Escolas e colegas são hostis a alunos e alunas homossexuais
Publicado em 6 de outubro de 2010 (há 16 anos e 11 dias)Atualizado em 31 de julho de 2026 (há 2 meses e 16 dias) DOCUMENTO HISTÓRICO E ACERVO Nosso acervo conta com mais de 5.000 publicações. Não...
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| As escolas brasileiras são hostis aos homossexuais e o tema da sexualidade continua sendo pouco discutido nas salas de aula. Essas são as principais constatações da pesquisa Homofobia nas Escolas, realizada em 11 capitais brasileiras pela organização não governamental Reprolatina, com apoio do Ministério da Educação. “A homofobia é negada pelo discurso de que não existe estudantes LGBT [lésbicas, gays, bissexuais e TRAVESTIS] na escola. Mas quando a gente ia conversar com os estudantes, a percepção, em relação aos colegas LGBT, era outra”, contou uma das pesquisadoras, Magda Chinaglia. Parte dos dados, com destaque sobre a situação na cidade do Rio, foi divulgada, na própria capital. Os dados completos, com informações sobre a visita a 44 escolas de todas as regiões do país e trechos de 236 entrevistas feitas com professores, coordenadores de ensino, alunos do 6º ao 9º ano, além de funcionários da rede, devem ser divulgados até o final do ano. De acordo com a pesquisa, os homossexuais são bastante reprimidos no ambiente escolar, onde qualquer comportamento diferenciado “interfere nas normas disciplinares da escola”. “Ouvimos muito que as pessoas não se dão ao respeito. Então, os LGBT têm que se conter, não podem [se mostrar]”, contou a pesquisadora. No caso dos TRAVESTIS, a situação é mais grave. Além da invisibilidade, fenômeno que faz com que os alunos e as alunas homossexuais não sejam reconhecidos, nenhuma escola autorizava o uso do nome social (feminino) e tampouco o uso do banheiro de mulheres. “Os TRAVESTIS não estão nas escolas. Os casos de evasão [escolar] são por causa dessas regras rígidas”, explicou Magda. De acordo com a vice-presidente do Conselho Estadual dos Direitos da População LGBT, Marjorie Marchi, que assistiu à divulgação dos dados, é principalmente a exclusão educacional que leva muitos TRAVESTIS à prostituição. “Aquele quadro do TRAVESTI exposto ali na esquina é o resultado da falta da escola. Da exclusão”, disse. Em relação à EDUCAÇÃO SEXUAL, os professores alegam que o tema não é muito discutido porque as famílias podem não aprovar a abordagem. “Existe um temor da reação desfavorável das famílias, Mas isso é o que eles [os professores] dizem”, afirmou Magda. “Os estudantes não colocam a família como um problema. Aqui, cabe outra pesquisa para saber se as famílias interferem”, completou. A pesquisa não analisou especificamente os casos de violência, embora os especialistas tenham citado a ocorrência de brigas motivadas pela orientação sexual da vítima e colhido inúmeros relatos de episódios de homofobia. O objetivo é que o documento auxilie estados e municípios a desenvolver políticas públicas para essa população. “As pessoas estão sendo agredidas diuturnamente dentro das escolas, em todas as capitais. A educação é um direito”, destacou a pesquisadora. TRIBUNA DO BRASIL – DF | BRASIL |
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