Qual o significado das psicoses funcionais associadas a infecção pelo HIV e como melhor abordá-las?
AVISO IMPORTANTEEste texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento devem ser...
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A presença de sintomas psicóticos em pacientes com AIDS contribui para dificultar ainda mais os cuidados clínicos, a moradia em casos de problemas sociais e está associada ao aumento do risco de suicídio.
As psicoses podem ocorrer precocemente como manifestação da infecção pelo HIV, em ausência de outros sintomas/sinais de AIDS. Todavia, a maior parte dos casos ocorre em fases mais avançadas da doença.
A etiopatogenia dos quadros psicóticos permanece obscura. Uma das hipóteses é que seja uma encefalopatia pelo HIV. Estudos com SPECT (Single Photon Emission Computed Tomography), exame que estuda a dinâmica do fluxo sangüíneo cerebral, sugerem tal associação.
Os pacientes infectados que apresentam quadros psicóticos mostram, em comparação com pacientes infectados sem sintomas psicóticos, maior índice de abuso ou dependência de estimulantes e sedativos no passado, maior prejuízo neuropsicológico e, no seguimento, maior taxa de mortalidade.
Outras hipóteses sugerem a participação de infecções oportunistas como o herpes simples ou citomegalovírus e de fatores estressantes na gênese dos quadros psicóticos.
Ao abordar pacientes infectados pelo HIV que apresentem sintomas psicóticos, especialmente os que não apresentam história de psicoses no passado, é fundamental a investigação minuciosa e incisiva de etiologia orgânica: tomografia computadorizada e/ou ressonância magnética e exame do líquido cefalorraquidiano são fundamentais no esclarecimento diagnóstico.
O tratamento é feito com neurolépticos, preferencialmente as butirofenonas, que apresentam maior segurança em pacientes com patologias orgânicas. Deve-se estar sempre atento ao aparecimento de quadros de liberação extrapiramidal, aos quais estes pacientes são particularmente sensíveis. Para seu tratamento sugere-se a redução da dose e/ou uso de biperideno ou prozina. A dose de haloperidol situa-se entre 2 a 2Omg, embora varie muito para cada paciente.
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