Homens maiores de 60 são principais vítimas do diagnóstico tardio, diz médico
Publicado em 19 de junho de 2009 (há 17 anos, 3 meses e 29 dias)Atualizado em 31 de julho de 2026 (há 2 meses e 17 dias) DOCUMENTO HISTÓRICO E ACERVO Nosso acervo conta com mais de 5.000 publicações....
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Folha de S. Paulo | Editoria: | Pág. | Dia / Mês/Ano: |
Cotidiano |
| 15/FEVEREIRO/08 |
LAURA CAPRIGLIONE
DA REPORTAGEM LOCAL O médico infectologista Caio Rosenthal, um dos mais profundos conhecedores da epidemia de AIDS no Brasil, considera que o aumento no percentual de soropositivos para HIV que buscam tardiamente o tratamento médico está relacionado -entre outros fatores- à reativação da atividade sexual por pessoas de mais de 60 anos. "Com os novos medicamentos para disfunção erétil, homens de mais idade saem por aí em busca de sexo, achando que podem tudo. O problema é que são pessoas, muitas vezes, refratárias ao uso de PRESERVATIVOS, que não se consideram expostos ao risco da infecção pelo vírus HIV, que são mais conservadoras e, por fim, que têm mais receio de se expor ao escrutínio médico." O diagnóstico de Rosenthal baseia-se em sua experiência clínica no Instituto de Infectologia Emílio Ribas e no hospital Albert Einstein, ambos em São Paulo, referências no tratamento de soropositivos para HIV. O estudo do Ministério da Saúde divulgado ontem mostra que pessoas entre 15 e 19 anos foram as que apresentaram a maior proporção de início de tratamento em momento oportuno, "com uma taxa de 83,8%". Já pessoas com mais de 60 anos, por exemplo, apresentaram uma maior probabilidade de chegar tardiamente aos serviços de saúde (da ordem de 6,95 vezes mais), quando comparados àquelas com idade entre 15 e 19 anos. Segundo o médico, o ingresso tardio do paciente no tratamento tem repercussões graves no prognóstico. "É aquele paciente que chega ao posto de saúde já fragilizado, abrindo o quadro de AIDS com meningite ou tuberculose, pneumonia, diarréia severa", diz Rosenthal. "Em geral, logo antes de uma dessas doenças oportunistas, o paciente já sofria de emagrecimento intenso, tinha unhas com micoses, pele ressecada, cabelos finos e febres inexplicáveis, típicos em casos de imunossupressão grave." Para o médico, o correto seria fazer como os Estados Unidos, que realizam testes em massa na população, que permitem o acompanhamento precoce dos infectados pelo HIV. "Comcerteza, beneficiaria o paciente e ainda baratearia o custo dele no sistema público de saúde.
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