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#soropositivoorg : Segundo a coorte do estudo D:A:D parar de fumar reduz o risco de doença cardiovascular

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Liz Highleyman
De acordo com um estudo apresentado na 17a Conferência de Retrovírus e Infecções Oportunistas, em S. Francisco, as pessoas seropositivas para o VIH que fumam têm um risco significativamente mais elevado de doença cardiovascular, enfarte de miocárdio e trombose (AVC), quando comparadas com as pessoas que nunca fumaram, mas esse risco diminuiu após a paragem e continuou a diminuir, à medida que o tempo passa sem fumar.

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Kathy Petoumenos e colegas tinham por objectivo investigar as taxas de eventos cardiovasculares e de morte nos participantes do estudo D:A:D que pararam de fumar. Estudos anteriores feitos com pessoas seronegativas demonstraram que o risco de doença cardíaca diminui no prazo de um ou dois anos após cessação tabágica e os investigadores pretendiam saber se isto se aplicava também às pessoas que vivem com VIH.

O D:A:D (Data Collection on Adverse events of Anti-HIV Drugs) é um estudo observacional em curso, de grandes dimensões, que conta com a participação de mais de 33 000 pessoas que vivem com VIH, que são acompanhadas em mais de 200 centros na Europa, Austrália e nos E.U.A.

A equipa do estudo D:A:D dividiu os participantes em grupos de acordo com o estatuto de fumador. A maioria (35%) era composta por fumadores; cerca de 25% nunca tinha fumado e um pouco menos de 20% tinha parado de fumar. A acrescentar, cerca de um quarto (um total de 8 197 participantes) reportaram que tinham parado de fumar após entrar no estudo. Os investigadores não tinham dados suficientes disponíveis para avaliar os fumadores com base no número de maços fumados por dia ou no número de anos como fumadores.

A maioria dos participantes (aproximadamente 75%) era do sexo masculino, cerca de metade caucasiana e a média de idades situava-se um pouco abaixo dos 40 anos. O sexo entre homens era o factor de risco mais comum, contudo, havia mais utilizadores de droga por via injectada neste grupo e no grupo de ex-fumadores (32% e 18% respectivamente), do que no grupo de pessoas que nunca tinham fumado (5%). Cerca de 25% do total era co-infectado com hepatite C mas, mais uma vez, este valor variou de acordo com o estatuto de fumador, reflectindo níveis mais elevados entre os utilizadores de droga por via injectada.

Relativamente à situação virológica, cerca de 60% tinham carga viral suprimida (menos de 50 cópias/ml) e a contagem média de células CD4 era de aproximadamente 450/mm3. A média de tempo sob combinação terapêutica anti-retroviral era de 1,5 anos.

Os participantes nos diferentes grupos de fumadores tinham frequências semelhantes de factores de risco cardiovascular incluindo pressão arterial alta, níveis de lípidos anormais no sangue e maior índice de massa corporal.

Os investigadores analisaram vários resultados clínicos, incluindo enfarte do miocárdio (ataque cardíaco), doença coronária cardíaca e doença cardiovascular de várias etiologias. Calcularam as taxas de incidência e de mortalidade para cada grupo de fumadores e, posteriormente, compararam os dados entre grupos.

Em comparação com as pessoas que nunca tinham fumado, os fumadores tinham um risco de enfarte do miocárdio três vezes superior (incident rate ratio [IRR] 3,4), e os ex-fumadores aproximadamente o dobro do risco (IRR 1,73).

Entre os participantes que pararam de fumar durante o acompanhamento, o excesso de risco diminuiu dos 3,7 durante o primeiro ano, para os 3,0 após um a dois anos, e para 2,1 após mais de três anos sem fumar.

Padrões semelhantes foram observados na doença coronária e na categoria mais ampla de doença cardíaca.

Os fumadores tinham um risco acrescido de doença cardíaca 2,2 mais elevado relativamente aos não fumadores, e para os ex-fumadores este risco acrescido era de 1,4 mais.

Mais uma vez, entre as pessoas que tinham parado de fumar durante o estudo, o risco diminuiu consistentemente por mais de três anos (o período mais longo do acompanhamento).

Ao observar todas as causas de mortalidade, o padrão foi, de certa forma, diferente. O risco de morte foi mais elevado entre os fumadores, mas o aumento de risco de 1,3 não foi tão grande como o de eventos clínicos.

Os ex-fumadores tinham o mesmo risco de morte do que as pessoas que nunca tinham fumado. Mas, entre aqueles que pararam de fumar durante o estudo, o risco mais elevado de morte não desceu de forma consistente ao longo do tempo; o padrão foi também inconsistente quando se observaram as mortes em pessoas com idade superior a 50 anos.

Os investigadores não foram capazes de explicar este resultado inesperado. Contudo, observaram que uma larga percentagem de pessoas que nunca tinha fumado morreu de doenças associadas ao VIH/SIDA, enquanto os fumadores e os ex-fumadores tinham mais probabilidades de morrer de outras causas.

Os que pararam tinham um risco agravado de cancro não definidor de SIDA, sugerindo que os danos produzidos durante o período como fumador se mantiveram e transitaram para o período como não fumador.

“O risco de episódios (de doença cardíaca) nos doentes seropositivos para o VIH vai diminuindo à medida que aumenta o período de tempo como não fumador”, concluem os investigadores do estudo D:A:D. “Os esforços para parar de fumar deveriam ser uma prioridade na monitorização dos doentes que vivem com VIH”.

Na conferência de imprensa onde se discutiram estes resultados, a Dra. Petoumenos afirmou que a mensagem chave deste estudo é que os benefícios clínicos obtidos com a cessação tabágica, observados na população geral, parecem ser igualmente aplicados às pessoas que vivem com VIH.

Referências

Petoumenos K et al. Rates of cardiovascular disease following smoking cessation in patients with HIV infection: results from the D:A:D study. Seventeenth Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections, abstract 124, San Francisco, 2010.

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