Mulheres discutem superação da pobreza e do preconceito

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, Mariana Toniattida RedaçãoFortaleza sediou um dos três encontros da Chamada Global para a Ação contra a Pobreza da América Latina e Caribe. As discussões em 2007 tem como tema os desafios da emancipação da mulherLucimar de Oz Oliveira, 40, veio de um assentamento em Ocara, cidade distante 100 quilômetros de Fortaleza, participar do encontro da Chamada Global para a Ação contra a Pobreza na América Latina e Caribe, realizado ontem num salão do Teatro José de Alencar. Algumas vizinhas vieram junto. “Por teimosia, às custas de discussão com o marido”. Lucimar conhece bem o tema que norteou os debates: os desafios da emancipação da mulher. Cumprindo o segundo mandato como coordenadora do assentamento onde mora, teve que se impor para provar que poderia administrar a comunidade com competência. “Me sentia diminuída, desvalorizada por ser mulher. Tive que provar que sou capaz.” Conseguiu. “Em parte. Digamos que hoje metade do assentamento me aceita”, sorri. Pelo menos as pessoas entenderam que as reuniões do grupo de mulheres não são “para falar dos homens, fofocar besteira ou ensinar coisa errada.” Elas criaram uma cooperativa de beneficiamento de castanha de caju e hoje ganham o próprio dinheiro. Junto com Lucimar, outras lideranças de comunidades do Sertão Central, do litoral e da região dos Inhamuns formaram a platéia do encontro, exclusivamente feminina. A decisão de colocar a mulher no centro das discussões neste ano é reflexo da “feminização da pobreza.” Segundo a Chamada Global para a Ação contra a Pobreza, 70% dos pobres do mundo e 65% dos analfabetos são mulheres. A desigualdade reforça a dominação sobre elas. É um acúmulo de discriminação: mulher, pobre e analfabeta. Benilda Brito, do Coletivo de Mulheres Negras N”ziboa, de Belo Horizonte, lembra que fazendo um recorte sobre sexo e raça, a situação ainda piora. “Um portador do HIV já é discriminado. Se for negra e mulher, já viu.” Daí, segundo ela, a importância dos movimentos feministas segmentados. Outra representação nacional esteve presente, o Movimento de Mulheres Camponesas. Rosângela Cordeiro, da direção nacional participou do debate à tarde. Entre as conquistas das mulheres do campo, a titulação conjunta da terra – obrigatória desde 2005 se o lote pertencer a um casal (o que também inclui casais gays) – é uma das mais importantes. O desafio é conscientizar as próprias mulheres de que o trabalho desenvolvido por elas não é uma ajuda ao trabalho do marido. É a mulher quem cuida dos animais pequenos e trabalha na horta. “O que a família come é produzido por ela, mas como não entra como moeda, vira um trabalho invisível”, diz Rosângela. Além de Fortaleza, Brasília e Lima, no Peru, sediam encontros da Chamada Global para Ação contra a Pobreza da América Latina e Caribe. Mais informações: Acesse http://www.chamadacontrapobreza.org.br FIQUE POR DENTRO – A Chamada Global para Ação contra a Pobreza é uma das maiores alianças já organizadas por cidadãos e cidadãs em todo o mundo. Ela reúne 200 organizações e movimentos sociais em mais de 100 países e tem a faixa branca como símbolo. – O tempo de atendimento de mulheres brancas é maior que o dispensado a negras na rede pública de saúde do Brasil. O dado é de uma pesquisa realizada em 2006 pelo Ministério da Saúde. Além disso, o profissional de saúde tende a tocar menos o corpo da mulher negra e utiliza menos anestesia nos processos cirúrgicos – No fim do mês de novembro, uma grande manifestação dos movimentos feministas brasileiros será realizada em Brasília. A ação é uma reivindicação do direito à Previdência Social. “As tarefas que não se dividem entre homens e mulheres e não se prestam à exploração do Capitalismo também têm de garantir à mulher uma proteção social na velhice”, disse Guacira Oliveira, do Centro Feministas de Estudo e Assessoria, uma das entidades envolvidas no Fórum Itinerante pela Previdência Social.

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