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Campanha sob Ataque

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Pesquisa da UFF conclui que distribuição de camisinhas pelo governo federal no carnaval é inócua. Programa Nacional de DST/Aids defende medida e alega que período de festa torna foliões “vulneráveis”

Ullisses Campbell
Da equipe do Correio

Com carnaval gigantesco, Salvador receberá, juntamente com Recife e Rio de Janeiro, a maior parcela do primeiro lote de preservativos

Uma pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF) sobre doenças sexualmente transmissíveis concluiu que o carnaval não influencia a atividade sexual. Segundo os pesquisadores, que divulgaram os resultados ontem no Rio de Janeiro, a campanha de prevenção que o Ministério da Saúde lança nesta época do ano “não surte efeito”. Na terça-feira, o Programa Nacional de DST/Aids começou a distribuir 19,5 milhões de camisinhas por conta da folia e, no domingo, vai ao ar a campanha de carnaval.

De acordo com uma das coordenadoras da pesquisa, a infectologista colombiana Wilma Nancy Arze, o ideal seria que o governo federal fizesse campanha de prevenção o ano inteiro e não apenas nesta época do ano. “A campanha voltada apenas para o carnaval não cumpre aquilo a que se propõe”, critica Wilma.

Os pesquisadores sustentam que o carnaval está associado à promiscuidade sexual desde a antigüidade e que a campanha que o governo veicula na televisão desde 1995 reforça essa idéia. “A distribuição de camisinhas no período estimula a prática sexual. Nenhuma estatística tabulada na pesquisa aponta, em tempo algum, aumento de parto em novembro, nove meses depois do carnaval”, ressalta o médico Mauro Romero Leal Passos, que também é autor da pesquisa. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores investigaram 11 mil pacientes em Niterói.

O Programa Nacional de DST/Aids contesta a pesquisa da UFF argumentando que foram usados como material de pesquisa casos de apenas uma cidade. “Não podemos pegar dados ambulatoriais e dizer que a pesquisa é nacional”, argumenta o chefe de unidade do programa, Valdir Pinto. Ele também esclarece que o governo não distribui camisinhas para estimular o sexo. “O carnaval torna o folião mais vulnerável por causa do consumo de bebidas alcoólicas. Se o sexo acontecer, é bom que ele tenha uma camisinha à mão”, diz Pinto.

As camisinhas que o Ministério da Saúde começou a distribuir nesta semana formam o primeiro lote do ano e são destinadas especificamente às ações de prevenção das doenças sexualmente transmissíveis e da Aids durante o carnaval. Os locais onde a folia é mais intensa, como Rio de Janeiro, Recife e Salvador, receberão a maior parte da remessa.

Como foram enviados somente anteontem, a previsão do governo é que os preservativos cheguem a todos os estados e ao Distrito Federal até o início da próxima semana. As camisinhas serão entregues às secretarias estaduais de Saúde, que repassarão para as secretarias municipais de Saúde e organizações da sociedade civil que desenvolvem ações de prevenção. Do total de 19,5 milhões de preservativos, os estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste arcam com 10% e os do Sul e Sudeste, com 20% do total estimado para cada estado.

Pílulas do dia seguinte
Em Pernambuco, a coordenação estadual de DST/Aids entrou numa polêmica com a Arquidiocese de Olinda e Recife por anunciar que vai distribuir nos postos de saúde pílulas do dia seguinte para evitar gravidez indesejada. A Igreja Católica classificou a medida de “aberração” e prometeu apelar ao Ministério Público para impedir a distribuição do contraceptivo, “já que a medida incentiva o sexo e o aborto”, diz a Igreja. O secretário de Saúde de Olinda, João Veiga, também foi contrário à proposta, argumentando que a pílula desestimula as pessoas a usarem camisinha e não evita a hepatite B, a Aids e outras doenças.

 

” Não podemos pegar dados ambulatoriais e dizer que a pesquisa é nacional ”

 

Valdir Pinto, do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde

 

O número
19,5 milhões
de camisinhas serão distribuídas pelo Ministério da Saúde até o carnaval

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