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O que diferencia soropositivo de outras pessoas é o preconceito, diz Grappa

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01/12/2009 – 09h07m

 

Samuel Nunes

Repórter

 

O Grappa – Grupo de apoio à prevenção e aos portadores da Aids em Montes Claros também está participando das comemorações do dia mundial da Aids, neste 1º de dezembro, que tem como tema: Todos contra o preconceito.

 

De acordo com a presidente da entidade, Tati Viana, o Grappa trabalha de forma incessante na conscientização de que a Aids é um vírus e não um estilo de vida errado. Frisa que, muitas vezes, os portadores do vírus HIV são considerados, por parte da sociedade, não apenas diferentes, mas desviantes ou desregrados.

 

(SAMUEL NUNES)

 

Tati Viana: – É muito comum atribuir ao próprio

doente a responsabilidade pela doença.

 

– É muito comum atribuir ao próprio doente a responsabilidade pela doença que o vitimou. Identificar responsáveis é uma maneira de explicar o que não se compreende, pois uma vez achados os culpados, os demais estão automaticamente eximidos de toda e qualquer responsabilidade. Queremos deixar claro que, no cotidiano, o que diferencia uma pessoa soropositiva das outras é o preconceito – ressalta.

 

Tati Viana destaca o trabalho do Grappa no Norte de Minas, afirmando que são vários os portadores dessa doença que dependem totalmente daquela instituição.

 

– Temos como estratégias as atividades de trabalho de campo, mantendo um processo contínuo de prática de sexo seguro com a realização de reuniões específicas para disponibilização de insumos e informações sobre saúde, cidadania, direitos e qualidade de vida – explica.

 

DEPOIMENTO DE UM JOVEM PORTADOR DO HIV

 

– Meu nome é João, tenho 18 anos e sou portador do vírus HIV. Meus pais já faleceram e eu moro com minha avó materna. Ela toma conta de mim desde meus oito anos, quando nós, eu e meus pais, descobrimos que éramos soropositivos.  Faço tratamento porque já adoeci devido à Aids. Meu pai faleceu em 2000, com 37 anos, e minha mãe em 2002, com 39 anos. Naquela época, o tratamento, as terapias e os medicamentos ainda estavam em início de processo e meus pais não tiveram acesso, assim como eu hoje tenho tratamento.

 

Eu sofri muito a morte deles, não tinha nem ideia do que era ser soropositivo, hoje já tenho idade suficiente pra entender o que significa. Mas tenho idade para entender que minha vida não vai ser igual à de muitos rapazes. Poderia até levar uma vida normal, mas, por causa do preconceito, temo que isso não será possível.

 

Tenho que tomar medicamentos para o resto da vida. Mas isso não me incomoda, o que me incomoda mesmo é ter de mentir e fingir para as pessoas que tomo remédios constantemente porque tenho outra doença grave e não Aids.

 

É terrível viver sem poder assumir que sou portador do vírus HIV e doente de Aids. Como eu já tomo medicamentos desde oito anos, provavelmente terei uma sobrevida maior que a de meus pais. Tento fazer tudo normalmente. Estudo, jogo bola, adoro computador, estou estudando pra fazer ciências da computação. Sou forte, corro muito, trabalho, nado, pesco, namoro, faço tudo que um rapaz faz.

 

Não penso muito no futuro. Não que eu tenha medo dele, é que eu acho que não preciso pensar… Como disse minha avó, o futuro a Deus pertence. Sou alegre, gosto da vida, tenho muitos amigos e primos, somos uma família unida. Gostamos de fazer muitas coisas juntos.  Espero de todo meu coração que o preconceito com as pessoas vivendo com HIV/Aids seja extinto do planeta antes da própria Aids.

 

A minha mensagem é dizer às crianças, aos jovens e adolescentes, tanto soropositivos como filhos e pais soropositivos, que tenham esperança, que se cuidem, que amem seu próximo e nunca descrimine uma pessoa que tenha Aids.

 

N.R.: Depoimento feito em janeiro de 2009 por um rapaz que contraiu o vírus por transmissão vertical e faz tratamento desde 1999.

 

 

 

O Norte de Minas 

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