Escola sem homofobia
DOCUMENTO HISTÓRICO E ACERVO Nosso acervo conta com mais de 5.000 publicações. Não apagamos a história porque alguém, em algum lugar, algum dia, poderá precisar saber de algo — e existe, sim, a...
DOCUMENTO HISTÓRICO E ACERVO
Nosso acervo conta com mais de 5.000 publicações. Não apagamos a história porque alguém, em algum lugar, algum dia, poderá precisar saber de algo — e existe, sim, a possibilidade de este ser o único lugar onde este conteúdo ainda exista.
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olá, esta é a história real que precisava ser contada. A vida testa a gente nos detalhes mais improváveis, mas a história construída até aqui permanece de pé, registrada com toda a transparência e resiliência possível.
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Chyntia Barcellos
O tema é HOMOFOBIA
A pesquisa do projeto Escola sem Homofobia, realizada em 11 capitais, inclusive em Goiânia, ouviu jovens de escolas públicas do 6º ao 9º ano, e constatou um cenário de preconceito, intolerância e total desconhecimento do tema diversidade sexual. Apesar de não terem sido abordadas, as escolas particulares também estão sujeitas à homofobia.
A escola não é uma célula isolada na sociedade. Ela é o espelho das mazelas sociais. Alunos, professores e funcionários reproduzem no sistema escolar suas vivências, percepções, emoções e preconceitos. Os alunos em formação muitas vezes são alvo da falta de preparo não só das escolas, mas também de seus pais e responsáveis para lidar com as diferenças.
No caso de adolescentes LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, TRAVESTIS e TRANSEXUAIS) além do preconceito e discriminação na escola, tanto por parte de colegas e até pelos próprios educadores, aqueles ainda encontram um cenário hostil dentro de casa.
E a escola ainda argumenta que um dos entraves para se trabalhar o tema diversidade sexual é a família, os pais, os quais, arraigados ao padrão heteronormativo, religioso e machista, não querem ver seus filhos envolvidos com o assunto. Será essa premissa verdadeira ou apenas meio verdade? Ou é a escola que também não sabe se posicionar diante do tema e camufla de alguma forma sua omissão na repressão dos pais?
À parte desses questionamentos, a sociedade brasileira está diante do fenômeno de bullying escolar, que é a prática de atos de violência física ou psicológica, de modo intencional e repetitivo, exercida com o objetivo de constranger, intimidar, agredir, causar dor, angústia ou humilhação à vítima.
Nesse sentido é a homofobia um dos vetores mais recorrentes do bullying escolar, até porque, segundo a pesquisa, a escola é o local onde se ensina, desde a infância, que a homossexualidade é um caminho errado.Logo, os resultados são desastrosos. Além de acarretar problemas psicológicos graves, tal fato contribui ainda para a dificuldade de aprendizagem, levando à evasão escolar, à baixa escolaridade, podendo até acarretar o suicídio e a marginalidade.
E quem são os responsáveis? Segundo o filósofo e educador Paulo Freire, “a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Assim, a escola ao exercer sua função pública de educação para a inclusão deve trazer a família para a discussão, a fim de diminuir o antagonismo acerca da sexualidade que permeia esses dois grupos.
Chyntia Barcellos é advogada especialista em Direito das Famílias e Direito Homoafetivo. chyntia@chyntiabarcellos.com.br
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