Bando que explorava Garotos de Programas é preso!
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Quadrilha na Espanha obrigava 72 homens, do Maranhão, a se prostituir
Priscila Guilayn Correspondente
MADRI. As vítimas de tráfico sexual não são exclusivamente mulheres. Na Espanha, 14 criminosos foram detidos ontem por enganar e explorar sexualmente 72 homens, oito deles, travestis.
Todos eram brasileiros – vindos do Maranhão – com idades entre 22 e 29 anos. Dos traficantes, dez eram brasileiros, três espanhóis, e um venezuelano.
Esta é a segunda rede de tráfico de homens com fim de exploração sexual que é desarticulada na Espanha. A primeira foi em 2006, em Badajoz, na Comunidade Autônoma de Extremadura.
Brasileiros viviam em semiescravidão
Os brasileiros vinham para a Espanha enganados, segundo a polícia, sobre as condições de trabalho: prostituíam-se 24 horas por dia à base de Viagra, cocaína e popper (uma espécie de loló). Moravam em quartos pequenos, com dois ou três beliches, pelos quais tinham que pagar G200 ao mês. Eram apresentados aos clientes (de 20 a 65 anos) em uma sala e, de lá, iam a outros quartos do imóvel.
– Estes casos de tráfico de homens com fim de exploração sexual são isolados. Uma das características da prostituição masculina é justamente o fato de ser voluntária, autônoma e sem coação – opina Ivan Zaro, coordenador da Triângulo, ONG que atende a homens que exercem a prostituição em Madri.
A maioria das vítimas da rede desarticulada ontem já se prostituía no Brasil e sabia que vinha à Espanha como garoto de programa.
Eles não sabiam, no entanto, que estariam semiescravizados e sob ameaça de morte caso tentassem denunciar. Também desconheciam que estavam, automaticamente, contraindo dívida de G 4 mil. Alguns, segundo a polícia, pensavam que trabalhariam como go-go boy ou modelo. Por programa, eles ganhavam G 60 e entregavam a metade à rede de tráfico.
– Os homens que se prostituem voluntariamente trabalham na rua, em seus próprios apartamentos ou alugam com colegas um imóvel para os programas.
Quando decidem procurar uma casa de prostituição sempre entregam de 40 a 50% do que recebem – explica Zaro.
A rede atuava principalmente em Palma de Mallorca, onde houve oito detenções. Em León, foram três. Em Barcelona, Madri e Alicante foram presos três brasileiros, um em cada cidade. Os traficantes compravam as passagens com cartões de crédito clonados. As vítimas iam do Brasil a países como França e Itália, e de lá viajavam para a Espanha.
A polícia começou a investigar a existência da rede em fevereiro, quando um dos brasileiros fez a denúncia. Durante a operação, foram detidos 17 brasileiros, vítimas da rede de tráfico. Todos em condição irregular. No total, a polícia calcula que os traficantes tenham trazido do Brasil à Espanha 80 pessoas, oito delas mulheres. Procurado pelo GLOBO, o consulado do Brasil na Espanha não se pronunciou. “Cheguei aqui e não era bem para dançar” O paulista Marcos, de 22 anos, diz que, embora tenha vindo enganado, hoje na Espanha exerce voluntariamente a prostituição. O GLOBO: Como você veio para a Espanha? MARCOS: Um amigo perguntou se não queria vir para dançar. Mas cheguei e não era bem dançar. Porque não desistiu? MARCOS: A gente cobra €120 por uma hora. Quando morava em Paris, onde pagam € 200 por programa, eu tinha uns dez clientes por dia. Você se droga? MARCOS: Você ganha mais dinheiro com cliente que usa coca, porque eles gostam de passar mais tempo com você. Como vê a sua vida? MARCOS: Mudou. Sexo com homem é pior. Nunca tinha feito, mas tive que fazer porque dá dinheiro.
O GLOBO | O PAÍS
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