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Agência de Notícias da Aids |
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04/DEZEMBRO/07 |
3/11/2007 – 18h20
A cientista Cristina Possas, chefe da Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico do programa brasileiro de vacina está presente no Fórum de vacinas contra Aids, em Abuja, na Nigéria, convidada pelo Programa africano de pesquisa de vacinas HIV. Cristina Possas acentua que o Brasil tem prestígio em todo mundo na questão da Aids por sua política de acesso gratuito ao tratamento da doença. Na época da criação dessa política, diz Cristina, havia muita crítica mesmo internacional, que achava ser um caminho equivocado, pois diziam que “o acesso universal aos medicamentos iria aumentar a resistência aos anti-retrovirais. O Banco Mundial chegou a fazer uma projeção de que o Brasil teria 1,200 milhão de infectados em 2002. Uma profecia falha, porque nessa época o Brasil só chegou à metade dos casos previstos”.
Na verdade, afirma Cristina Possas, a resistência acabou sendo muito mais baixa que nos outros países, segundo artigos publicados em revistas científicas internacionais de prestígio, “pois a velocidade de propagação do vírus foi contida”. Com isso, o Brasil economizou cerca de dois bilhões de dólares, só nos primeiros anos.
“Ora”, diz ela, “uma vacina anti HIV, mesmo que seja parcial, poderá significar uma extraordinária economia de recursos, não só para o Brasil como para os países em desenvolvimento”, destaca. Ao mesmo tempo, Cristina Possas quer deixar claro que “a maioria dos laboratórios farmacêuticos internacionais, com poucas exceções, não têm investido nas pesquisas com vacinas anti-HIV. Esse investimento tem sido principalmente público, pois os leboratórios alegam falta de incentivos para tais pesquisas”.
O maior incentivador e investidor nas vacinas contra essa doença é o setor público americano através dos Institutos Nacionais de Saúde, coisa que também poucos sabem e que destaca Cristina Possas. Apenas o laboratório da Merk surge no setor privado e isso com o apoio do National Instituts of Health. “O Brasil investe na pesquisa em vacinas”, diz Possas, “existem diversos projetos de vacina selecionados”.
Para ela, o Fórum de Abuja é importante porque os países africanos vão lançar seu plano quinquenal de vacinas. Por coincidência, o Brasil terminou seu plano quinquenal de vacinas anti-HIV. “Nosso país é reconhecidamente pioneiro no lançamento desses planos, desde 92, em parceria com a OMS (Organização Mundial da Saúde e outros organismos internacionais. E, em maio, será lançado o próximo plano de vacinas brasileiro”, destaca Possas.
Ela também comenta como o projeto mais avançado de vacina brasileiro, na fase 2B, foi interrompido, embora tenha sido muito importante em termos de provas de conceito e do desenho do estudo da pesquisa. “Ficou provado que não se precisa de estudos em larga escala, como o da Tailândia com 16 mil voluntários. Embora a pesquisa brasileira com participação da Merk “não tenha eficácia, pois não protege, mostrou ser possível com número bem menor de voluntários chegar-se a conclusões”.
“A Aids é uma doença revolucionária, diz ela, porque a complexidade do virus lhe dá uma hiper variabilidade que torna complicado o desenvolvimento de uma vacina”.
Cristina Possas conta que a pesquisa internacional tem investido em vacinas preventivas, mas que o Brasil aposta em vacinas terapêuticas, uma estratégia de imunoterapia. E está apoiando uma pesquisa de Luís (Lula) Arraaes, filho do antigo governador Miguel Arraes, que com o pesquisador francês Andrieu, começou um projeto de vacina terapêutica, em desenvolvimento atualmente em Pernambuco.
“Trata-se de uma estratégia de imunoterapia, individual, ao contrário da estratégia de massa da vacina preventiva. Na fase 1, esse estudo mostrou aspectos interessantes, e “o Brasil decidiu apoiar essa pesquisa, pois se pudermos tratar individualmente os pacientes e impedir que a doença evolua ou diminuir o ritmo de evolução da doença, haverá uma diminuição drástica no gasto com o tratamento. O Brasil procura participar das duas estratégias – vacina preventiva e vacina tearapêutica.
Rui Martins
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