Um estudo recentemente publicado sobre os casos de TB XDR numa mina de ouro Sul Africana sugere que a tuberculose extremamente resistente a medicamentos tem maiores probabilidades de surgir como resultado de um atraso no diagnóstico, tratamento sub-óptimo e um mau controlo de infecção, e não na falha da adesão ao tratamento por parte dos doentes.
A TB resistente é uma preocupação emergente na África do Sul e em 2006, um conjunto de casos de TB XDR foram identificados em KwaZulu Natal, levando a tentativas nacionais de implementação de um melhor controlo da infecção e testes de susceptibilidade a medicamentos.
No entanto, a TB resistente permanece um grande desafio para a África do Sul e as nações na região, onde as taxas elevadas de tuberculose estão a ser exarcebadas pela infecção pelo VIH, o que torna as pessoas expostas à TB muito mais susceptíveis de desenvolverem doença activa.
O estudo, publicado esta semana jornal online, Emerging Infectious Diseases, do Centro dos Estados Unidos para o Controlo de Doenças, (CDC) observou 128 doentes diagnosticados com infecção pela TB resistente a medicamentos numa única mina de ouro na província a Nordeste da África do Sul, entre Janeiro de 2003 e Novembro de 2005.
Embora a mina de ouro tenha alcançado uma taxa de cura superior a 85% no tratamento de novos casos de esfregaço positivo em 2001, seguindo a introdução de um tratamento directamente observado (DOT) para assegurar uma óptima adesão, novos casos continuaram a surgir e a incidência de TB resistente a medicamentos também está a aumentar.
Investigadores da Stellenbosch University, Harvard University School of Public Health e do West Vall Hospital identificaram 128 casos de TB resistente entre 3003 casos de TB notificados no hospital das minas de ouro. Oitenta e quatro eram seropositivos para o VIH, sete eram seronegativos e os restantes tinham um estatuto serológico de VIH desconhecido. Sessenta e dois por cento dos infectados por TB MDR, tinham uma contagem de células CD4 inferior a 200, indicando uma infecção pelo VIH já em estado avançado, mas apenas 8% estavam a receber tratamento anti-retroviral na altura do diagnóstico da TB MDR.
Apenas 31% dos diagnosticados com TB MDR foram curados; 35% morreram, com os restantes ainda a receber tratamento no momento da análise.
Os investigadores concluíram que 74 isolados de TB demonstraram semelhanças para com pelo menos um outro isolado, indicando transmissão, e foram agrupados em 11 grupos de transmissão, o maior dos quais, envolvia 42 doentes. Os investigadores calcularam que 71% dos doentes tinham adquirido TB resistente a medicamentos a partir de outro doente.
Os isolados infectados por TB multi-resistente a medicamentos eram mais prováveis de serem encontrados em grupos do que os que se revelaram resistentes a um único medicamento; as estirpes que foram classificadas como TB XDR ou pre-XDR (TB MDR resistente aos agentes de segunda linha, kanamicina ou ofloxacina) tinham 27 vezes mais probabilidades de serem encontrados num grupo do que em isolados com uma resistência menor aos medicamentos (OR 27,42, p< 0,01), e não foram identificados factores de risco adicionais para os agrupamente nas análises multivariadas.
No maior grupo de 42 doentes, três quartos dos doentes tinham sido hospitalizados por TB não MDR (numa ala geral de TB) ao mesmo tempo que outro doente no grupo foi internado no hospital sob cuidados para a TB MDR. Uma vez que todos os doentes infectados pela TB receberam cuidados na mesma ala até serem diagnosticados com TB MDR, não é difícil ver como um grupo tão grande poderia ter emergido em apenas um local.
Em adição, 92% dos doentes infectados pela TB MDR no grupo tinham trabalhado na mesma mina do que outra pessoa no mesmo grupo TB MDR, e 85% viviam no mesmo dormitório do que outro caso de TB MDR anterior ao diagnóstico.
Cinquenta e nove por cento dos doentes infectados pela TB MDR em qualquer grupo tinham um historial anterior de tratamento à TB.
Os autores fazem um número de recomendações para controlar a disseminação da TB MDR dentro dos hospitais e nos locais de trabalho:
**Assegurar-se de que todos os indivíduos elegíveis para a terapêutica anti-retroviral estão a recebê-la, de modo a reduzir o número de indivíduos susceptíveis de desenvolverem TB activa.
**Esforços maiores para identificar os casos infecciosos através de uma procura intensiva de casos, rastreios activos e uma educação melhorada sobre os sintomas de TB.
**Exames mais frequentes de expectoração para identificar os casos infecciosos e mais diagnósticos baseados em culturas para identificar os casos antes que se tornem infecciosos.
**O desenvolvimento e a implementação de um teste ràpido de susceptibilidade a medicamentos de modo a identificar casos de MDR, e planear um tratamento apropriado e em separado dos doentes susceptíveis.
**Medidas de controlo de infecção melhoradas em alas gerais, salas de espera e alas de TB.
Todos os detalhes sobre a metodologia estão disponíveis no jornal publicador, que está disponível gratuitamente no site do jornal.
Referência
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