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17/FEVEREIRO/08 |
17/2/2008
Infectologista foi pioneiro no tratamento da síndrome em Rio Preto
Luís Fernando Wiltemburg
Da Agência BOM DIA
A Aids ainda era praticamente desconhecida no Brasil quando o infectologista Irineu Luiz Maia, o pioneiro no tratamento da doença em Rio Preto, encarou o primeiro caso na cidade, em 1984.
Formado na primeira turma da Famerp, em 1973, o médico optou pela especialização em infectologia em 1978, no Hospital das Clínicas da USP, em São Paulo.
Foi nesse período que os primeiros casos de Aids começaram a surgir no mundo. Em 1980, foi reconhecida como doença.
Em 1984, já de volta a Rio Preto, teve o primeiro contato com um doente, no mesmo ano em que foi detectada no Brasil. No início da epidemia, predominavam os casos entre homens e usuários de drogas, todos jovens.
Na época, só era possível tratar as complicações trazidas pelo vírus HIV. A sobrevida dos pacientes era de seis meses, em média.
Os primeiros casos foram os mais traumáticos para o médico. Muitos jovens começaram a morrer e a equipe criava vínculos com eles. “Eram rapazes fortes, bonitos, que grudavam no nosso braço e diziam que não queriam morrer”, conta.
O diagnóstico da doença era anunciado, segundo o médico, com esperança, mas sem omitir a gravidade. O paciente e a família, por outro lado, recebiam a notícia com desespero. “A primeira pergunta era: ‘Por que comigo?’”, recorda o infectologista.
Irineu nunca teve receio de contrair Aids pelo contato com os pacientes, mas médicos de outras especialidades dificultavam o diagnóstico de portadores do vírus. “Eles perguntavam: ‘Por que investir nele, já que vai morrer?’”
Apesar das adversidades, Irineu afirma que não pensou em desistir de tratar a doença, mesmo com o desespero tomando conta dele várias vezes. “Eu me perguntava: ‘Por que foi surgir justamente no meu trabalho?’”, recorda o médico, que viveu quatro anos com uma especialização tranqüila. “De repente, aparecem pacientes com uma doença desconhecida e fatal. Foi uma pressão muito grande”, diz.
Bom relacionamento é essencial
Após 35 anos de profissão e dezenas de congressos sobre a Aids, o infectologista Irineu Luiz Maia acredita que o tratamento da síndrome evoluiu bastante, mas só um bom relacionamento entre médico e paciente determina o sucesso. “Precisamos do papel de médico e amigo”, explica
Atualmente, o coquetel contra a doença – combinação de antiretrovirais para conter o vírus – permite ao paciente viver normalmente. Porém, a adesão ao tratamento só existe quando há uma boa relação médico-paciente.
“O clínico, antes de tudo, precisa saber conversar. Tem de ser um contador de histórias para que o paciente se sinta bem e se abra”, explica.
Irineu cuida de aproximadamente 1,5 mil pacientes no Hospital de Base. Segundo levantamento da farmácia da instituição, que entrega os medicamentos aos pacientes, 30% mantêm tratamento irregular.
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