Jovens Soropositivos

Jovens Soropositivos: O desafio de se manter no tratamento

Embora adolescentes e jovens adultos sejam tão suscetíveis quanto pessoas mais velhas a serem vinculados aos cuidados após o diagnóstico de HIV, menos de um terço deles foi retido no cuidado ou iniciou terapia antirretroviral (TARV), e apenas 7% atingiram carga viral indetectável — uma taxa muito mais baixa do que a observada entre indivíduos mais velhos, relataram os pesquisadores na 8ª Conferência Internacional da AIDS Society sobre Patogênese, Tratamento e Prevenção do HIV, realizada no mês passado, em Vancouver. No entanto, o pronto encaminhamento de jovens a serviços amigáveis aumentou a probabilidade de supressão viral.

Jovens Soropositivos O Que Acontece?

Bill Kapogiannis, do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano, e seus colegas pesquisadores do SMILE Collaborative analisaram o continuum de cuidados para jovens com HIV. SMILE (Iniciativa Estratégica Multicêntrica para Identificação, Articulação e Envolvimento no Cuidado de Jovens Diagnosticados com HIV) é uma colaboração entre a Rede Nacional de Ensaios de Medicina do Adolescente para Intervenções sobre HIV/AIDS (ATN), a Administração de Recursos e Serviços de Saúde (HRSA) e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

O continuum ou cascata de atendimento refere-se à sequência de etapas desde os testes de HIV e diagnóstico, à articulação no cuidado, início do tratamento e, finalmente, a supressão viral. Pesquisadores da área da saúde pública acompanham o progresso no tratamento da epidemia observando quantas pessoas “se perdem” ou deixam de receber atendimento em cada etapa.

Faixa etária dos jovens soropositivos

Cerca de um quarto de todos os novos casos de infecção pelo HIV nos Estados Unidos ocorre entre jovens na faixa etária de 13 a 24 anos, observaram os pesquisadores, destacando a falta de dados específicos sobre o envolvimento dos jovens no cuidado.

O CDC estima que 86% dos 1,2 milhões de pessoas vivendo com HIV nos EUA foram testadas e conhecem seu status, mas esse percentual cai para 49% entre jovens de 18 a 24 anos, de acordo com números relatados no Relatório Semanal de Morbidade e Mortalidade de 28 de novembro de 2014.

O Estudo

O estudo SMILE focou na próxima etapa do continuum, analisando os resultados de 1.548 jovens, entre 12 e 24 anos, diagnosticados com HIV e identificados pela colaboração entre outubro de 2012 e setembro de 2014. Entre os 733 participantes com dados disponíveis, 81% eram do sexo masculino e 72% eram negros; 70% se identificaram como gays ou bissexuais. A idade média foi de 20,6 anos, e a contagem média de células T-CD4 foi de 463 células/mm³.

Os pesquisadores determinaram o número de participantes que foram encaminhados para o atendimento, vinculados ao cuidado (dentro de 42 dias após o encaminhamento), que permaneceram no atendimento (definido como ao menos uma visita adicional dentro de 16 semanas após a vinculação), mantidos no cuidado (ao menos uma visita adicional dentro de 52 semanas de envolvimento) e que alcançaram supressão viral ou RNA de HIV indetectável no plasma.

Resultados

Do total de 1.548 participantes diagnosticados com HIV, 1.053 (68%) foram recentemente vinculados aos cuidados de saúde. Destes, 839 participantes (80%) permaneceram no atendimento e, entre estes, 473 (56%) foram mantidos no cuidado.

Observando os números em relação ao total inicial diagnosticado com HIV — e não apenas aqueles que alcançaram a etapa anterior no continuum —, 54% foram vinculados ao atendimento, 31% foram mantidos no cuidado, 31% iniciaram TARV e 7% alcançaram carga viral indetectável.

Entre as 358 pessoas que não foram vinculadas com sucesso ao atendimento, os principais motivos incluíram faltas repetidas às consultas (34%), incapacidade de localizar o participante (32%), recusa do atendimento pelo participante (11%) e problemas com a competência dos serviços (11%).

Baixas contagens de CD4

No momento da vinculação ao atendimento, 38% dos participantes tinham uma contagem de células CD4 acima de 500 células/mm³, 29% tinham entre 350-500 células/mm³ e 34% tinham menos de 350 células/mm³.

À medida que os participantes avançavam nas etapas do continuum de cuidados, a média da carga viral diminuía progressivamente, enquanto a proporção de RNA do HIV indetectável aumentava.

Preditores significativos de supressão viral em uma análise ajustada incluíram menor carga viral no momento da vinculação ao atendimento, uso recente de TARV (razão de risco ajustada 3,10, ou mais de três vezes maior) e um intervalo mais curto entre o teste e o encaminhamento para articulação no cuidado (razão de risco ajustada de 1,64 para 0-7 dias, 2,52 para 7 dias a 6 semanas e 2,08 para 6 semanas a 3 meses, em comparação com mais de 3 meses).

Baixa taxa de supressão viral

A taxa de 7% de supressão viral observada nesta análise é surpreendentemente baixa — substancialmente inferior aos cerca de 40% observados em todas as faixas etárias combinadas, de acordo com o Projeto de Vigilância do CDC, relatado em julho de 2015.

“O estudo colaborativo SMILE demonstrou que jovens infectados pelo HIV apresentavam níveis elevados de viremia plasmática e infecção avançada no momento do diagnóstico, o que tem implicações para a progressão da doença e o potencial de transmissão”, concluíram os pesquisadores. “Embora estejam vinculados ao atendimento em taxas similares às dos adultos, os jovens apresentam taxas desproporcionalmente baixas de supressão virológica“.

A Importância do acolhimento

“O pronto encaminhamento de jovens a serviços de saúde amigáveis após o teste de HIV é um preditor independente de supressão da carga viral”, continuaram. “Desenvolvimentos recentes, que enfatizam a urgência de iniciar o tratamento antirretroviral em pessoas infectadas pelo HIV, têm implicações diretas para os jovens, que agora têm ainda menos tempo para se adaptarem ao novo diagnóstico. Isso aponta para a necessidade de mais pesquisas e serviços que abordem questões críticas de disponibilidade de tratamento e adesão à medicação entre os jovens recém-infectados.”

Traduzido em 30/11/2015, às 03:07, do original “IAS 2015: HIV+ Youth Are Less Likely than Adults to Achieve Viral Suppression on ART” por Cláudio Souza. Revisado por Mara Macedo no dia 30/11/2013.

Home | International AIDS Society (IAS)

 

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