 hai­ti­a­nos en­con­trou pre­v­alência média do HIV de 5% e de hep­at­ite B em cer­ca de 10%. Se­gun­do es­tim­ati­vas na­ci­on­ais, a média de in­fec­ta­dos com HIV no Bra­sil é de 0,6% e de hep­at­ite B 0,37%.

A di­re­to­ra do In­sti­tu­to Bra­si­lei­ro de In­ovações Pró-so­ci­e­da­de Saudável do Cen­tro-Oes­te (IBISS|CO), Es­te­la Scan­do­la, também é es­pe­ci­a­lis­ta em imi­gração. Se­gun­do ela, co­mo qua­se to­dos imi­gran­tes estão de pas­sa­gem por Bra­si­leia, eles se tor­nam “in­visíveis” pa­ra as polític­as públi­cas na área da saúde. “Co­mo eles não se re­gis­tram nos ser­viços, nem ti­ram doc­u­men­tos, aca­bam sen­do ig­nor­a­dos”, ex­pli­cou.

Al­ber­to Kleim­am, as­ses­sor de As­sun­tos In­ter­na­ci­on­ais do Min­istério da Saúde, ou­viu as di­fer­en­tes ex­pe­riênci­as com pop­ulações imi­gratóri­as e se com­pro­met­eu a di­vi­dir com out­ras au­tor­id­ades da Pas­ta e do Min­istério da Jus­tiça o prob­le­ma. “Creio que es­te de­ba­te po­derá mo­ti­var a criação de al­guns pro­je­tos na­ci­on­ais con­tra a vul­ner­ab­il­id­ade des­ta pop­ulação”, dis­se.

Fon­te: Agênci­as de Notíci­as da AIDS

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